O Último Adeus de Gregory House

  Matheus Pessôa  |    sexta-feira, 22 de junho de 2012

Foram tantas emoções, bicho...House acabou. Mas sempre estará presente na vida de todos os fãs. Não é lúpus, infelizmente é o fim.

Parece que foi ontem. Quando vi House pela primeira vez, sentia que estava assistindo algo que estava além da minha compreensão. Além do meu conhecimento. Para todos que assistem House, acho que deve ter sido mais ou menos assim. Afinal, nem todos sabem como se caracteriza a doença ‘tão esperada’ pelo médico, Lúpus. Mas os anos se passaram Oito temporadas. Mais de 8000 minutos à frente da TV. Confesso que não foram muitas séries que conseguiram entreter os EUA durante tanto tempo com uma temática completamente desconhecida da maior parte da sociedade, que é sobre o que se passa dentro de um hospital. No dia-a-dia dos médicos. No dia-a-dia de House.

Por falar nisso, só me recordo de séries de comédia, vulgo sitcoms, que conseguiram atingir tanta popularidade num país onde a saúde nem vem sempre em primeiro lugar. Mas pensando bem: House ultrapassava estas barreiras, com temáticas diversas dentro de uma só e além disso, nos últimos episódios da oitava temporada, uma certa simplicidade por parte do médico mais volátil de todos os tempos.

Talvez você esteja se perguntando a razão do título desta postagem de despedida à House. E a resposta é porque essa série foi justamente ‘baseada’ nos contos de Sherlock Holmes, escritos por Sir Arthur Conan Doyle no século 19. Quando digo baseada, me refiro ao modo de como o mistério é tratado em ambos enredos, como os dois protagonistas têm muitos aspectos em comum, a começar pelo intelecto de ambos, que é algo realmente notável. House e Sherlock fazem trabalhos ‘investigativos’, seja nos contos de Doyle, seja nas telas de TV, ambos estão buscando a verdade por trás de um crime bárbaro e insolúvel, no caso do detetive, e de uma doença rara e praticamente inimaginável por outros médicos, no caso de House.

Também podemos citar o que os dois têm ‘cães fiéis’ que os acompanham sempre em suas buscas implacáveis. Wilson e Watson sempre estiveram ao lado destes dois verdadeiros ‘investigadores’ até o fim. Sempre davam conselhos, ideias e até mesmo se colocavam nos lugares deles, mesmo que isso realmente não fosse ‘retribuído’. Mas o que Holmes e House mais aprenderam com seus amigos foi o verdadeiro valor de uma amizade, ponto que fora muito frequentemente abordado nos últimos capítulos da série e no último. O último episódio de ‘House’.

[ATENÇÃO !] Spoilers daqui para frente !

Everybody Dies

House está pegou fogo nesse último episódio. Literalmente.

O último episódio começa da maneira clássica como os outros 176 começaram. Um paciente doente, prestes a ter algum tipo de colapso está ao lado de House, que o trata com seu modo sutil e simpático de ser. “Eu sofri um acidente de carro no mês passado”.“Eu ganhei um troféu de natação no Ensino Médio. Sua vez”. A partir daí, House começa a alucinar, e uma questão permanece em sua cabeça do início ao fim do episódio: ‘Viver Ou Morrer ?’.

O objetivo principal de House no início desse capítulo é conseguir escapar das autoridades e da prisão, pois fora condenado [novamente] no episódio anterior por um motivo completamente bobo: quebrar uma máquina de Ressonância Magnética. Mas não que o motivo pelo qual ele quisesse escapar fosse bobo; É então que surge, assim como em outros capítulos dessa grande novela ‘House-Wilson’, novamente o lado mais humanista e bonzinho de House. Afinal, Wilson só tem cinco meses de vida devido o seu câncer e precisa, mais do que nunca, de alguém ao seu lado. Um amigo. Alguém como House.

E para isso, House pediu a ajuda de Wilson e Foreman para conseguir ‘não ser preso’. Assim, o primeiro vem com seu discurso, como é típico, de que ‘Estaria apenas corroborando com algo ruim que você fez. Pareceria que eu apoio as suas más atitudes’, enquanto Foreman aceita a ‘proposta’ de House (segundo a alucinação, nesse caso). Aliás, a alucinação discute o que aconteceu com o paciente que está do lado dele no prédio em chamas, discutindo com as pessoas que passaram por sua vida, como Amber e Kutner. E durante o tratamento desse paciente, o médico acaba se identificando com ele.

Mais uma vez, mérito para David Shore, diretor e criador da série, que conseguiu de retratar de forma brilhante e perfeita o último episódio.

Ele seguiria adiante ? Acabaria com tudo de uma vez ?

Eis que ele some do mapa. Comos sabem do verdadeiro dilema que o médico enfrenta, os seus companheiros do Princeton-Plainsboro logo pensam que House se matou. Enfim, a figura sádica e brilhante havia simplesmente chegado ao fim. O fim de uma lenda. Mas não o fim que a série mereceria.

É então que tudo se confirma. House é encontrado morto num incêndio, junto com o paciente que havia aparecido junto com ele no início do episódio. Todos os fantasmas do passado que atormentavam House nessa jornada até seu último suspiro, até mesmo aqueles que se encontravam distantes dele e que apareceram em sua cabeça fazendo questionamentos sobre qual decisão ele tomaria agora haviam desaparecido. Para sempre.

O final ?

Claro que não. House não iria simplesmente morrer em um incêndio, todos sabem disso.

Wilson está fazendo seu discurso perante os amigos de House num ‘mini funeral’, e diz:

‘House curava pessoas…Ele imaginava estar em alguma busca heroica pela verdade. Mas era um idiota amargo que gostava de fazer as pessoas se sentirem mal e provou isso morrendo de forma egoísta, entorpecido por narcóticos, sem pensar em ninguém’, numa transcrição literal.

É então que o inesperado acontece. Wilson recebe uma mensagem no celular ‘CALA A BOCA IDIOTA’ e House ressurge e conta que havia conseguido fugir do prédio que havia pegado fogo e depois trocado os registros de sua arcada dentária com os do homem, o paciente dele.

Último Ato

O que é bom passa rápido… Essa é a impressão que a última cena nos passa. House e Wilson aparecem num campo, prestes a continuar suas vidas até quando for possível, e tentando aproveitar o tempo que resta ao oncologista. Para quem esperava um final sombrio e sinistro, fique tranquilizado. House finalmente está tranquilizado. Finalmente se torna um amigo de verdade de Wilson. E depois de tantas cenas, tantos casos e descasos, ‘House’ acaba de maneira esplêndida, sem decepcionar.

‘O que quer fazer nesses últimos cinco meses ?’- no encontro dos dois depois da suposta ‘morte’ de House. Durante o passeio de moto no campo, eles conversam:’Ouça, se o câncer piorar bastante…’, diz Wilson.‘Esse negócio de câncer é muito chato’, profere House.

E acaba. Será que House finalmente deixou a medicina de lado ? Não sabemos. Mas o que podemos afirmar é que a impressão passada ao telespectador nessa última cena é de que a vida é curta. Que devemos fazer tudo da melhor maneira. Afinal, não seria House uma pequena amostra das coisas que não devemos fazer com nossas vidas ? Depois de oito anos, essa pode ser a nossa melhor lição.

Carpe Diem.


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