Review | Revolution 1×20: “The Dark Tower” Season Finale

João Paulo

  segunda-feira, 10 de junho de 2013

Review | Revolution 1×20: “The Dark Tower” Season Finale

Um game changer inesperado, interessante e que abre infinitas possibilidades para próxima temporada. Em meio a muita ação e algumas surpresas, Revolution encerra sua primeira temporada satisfatoriamente.

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Ótimo final, com certeza essa seria minha primeira palavra para descrever esse season finale de Revolution, gostei bastante e até me surpreendeu em certos momentos pelo caminho que a série resolveu tomar para sua segunda temporada, foi uma mudança que mexe na concepção do seriado como um todo, se para lado bom, só saberemos daqui a alguns meses, então por enquanto vamos analisar apenas o episódio e as revelações que o mesmo nos trouxe.

O episódio já inicia com a marca dos seriados de Erick Kripke, com uma montagem dos momentos importantes da temporada, assim como ele faz em Supernatural, dessa forma relembramos o quanto à série mudou ao longo desses vinte episódios, começou com simples conceito do apagão global e como sobreviveu a tal evento, desde então embarcamos em duas jornadas e aos poucos a mitologia sobre os mistérios do blackout foram entrando na narrativa, mas este mistério nunca foi o foco principal da série, talvez por isso a maioria das pessoas não tenha embarcado na ideia porque pensou exatamente que a série ficaria só focada no mistério da falta energia, mas a função Revolution tinha como principal plot explorar os aspectos do mundo após este grande evento e como seus personagens se encaixavam neste meio.

Antes de falarmos do evento que mudou a dinâmica a série, vamos falar sobre a conclusão de algumas histórias que ficaram em aberto no final do episódio anterior, começando pelo confronto entre Miles e Monroe. Esse embate estava sendo desenhado desde muito tempo, mas neste episódio ele ganha uma dimensão mais definitiva. Eu mesmo cogitei várias vezes que Monroe iria morrer pelas mãos do amigo, mas o que foi mostrado neste episódio foi algo completamente diferente e mesmo assim coerente com que já foi mostrado.

Os flashbacks de Miles e Monroe, com participação da Nora, foram esclarecedores mostrando que toda essa relação de amor e ódio, esse bromance entre os dois personagens era um laço de irmandade que ambos possuíam, por mais que o tio de Charlie sentisse ódio pelas atrocidades que Monroe fazia, fez e ainda continua fazendo, antes de tudo isso começar os dois eram amigos. A amizade foi à justificativa para Sebastian continuar vivo na trama, para que Miles o regastasse das mãos da milícia, porque depois de perder a republica Monroe para Neville, não sobrou muita história para ele, a não ser explorar uma espécie de redenção para o personagem que agora deve focar em achar seu filho perdido daqui prá frente.

Quanto a Miles, a história além de dar ênfase na amizade conturbada entre ele e Monroe, a narrativa ainda preparou um momento triste para seu personagem e o de sua sobrinha Charlie. A morte de Nora (R.I.P.) foi uma das coisas que mais senti neste episódio, não porque eu gosto da personagem, mas o fato de que poderiam ter explorado mais dela na próxima temporada, assim como a morte prematura de Danny, a morte dela talvez tenha sido precipitada, mas ainda assim a partida de um personagem significa mais desenvolvimento para os que ficaram e mais conflitos a serem trabalhados no futuro. Como a morte de Maggie no começo da série serviu para o amadurecimento de Charlie, a morte de Nora promete refletir bastante na relação Miles, na de sua sobrinha e Rachel, que neste episódio irritou bastante com suas decisões.

A cientista que deveria ser um dos personagens mais interessante da série está começando a ser um dos mais odiados, não só pela sua forma de agir, mas também pela sua atitude em relação à Nora, preferindo continuar seu plano de religar a energia do que ajudar a amiga de Miles. A conversa entre ela e Charlie foi um dos pontos altos do episódio, a atuação de Tracy, aliás, me agradou bastante nessa cena, o modo como ela mostra força ao tentar convencer a mãe a desistir da vingança pela morte de Danny foi um dos pontos altos da atriz na série, ainda assim Rachel estava obcecada em realizar seus próprios interesses e isto pode ter custado sua relação com a filha.

Outros pontos interessantes do episódio foram à invasão de Neville (agora líder da milícia) à Torre; ele cara-a-cara com Monroe, mostrando o que é ser um líder de verdade e ainda participando de um tiroteio no final para impedir que Rachel Matheson completasse seu plano. Quanto aos guardiões da Torre, esses foram eliminados tão rápido, que muito me espanta esse grupo ter conseguido proteger a mesma por tanto tempo.

Ainda que roteiro do episódio ainda tenha seus furos (como Neville explodindo o portão de entrada da Torre com facilidade ou quando Aaron e Rachel ligam a energia e nenhuma usina hidrelétrica é mostrada entrando em funcionamento, nem tudo é perfeito afinal é uma série de ficção), na medida do possível a história consegue ser plausível dentro do seu contexto, como a utilidade de Aaron dentro do episódio, o código que ele desenvolveu e que tornou ele famoso foi vendido ao departamento de defesa e usado para fazer todo o sistema operacional da Torre, justificativa usada para que ele e Rachel sejam capazes de por um fim ao blackout.

Tecnicamente “The Dark Tower” tem seus méritos, a direção de Charles Beeson (Fringe, Person of Interest, Supernatural) deu um bom ritmo ao episódio e conseguiu dar equilíbrio nas cenas de ação encontra partida com as cenas com diálogos, alguns personagens não tiveram espaço na trama (Jason, você está ai?) é verdade, mas em compensação os principais tiveram tem suficiente de tela para se destacarem. O roteiro é mais feliz quando tenta surpreender, essa surpresa vem perto do fim nos últimos minutos e com personagem de Randall Flynn.

O clímax vale o episódio inteiro e como eu disse antes consegue mudar radicalmente a concepção da série. Quando a energia global começa a ser estabelecida pelo mundo a fora, vemos uma breve sequência da energia sendo religada no planeta, mas principalmente nas republicas remanescentes do que um dia fora os EUA, cenas de Priscila ex-esposa de Aaron é mostrada no Texas, cena da mulher do Neville na Federação da Geórgia e também da presidente Foster que logo viu a eletricidade de volta, mandou suas tropas avançarem para Filadélfia. O maior, porém aqui é Randall que ao perceber que o plano de reestabelecer a energia tinha dado certo, aproveitou a oportunidade para colocar seu plano em prática, toda sequência dele ligando os mísseis de longo alcance e colocando na mira Filadélfia e Atlanta, foi eletrizante e bombástica.

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Ainda mais surpreendente do que seu discurso patriótico do ex-chefe de Rachel, foi à revelação que se seguiu depois disso. Dentro de uma sala ouvimos um homem dizer que o plano de Randall tinha dado certo e que agora eles poderiam voltar para casa, sim senhora e senhores o presidente dos EUA estava vivo e ainda se refugiando na baía de Guantánamo em Cuba. É quase como que se as preces de todos os rebeldes que lutaram contra Monroe tivessem sido atendidas, mas com certeza isso significa uma coisa, o presidente será o vilão da próxima temporada, porque com certeza as outras repúblicas não vão querer voltar ao que um dia foi os EUA, mais uma vez a série faz jus ao nome “Revolution”, e mais uma está preste a começar.

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Enfim essa primeira temporada de Revolution não foi perfeita, cheia de altos e baixos, alguns defeitos que até incomodaram um pouco, mas a série está longe de ser ruim. Seu maior mérito foi explorar suas boas cenas de ação e a jornada de seus personagens. Na primeira metade da temporada a jornada para resgatar Danny serviu para que conhecêssemos melhor aquele universo da série, um pouco da sua mitologia e conflitos de uma terra sem eletricidade. A segunda jornada foi em busca da “Torre”, a mitologia da série foi expandida e a narrativa ficou um pouco mais acelerada, novas republicas foram introduzidas na narrativa e guerra eclodiu entre Miles, Federação da Geórgia e rebeldes contra a milícia liderada por Monroe. O mistério a cerca da “Torre” carregou a narrativa, mas no final foi responsável mudar a dinâmica da série.

“The Dark Tower” deixou várias possibilidades em aberto e uma promessa de uma nova temporada mais consistente para a série. A cena final abriu a porta para algo novo, será que Filadélfia e a Atlanta realmente serão destruídas pelo “nukes”? E pior qual será a real consequência de reestabelecer a eletricidade global? Afinal Grace foi bem incisiva ao dizer que os nanobots poderiam apresentar mau funcionamento e que isso poderia ter consequências graves porque eles estão espalhados pelo ar. Essas muitas outras perguntas só serão respondidas mais prá frente, sendo assim pode-se dizer que o season finale cumpriu bem seu papel em deixar os fãs com gostinho de quero mais, agora o que nos resta é esperar para vermos que caminho a série irá trilhar em seu novo ano.

 

Observações da Revolução:

“Can’t Find My Way Home” – Blind Faith – A música da montagem inicial casou bem com estilo da série, assim como a música usada em Supernatural, essa deve ser usada em todos os season finales da série daqui em diante.

The Dark Tower: Referência direta a obra de Stephen King. “A Torre Negra” é uma história que mistura ficção científica, fantasia, faroeste e terror, o enredo conta a história de um pistoleiro e sua busca por uma torre, cuja natureza é tanto física como metafórica. A série demorou trinta e três anos para ser concluída.

Aaron∕Grace: gostei muito da interação dos dois, espero que Grace esteja mais presente na próxima temporada e que dois possam junto com Rachel render mais por suas habilidades como cientistas e programadores. Grace pouco fez no episódio, mas a cena dela com Neville foi bem inesperada, sendo que os dois se encontraram uma vez e foi no piloto da série.

Neville: O novo general da milícia teve alguns momentos no season finale e um deles foi à cena com seu filho Jason que se mostra cada vez mais aliado do pai, mas agora resta saber o que ele fará depois que descobrir que sua mulher pode estar morta graças às consequências dos mísseis disparados por Randall.

Nora: a morte dela pode até ter sido esperada, mas com certeza a personagem deixará saudade, não só Miles que sentiu, muitos fãs também sentiram a morte dela. Espero que a personagem possa aparecer em flashback ou a irmã dela volte a dar as caras na segunda temporada.

As primeiras consequências: Talvez a cientista realmente esteja certa, porque tem uma cena em que Monroe está em um campo aberto e raios começam a cair ininterruptamente não parecendo ser um evento particularmente natural, resta saber se este evento pode ser a primeira consequência da mudança da nossa atmosfera como consequência do poder desencadeado pelas ações de Aaron e Rachel.

– Obrigado por lerem a review galera e até a próxima temporada, com muito mais aventura, ação e mistérios. Revolution volta em setembro.


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