Damon Lindelof, roteirista de Lost e Prometheus, compara Walter White com o Batman

Leandro de Barros

  quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Damon Lindelof, roteirista de Lost e Prometheus, compara Walter White com o Batman

Roteirista afirma que, assim como o Cavaleiro das Trevas, Walter White sempre teve Heisenberg escondido dentro de si em algum lugar e que o câncer foi apenas um agente catalisador para a sua transformação

Breaking Batman

No próximo domingo, Breaking Bad chega ao seu fim. Como você já deve ter reparado por aí, a série tem gerado vários e vários comentários, teorias, artigos explicativos, vídeos e todo o tipo de homenagem ou análise possível.

Justifica-se todo esse hype? Sim, claro que sim! Breaking Bad não só é a série de melhor avaliação da crítica internacional, como é um sucesso absurdo entre o seu público.

Damon Lindelof, o roteirista de Lost e Prometheus, escreveu um artigo ao Variety, onde ele fala um pouco sobre a identidade de Walter White e seu processo de transformação em Heinsenberg. E é aí que está o pulo do gato: Lindelof acredita que nunca houve uma transformação, que Walt sempre foi Heisenberg.

Para explicar sua visão, o roteirista chega a comparar o personagem com o Batman, da DC Comics:

O pensamento convencional é que Bruce Wayne se torna o Batman no dia em que seus pais são assassinados. Essa é a sua origem. Nós todos já ouvimos. Nós todos aceitamos. Nós todos amamos essa história. Porque faz sentido! Seus pais são assassinados na sua frente, então é claro que você faz um jura uma vingança interminável contra o crime e se veste como um mamífero voador para executá-la.

Só que não é assim que Bruce Wayne se torna o Batman.

Bruce Wayne já era o Batman.

Porque milhões e milhões de pessoas são assassinadas por criminosos o tempo todo – especialmente nos quadrinhos. Mas os seus filhos e filhas não se tornam o Batman. Por que Bruce Wayne? Bruce era diferente. Ele tinha algo dentro dele. Ainda adormecido. Ele só precisava de algo poderoso o suficiente para despertar esse algo. Em termos químicos, isso é o que chamamos de catalizador

"Eu não sou o produtor de metanfetamina que Albuquerque merece, mas o que Albuquerque precisa"

“Eu não sou o produtor de metanfetamina que Albuquerque merece, mas o que Albuquerque precisa”

Lindelof então passa a fazer o paralelo com Walter White, dizendo que ele já tinha o Heisenberg dentro de si e o anúncio de que ele tinha um câncer no pulmão foi apenas o catalizador para despertar o Batman dentro dele – exceto que esse Batman usa um chapéu maneiro e produz metanfetamina e não tem nada a ver com o Batman.

Um dos pontos principais do texto de Lindelof é que Walter White continua produzindo metanfetamina mesmo depois do seu câncer regredir:

Isso seria o equivalente aos pais de Bruce Wayne aparecerem do nada dizendo que ‘nós tivemos que fingir nossas mortes quando você era criança e estivemos no programa de proteção à testemunas o tempo todo. Desculpe, mas o cara que atirou na gente era um agente do FBI nos ajudando e ele não era um crimoso, nós te amamos então devolva o colar de pérolas e VOCÊ NÃO PRECISA MAIS SER O BATMAN!!’

Mas Bruce iria parar de ser o Batman por causa disso? Não, ele não iria. Porque ele É o Batman. E uma vez que o catalizador… bem, catalizou, não há retorno

Para concluir e ilustrar o seu argumento, Lindelof usa uma cena da terceira temporada de Breaking Bad. Estamos falando do último episódio da terceira temporada, intitulado Half Measures. Na cena inicial, vemos um flashback onde Walter e Skyler vão visitar, com um agente imobiliário, a casa onde iriam morar por anos:

Então, aqui vai a tarefinha de vocês. Vão e assistam à essa cena. Ouçam a voz de Walter White quando ele franze a testa em relação a modéstia da casa que ele ainda não comprou. Olhem nos olhos de Walter White quando ele diz ‘Eu acho que essa casa não será o suficiente’. É ambição que vemos ali? Ou é algo diferente? E já que estamos falando dessa cena…

Vamos voltar um pouco. Vamos voltar para o início da cena. Os primeiros momentos do episódio. Silêncio. Com a câmera se afastando de um único pedaço de lenha apagada na lareira, nós encontramos o agente imobiliário, de pé na sala, fazendo anotações em seu bloco de notas, esperando por seus clientes em potencial.

E como nós sabemos que Walter White chegou ao local?

Ele é quem bate na porta

E você, caro leitor? Como você vê a jornada de Walter White? Você acredita que ele sempre teve desvios de personalidade, sempre foi mesquinho e ambicioso, e o câncer apenas retirou a trava social que ele tinha para se assumir assim, ou acredita que a doença mudou completamente o inocente e trabalhador professor de Química?


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