Awake – Primeiras Impressões

  Leandro de Barros  |    segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O NBC liberou na rede o piloto de Awake. Confira o que nós achamos do drama policial

O canal americano NBC liberou na internet o piloto do seu novo drama policial, Awake, estrelado por Jason Isaacs, o Lucio Malfoy da saga cinematográfica de Harry Potter.

Como não é surpresa para os leitores do Supernovo, nós estávamos muito ansiosos por saber como Awake seria apresentada aos espectadores. A premissa é fantástica e o potencial é enorme. Mas e a execução?

Vamos saber abaixo.

Acredito que vocês já devam saber a premissa da série. Em todo o caso, lá vai um pequeno resumo. Michael Britten, vivido por Jason Isaacs, é um detetive americano que sofre um acidente de carro com a sua família. Desde o acidente, Britten começa a alternar entre duas realidades: uma onde seu filho (Dylan Minnette) sobreviveu e a outra onde sua esposa (Laura Allen) sobreviveu. A transição entre as realidades funciona de forma simples: Britten vai deitar para dormir e, quando acorda, já está na outra realidade.

Em cada uma dessas realidades, o detetive possui um parceiro diferente e um psicólogo diferente. E é nesses três núcleos que funciona a história de Awake: Britten com sua família, trabalhando e resolvendo casos e conversando com os psicólogos.

Pelo que deu pra ver no piloto, a série vai trabalhar com o personagem não saber quando está sonhando ou quando está acordado. As primeiras explicações dadas pelos psicólogos é de que uma das realidades é, claro, falsa e se trata de um sonho. Basicamente, quando Britten vai dormir, seu cérebro emula essa outra realidade e é como se o sonho fosse real.

Ainda é cedo pra saber se essa postura será tomada durante toda a série. Para aqueles que esperavam uma pegada mais Fringe, realmente trabalhando com realidades alternativas “de verdade”, pode ser um balde de água fria. Embora, volto a repetir, ainda é cedo pra dizer. As duas realidades são apresentadas de modo muito convincente e quase que duelam entre si para saber qual é a falsa. Seja como for, espere por bons diálogos em breve trabalhando temas relacionados à percepção da realidade, sonhos, insanidade, dimensões paralelas e coisas do tipo. Quem gostar de acompanhar histórias embasadas em teorias científicas (ou pseudo-científicas), talvez (eu disse talvez!) ganhe o que procura durante 1/3 dos próximos episódios, enquanto o protagonista estiver com seus psicólogos.

O resto do episódio, e podemos presumir da série, vai trabalhar a relação de Britten com sua família e sua carreira. Sobre a parte policial, ela ficou meio negligenciada nesse piloto e pode vir a crescer nos próximos episódios. Aparentemente, cada realidade terá um caso distinto que devem apresentar, posteriormente, ligações entre si. Por exemplo, o mesmo bandido que matava taxistas em uma realidade, sequestrou uma garotinha na outra. Senti uma vibe meio Touch nessa parte.

Já a parte da relação familiar de Britten será a parte mais emocional da série. Já no piloto, somos apresentados à alguns fatos. Por exemplo, os dois psicólogos citam o fato de o exame de sangue efetuado em Britten após o acidente ter detectado presença de álcool no seu sangue, apesar da negativa do detetive. Eu senti que ele não era exatamente o pai e marido perfeitos antes do acidente e esas “segunda chance” com os universos paralelos deve dar ao detetive a chance de se tornar um pai e um marido melhores. E já fomos brindados com o plot emocional que vai guiar a série toda: Britten pode sobrecarregar o seu cérebro vivendo nas duas realidades, mesmo que uma delas (ou as duas, vai saber) seja falsa. Nas palavras do detetive, se o preço a pagar para ter uma chance com a sua família novamente seja a insanidade, então ele não tem intenção de fazer nenhum progresso no tratamento.

Em termos técnicos, eu achei Awake incrível. A questão da fotografia, trabalhando com cores quentes em uma realidade e com cores frias em outra, a gente já pôde perceber pelas promos e deve funcionar sempre assim. O roteiro também evita cair na complicação desnecessária por causa do tema. Eu temia que Awake fosse descambar para a complicação de roteiro com montagens que visam dificultar o entendimento da série por parte dos espectadores. Quer dizer, a série já não é muito atraente para o público médio americano e brasileiro, complicar tudo com metáforas, montagens confusas e simbolismos talvez não fosse a melhor idéia. O piloto mostrou que os roteiristas vão saber evitar essa armadilha e os espectadores devem acompanhar bem o que está acontecendo na tela.

Falta ainda falar do excelente elenco da série. Isaacs domina a série e sua presença na tela é incrível. Poucos atores conseguiriam manter nas costas um drama do naipe de Awake, mas o nosso amigo Malfoy não parece se incomodar com a tarefa. Tanto Hannah, a esposa de Britten vivida por Laura Allen, quanto Rex, o filho, não possuem tanto tempo de tela quanto Britten ou os psicólogos. Porém, quando o fazem, tentam garantir que esse tempo não é desperdiçado. Quem chama a atenção, na verdade, são os dois psicólogos, Dr. John Lee (BD Wong) e Dra. Judith Evans (Cherry Jones). As cenas deles com Isaacs são as melhores do episódio.

Por fim, mas não menos importante, a questão que não quer calar: afinal, qual das duas realidades é a verdadeira? Questão difícil. No piloto, nada foi dito que confirme ou que desminta qualquer das realidades. Pode ser qualquer uma. Porém, como a maioria de vocês, eu também já comecei a tecer minhas teorias e passo pelo óbvio: pode ser que nenhuma das duas seja real. Talvez Britten enlouqueceu depois do acidente, está em coma ou até mesmo morreu e está no limbo vivendo essas realidades porque sente que tem assuntos inacabados na Terra. Essa teoria até faz sentido, já que parece que não há uma resposta certa entre filho e esposa. Porém (sempre tem um porém), a série se mostrou muito criativa até aqui. Vai apelar para o óbvio justamente no seu mistério? Não sei.

Por enquanto, ficamos assim.

Notícias sobre Awake:

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