Crítica Marvel’s Agent Carter – 1° Temporada

A agente Peggy Carter é a melhor representação de uma personagem feminina do universo Marvel até agora.

João Paulo

  sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Desde que liberaram o curta da Agente Carter nos extras de Homem de Ferro 3, a reação foi tão positiva que após um tempo diversos rumores sobre a possibilidade de uma série tomaram forma na internet, até que ano passado foi anunciado que “Marvel’s Agent Carter” teria sua primeira temporada exibida no hiatus de Agents of S.H.I.E.L.D em meados de janeiro de 2015.

AGENT CARTER

A atriz Hayley Atwell foi confirmada para o retorno como a agente do título e diversos nomes surgiram para compor o resto do elenco. Desta forma na primeira semana de janeiro estreou a série “Marvel’s Agent Carter”, cercada de muito “hype” e muitos elogios, a audiência foi modesta, não conseguindo ter o mesmo impacto que a estreia de sua irmã “SHIELD”, ainda assim todos os oitos episódios planejados foram exibidos num período de dois meses, chegando ao seu fim na última terça feira nos EUA dia 24 de fevereiro, aqui no Brasil o último episódio foi exibido ontem no dia 26 de fevereiro, apenas dois dias de diferença dos norte-americanos é bom ressaltar.

Mas a pergunta que não queria calar era a seguinte, será que a temporada realmente tinha valido a pena? E será que a série merecia uma segunda temporada? Já adianto que as duas respostas são SIM, pois “Agent Carter” não só se saiu muito bem em sua primeira temporada, como proporcionou uma consistência e qualidade de episódios de deixar muito seriado de TV paga dos EUA comendo poeira.

Devo dizer que os dois primeiros episódios “Now Is Not The End” e “Bridge and Tunnel” conseguem estabelecer muito bem os personagens, além de mostrar um pouco da atmosfera pós-Segunda Guerra Mundial. O roteiro do primeiro episódio é assinado pelos criadores da série Christopher Markus & Stephen McFeely, conhecidos do universo Marvel pelos roteiros dos dois filmes do Capitão América e a sequência de Thor, assim não há dúvidas que essa dupla conseguiria trazer todo o clima de Capitão América: O Primeiro Vingador numa versão mais expandida, desta forma a história se passa no período de 1946 e trás uma vibe que lembra Indiana Jones misturado com a série “Alias” do J.J. Abrams estrelado por Jennifer Garner.

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A série começa logo após o fim da segunda guerra como já foi dito, com Peggy Carter, agora recém-saída do exército e devido as suas contribuições recebeu um cargo de secretária na agência de inteligência denominada SSR ou “Strategic Scientific Reserve”. A vida dela muda quando seu amigo Howard Stark (Dominic Cooper) vem ao seu encontro pedindo ajuda para limpar seu nome depois que o mesmo é incriminado pelo governo de vender armas mortais para os inimigos dos EUA.

Na década de 40 o feminismo começava a surgir com mais força, mas ainda assim aquele universo era ainda bem machista e por diversos momentos, injusto. Desta forma Peggy Carter chega como a representação da figura feminina forte, uma mulher a frente de seu tempo capaz de realizar o mesmo trabalho que qualquer homem poderia fazer, então a serie tenta equilibrar essa luta da agente em tentar se provar em um mundo dominado por homens (no caso da agência SSR), enquanto que secretamente ela trabalha como uma espécie de espiã investigando e recuperando os itens roubados de Howard Stark na tentativa de limpar o nome do bilionário no processo.

Nesta jornada ela recebe ajuda do hilário e carismático Edwin Jarvis (o ótimo James D’Arcy), mordomo pessoal de Howard Stark e que aqui serve como “sidekick” perfeito para agente nas missões perigosas que encaram durante estes oito episódios. Outros personagens que compõe o elenco são: o chefe da SSR, Roger Dooley (Shea Whigham de Boardwalk Empire), Jack Thompson (Chad Michael Murray de One Tree Hill) e Daniel Souza (Enver Gjokaj de Extant) como agentes da SSR e a carismática Angie Martinelli (Lyndsy Fonseca de Nikita) como melhor amiga de Peggy.

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Nos dois primeiros episódios a trama felizmente foca bastante na dinâmica entre Peggy e Jarvis, que considero o verdadeiro ponto forte da série. O estilo de aventura e o charme da década de 40 são atrativos a parte, sendo que as cenas de ação muito bem coreografadas de bem feitas em sua maioria protagonizada por Peggy, ajudam a trazer o público para dentro da série, é claro que assim como no filme do Capitão América, o ritmo é um pouco mais lento que o normal e pode cansar o público, principalmente nos três primeiros episódios. Tecnicamente a série é impecável, os efeitos especiais fornecidos pela Light & Magic dão ao seriado um tom mais cinematográfico, a trilha sonora é magnífica e a direção na maioria dos episódios é muito bem feita sabendo dosar muito bem ação, comédia e suspense.

Como eu havia mencionado a trama não demora a se estabelecer e nos primeiros episódios já apresenta o vilão da temporada, a organização Leviatã que segue a mesma cartilha de seus quadrinhos de origem com a Rússia comunista sendo responsável pela criação desse grupo. O assassino que aparece nos primeiros episódios a serviço da organização a procura dos itens roubados de Stark, deixa um rastro de mortes até ser contido por Carter em determinado momento.

O maior problema deste antagonista é que nunca sabemos ao certo a dimensão de sua ameaça, o assassino surge dando a entender que há uma grande organização, mas que mais tarde na temporada se resume em apenas dois vilões perigosos. Ainda assim a introdução de Dr. Ivchenko e Dottie Underwood deu um fôlego maior à reta final da série, fazendo Carter e companhia correrem contra o tempo para impedi-los de botar em prática seus planos maquiavélicos.

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A primeira parte da temporada foca bastante na crescente ameaça do grupo Leviatã, na jornada de Peggy em provar a inocência do Stark e ainda encobrir seus rastros de seus colegas da SSR, além de plantar pequenas sementes que iriam germinar dali alguns episódios como é o caso do ótimo arco envolvendo a origem de Dottie Underwood (Bridget Regan). A melhor qualidade da série é não cair na armadilha que levou a primeira parte da temporada de “Agents of S.H.I.E.L.D” ser tão criticada, sendo assim “Agent Carter” não é um “easter egg” ambulante, as referências aos personagens dos quadrinhos ainda estão lá, mas não são laureadas e sim usadas de forma ajudar a enriquecer e dar mais informações a história como a participação do pai do vilão de Homem de Ferro 2, Ivan Vanko, ou a introdução mais que bem vinda da trama que envolve a origem do programa “Black Widow” ou o pequeno arco envolvendo a amostra do sangue do capitão Steve Rogers.

A segunda metade da temporada tem mais ritmo e as tramas ficaram mais dinâmicas trazendo algumas boas reviravoltas que começam já no episódio “Iron Ceiling” (1×05) com Carter e a participação do grupo Howling Commandos em uma missão na Rússia, que não só trás algumas revelações sobre o já mencionado programa “Black Widow” (provavelmente pavimentando a origem da Natasha que será explorado em breve no próximo filme dos Vingadores), ainda assim a reta final só pega fogo realmente quando a disputa de gato e rato entre Carter e a SSR chega ao fim no episódio “A Sin to Err” (1×06), com a descoberta de que Peggy era a agente misteriosa que Jack Thompson e Daniel Sousa estavam tentando encontrar desde os primeiros episódios da temporada.

Um dos melhores episódios da série veio com o excelente “SNAFU” (1×07) onde as tramas começaram a chegar a seu momento derradeiro e o vilão Dr. Ivchenko mostrou sua verdadeira face, além da revelação de que a agente Dottie ou Viúva Negra estava sobre ordens do mesmo. Aqui Peggy Carter já aparecia tomando mais a frente da operação e contribuindo para SSR no intuito de descobrir as teias de conspiração envolvendo Leviatã, a narrativa neste ponto fluiu de maneira eletrizante, equilibrando bem cenas de ação, a perda inesperada de um personagem importante e estabelecendo um gancho excelente para o season finale.

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Em “Valediction”, temos um season finale que troca a ação desenfreada, pela emoção e a nostalgia, não que o episódio seja monótono, o tão esperado embate entre Peggy Carter e a fria e calculista Dottie Underwood foi um dos melhores momentos da série, deixando um gostinho de quero mais e não devendo para nenhuma briga de macho por ai. É que o episódio fecha um ciclo ao colocar momentos entre Howard Stark e Peggy Carter relembrando a perda de Steve Rogers e a culpa que tinha por não ter conseguido resgatá-lo, momentos importantes com Edwin Jarvis consolidando a amizade dos dois, além do momento em que Carter ganha o reconhecimento de seus colegas da SSR após conseguir derrubar Dr Ivchenko um dos chefões da organização Leviatã, ao mesmo tempo em que é ignorada pela cúpula do governo que prefere reconhecer os esforços Thompson como a pessoa que derrubou a organização criminosa.

O episódio derradeiro da temporada funciona como um fechamento de um ciclo para Carter e a cena emblemática da personagem jogando o sangue do Capitão América na água é uma forma de mostrar ela estava pronta para seguir em frente. Sendo assim posso voltar há duas perguntas que fiz no começo da review, sim “Marvel’s Agent Carter” teve uma ótima primeira temporada que valeu a pena a ser assistida principalmente por aqueles que adoram o universo Marvel e sim a série merece com certeza uma segunda temporada, ainda mais depois de um gancho bacana envolvendo um personagem conhecido como Armin Zola.

Arquivos da SHIELD:

Edwin Jarvis: Eu já elogiei o personagem durante a review, mas ele merece outra menção honrosa porque afinal a dupla dele com a Peggy é uma das melhores coisas do seriado, parceiro em crime que geram cenas engraçadas, afinal James D’Arcy e Hayley Atwell tem uma ótima química em tela.

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Edwin Jarvis∕ Computador Jarvis: Uma curiosidade se você não sabia de onde o nome Jarvis tinha vindo, o mordomo de Howard Stark foi inspiração para a criação da inteligência artificial Jarvis usada por Tony Stark nos filmes do Homem de Ferro.

Armin Zola: O gancho da season finale com encontro entre Dr. Ivchenko e o vilão Zola na prisão abre diversas possibilidades para uma possível segunda temporada, esta aliança pode gerar muitas tramas ligadas ao universo Marvel.

Stan Lee: Como não poderia faltar o ícone da Marvel fez uma participação especial na série no quarto episódio da primeira temporada, mas uma foto vale mais que mil palavras.

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Melhores frases da Peggy:

Steve is gone. We have to move on. All of us

I don’t need agent Thompson’s approval, or the president’s. I know my value

A agente Peggy Carter é a melhor representação de uma personagem feminina do universo Marvel até agora.

TL;DR

“Marvel’s Agent Carter” é uma ótima série, muito bem produzida e ambientada, que tem em sua protagonista a força e qualidade de uma das melhores personagens do universo Marvel, além de quebrar o paradigma da donzela em perigo e da mocinha em defesa, trazendo uma mulher forte, decidida, independente, mas que tem sentimentos acima de tudo, maravilhosamente interpretada por Hayley Atwell, que realmente abraçou a figura da agente e nos proporcionou diversos momentos marcantes ao longo desses oito episódios. Marvel’s Agent Carter Drama - ABC 8 episódios Elenco: Hayley Atwell, James D'Arcy, Chad Michael Murray, Lyndsy Fonseca, Enver Gjokaj, Bridget Regan, Dominic Cooper e outros...
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