Review | Arquivo X 10×05: “Babylon”

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Review | Arquivo X 10×05: “Babylon”

No quinto episódio desta temporada, Mulder e Scully lidam com questões muito delicadas para a contemporaneidade dos Estados Unidos: terrorismo, xenofobismo e fanatismo. Porém, o episódio não deixa de lado o mundo de mistérios que é a série e ainda introduz novos personagens.

Quando dois terroristas de origem árabe explodem uma exposição que exibia uma caricatura do profeta Maomé, Mulder e Scully são contatados pelos agentes do FBI Miller e Einstein.

Quando os personagens vividos por Robbie Amell e Lauren Ambrose, respectivamente, foram anunciados, muitos fãs da série reagiram negativamente, pois acreditavam que os novos agentes estavam abrindo caminho para substituir no show Mulder e Scully. Quando Miller e Einstein surgem pela primeira vez nesse episódio, fica bem claro que em nenhum momento houve a intenção de esconder que os novos agentes emulam a mesma relação profissional de Fox e Dana. Enquanto Einstein é a mente cientifica da dupla, agindo de forma ríspida as teorias que fogem a lógica, Miller é a menta aberta a todas as possibilidades e é dele a iniciativa de buscar Mulder e Scully nos “Arquivos X” para ajudarem a desvendar a célula terrorista responsável pelo atentado. Segundo Miller, algum tipo de contato extracorporeal com o terrorista que sobreviveu, mas que ficou em estado vegetativo no hospital, pode indicar o paradeiro de outros terroristas.

A dinâmica da trama se constrói na oposição. De um lado, Scully usará de suas habilidades cientificas para ajudar Miller a entrar em contato com o terrorista. A agente divide sua experiência da mãe que esteve em coma e acredita que métodos científicos avançados possam abrir a comunicação com o terrorista. Do outro lado, temos Mulder e Einstein usando outro caminho. Fox convence que pode entrar em contato extracorpóreo com o terrorista graças aos feitos de um “cogumelo mágico”. Mas Einstein não parece convencida em nenhum momento mesmo estando ali ao lado de Mulder.

Enquanto isso, o episódio também dá destaque ao impacto do atentado em Texas. Seja na mídia ou na ação de alguns personagens, como a enfermeira que quase matou o terrorista ao desligar os aparelhos médicos que o mantém vivo, vemos diferentes opinião, das mais moderadas as mais extremadas, sobre como lidar com o terror. Chris Carter mostra que o retorno da série não vem apenas para atender a nostalgia de fãs, mas para inserir sua criação num Estados Unidos bem diferente daquele dos anos 1990. Num Estados Unidos pós 11 de setembro.

Percebemos também que os personagens nesse episódio são motivados por suas crenças. Os terroristas discursam que estão em guerra contra os infiéis e lutando pela glória de Alá (Deus). A mesma fé numa força superiora ou num caminho alternativo a ciência move Mulder e Miller. Fox especialmente não acredita no placebo que a agente Einsten diz ter lhe dado ao invés do verdadeiro cogumelo. Seja pelo poder da sugestão ou pela força da própria crença, Mulder tem uma experiência das mais inusitadas que o leva ao encontro bem animado ao estilo do Texas com direito a presença d’Os Pistoleiros Solitários. Essa era a dica que Mulder de fato estava no lado de lá, pois seus mais fiéis amigos e companheiros haviam morrido na nona temporada.

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Ainda falando em querer acreditar, Scully e Miller se juntam para através da ciência entrar em contato com o terrorista. Depois de algumas tentativas mal sucedidas, a presença da mãe do homem-bomba provoca reações que são medidas nos aparelhos. A reação que tanto Scully e Miller buscavam na fé que mantinham naquele método. Porem é Mulder que traz, da sua viagem alucinógena, a informação que levaria aos terroristas: “Babylon”.

Por fim, a célula terrorista é derrubada, mas o episódio não chega ao fim, pois sua intenção foi de chamar a atenção para o que está permeado em toda sua trama: fé. Seja numa causa religiosa, seja na ciência, seja nos valores que constituem cada um, buscamos acreditar naquilo que nos dá identidade, acreditar naquilo que nossas experiências pessoais acabaram nos moldando. Ainda depois de muito tempo, Mulder ainda mantém sua mente aberta, apesar de ter questionado sua fé no terceiro episódio desta temporada. Scully teve um grande desenvolvimento em todas as temporadas de Arquivo X, passou de uma cética a uma pessoa com a mente mais aberta as crenças de Mulder, porém ainda não deixou de lado seu pensamento cientifico tão necessário as experiências que vivencia e mantendo sua fé na crença de Deus. Ao caminhar com Mulder no final do episódio, juntos refletem sobre o poder das palavras, sobre o poder da fé que sim, pode mover montanhas, seja para o bem ou para o mal.

P.S: o mistério das trombetas que aparece no início do episódio e que termina com o próprio Mulder escutando-as será o anúncio do “apocalipse”? Ou é o sinal para poucos da presença dos alienígenas? Acredito ser o gancho para o episódio final desta temporada.


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