Review | Revolution 1×18: “Clue”

João Paulo

  sábado, 25 de maio de 2013

Review | Revolution 1×18: “Clue”

Um traidor infiltrado dentro do grupo liderado por Miles e Neville, a tortura mais longa da história das séries (“Pobre Nora”) e finalmente conhecemos a entrada da misteriosa “Torre”.

revolution 1x18 02

Devo dizer que este episódio não foi tão bom quanto anterior, a urgência narrativa e objetiva de “The Longest Day”, não se aplica ao episódio “Clue” que prefere utilizar uma trama mais clichê para se desenvolver e acaba pecando por ter um resultado um pouco previsível, se salvando apenas por alguns bons momentos incluindo a ótima sequência final que fecha o episódio.

A trama do episódio começa exatamente após a captura de Nora pela milícia. Toda a montagem inicial com a cena de tortura da personagem só exagera na quantidade de tempo em que ela é torturada, vinte um dias para arrancar a verdade da namoradinha de Miles é muito tempo, acho que foi mais um artifício do roteiro para ter uma passagem de tempo na história.

Falando na personagem eu disse na review anterior que ela merecia uma participação maior em Revolution, mas pensei que Nora teria uma história melhor, mesmo assim foi bom vê-la tendo espaço na trama. Se as cenas de tortura foram mais ou menos, as partes em que usam sua instabilidade mental para causar desconfiança no grupo durante um conflito que é centro do episódio foram boas, outro destaque também vai para o relacionamento dela com Miles bem melhor trabalho aqui do que nos episódios anteriores.

Sobre a história do episódio o foco da narrativa foi em cima do traidor infiltrado no grupo de Miles, homem ou mulher esse indivíduo não só foi responsável por revelar informações da localização do acampamento que levou ao ataque devastador dos drones no episódio anterior, mas também foi à pessoa que sabotou o helicóptero que levaria Miles e outros até “a Torre”. A construção de todas as evidências que apontariam os principais suspeitos ficou bem feita, ao menos isso não se pode negar, como por exemplo: o encontro estranho que Jason teve com miliciano em Atlanta, despertando a desconfiança de Charlie; ou Nora ainda se recuperando do coquetel de drogas apresentando falha de memória, alucinação e comportamento agressivo; o cientista John Sandborn (retornando a trama) que tirou a amiga de Miles do cativeiro, mas ainda não era uma pessoa confiável, por ter traído Rachel e o tio de Charlie antes, sendo assim também estava na lista de suspeitos; e por fim Jim, o amigo de Miles que passou um tempo sumido da trama, mas que aqui volta apresentando certa insatisfação e algumas ações suspeitas.

Apesar de o roteiro fazer o possível para esconder quem é o real traidor até o final, quando a revelação vem acaba soando um pouco óbvia demais. Durante todo tempo o personagem está lá espreitando, as mortes do piloto do helicóptero e do comandante Ramsay cometidas por ele serviram como distração, mas no final estava mais do que claro que Jim era o culpado. Veja bem, Jason não seria porque por mais que seu caráter no episódio mostre o contrário, sua cara de bom moço e todas suas boas ações para proteger Charlie durante os episódios anteriores apontam o personagem como mocinho da série, apesar de a própria “namorada” desconfiar dele, o filho de Neville prova seu valor ao matar Jim e salvar Miles. John Sandborn seria minha principal escolha como traidor, mas não seria possível que ele fosse realmente porque tinha chegado a pouco no grupo e não teria como ele saber informações sobre Miles para avisar Monroe da localização de acampamento de coalizão. Nora talvez seja a suspeita que chegou mais perto de ser culpada, ela tinha todas as informações e foi torturada por vários dias, e como a personagem mesma afirmou tinha revelado a Monroe tudo que sabia inclusive sobre Rachel e sua busca pela “Torre”, mas a única coisa que não encaixava é que ela também estava presente durante o ataque dos drones então não fazia sentido sua traição, além disso, Miles sabe que sua amada jamais faria algo desse tipo com ele.

Sendo assim todas as suspeitas apontaram para Jim Hudson, insatisfeito desde que Miles o recrutou contra a sua vontade para lutar contra Monroe, perdeu sua grande paixão e ainda a vida pacata que levava, esses foram motivos suficientes para trair seu velho “amigo”, além disso, tudo se agravou quando ele soube que sua mulher estava nas mãos da milícia. O fato é que essa trama serviu mesmo para se livrar de personagens que não tinham muita relevância, das nove pessoas que saíram na missão de salvar Rachel e Aaron, apenas cinco restaram: Miles, Nora, Neville, Jason e Charlie.

Outro fator positivo de “Clue” vem de sua narrativa que não só foi construída para expor o traidor entre os rebeldes, mas também para começar a unir as tramas em prol de um objetivo comum. O roteiro ganha pontos por conseguir colocar a trama da “Torre” em meio à guerra da milícia de Monroe contra Miles, presidente Foster e seus soldados, de forma potencializar ainda mais as expectativas para revelação dos mistérios que cercam o local. Por falar nisso após Nora revelar para Monroe a existência da instalação, quem entrou na reta foi Randall que jogou de forma errada, agora Bass voltando à verdadeira característica de vilão, não só coloca o chefe de Rachel em seu lugar como também monta todo um contingente para impedir a cientista de atingir seu objetivo. Podemos então com isto vislumbrar primeira vez a entrada da “Torre” no estado do Colorado dentro do território da Nação das Planícies. Quanto a Rachel e a Aaron, os dois finalmente chegaram ao lugar, mas encontrar a milícia de Monroe montando guarda era um problema que não esperavam.

A narrativa nesta parte usa como desculpa a motivação de vingança de Rachel matar Monroe com a intenção que a personagem tome uma iniciativa desesperada, ainda mais com seu inimigo a poucos metros de distância. Acho absurdo ela querer que Aaron entre na “Torre” e ligue a energia, sozinho, sendo que a peça chave para que isso aconteça é a própria cientista, talvez essa seja incoerência na história dela que mais incomode no final disso tudo, mesmo assim o momento mais tenso do episódio vem exatamente dela já no clímax, disfarçada de miliciana para entrar na barraca com apenas uma granada e dar uma de “mulher bomba” surpreendeu até Monroe, sem falar que o corte de cena deixou um gostinho de quero mais daqueles.

Assim chegamos ao ponto decisivo da série, a cena final foi só um estopim do que estar por vir na série, os mistérios da “Torre” começaram a ser revelados já no próximo episódio, mas as perguntas deixadas por “Clue” (que significa “pista” em inglês) que apesar de seus pequenos deslizes teve como objetivo pavimentar o caminho para grandes resoluções que estão por vir. As perguntas são inúmeras, o que tem dentro da “Torre”? O que Randall sugeriu ao dizer que a mais no lugar do que apenas o poder de ligar a eletricidade? Junte isso ao fato de ainda não sabermos o papel de Aaron nessa trama do blackout e o conflito decisivo entre Miles e Monroe, que ganhou mais um agravante com a tortura de Nora neste episódio; pronto, estamos preparados para os dois últimos episódios Revolution que prometem fortes emoções.

Observações da Revolução:

Federação da Geórgia: Interessante ver que Miles e Jim estavam esperando que o plano de Rachel desse certo, tanto que já tinha hummers e tanques sendo preparados para o ataque assim que a energia fosse ligada.

Nora, Miles e Bass: Gostaria muito de ver flashbacks de Nora na época em que ela era caçadora de recompensa, quando Monroe citou isso na conversa parecia um lado interessante de se explorar da personagem.

Outros 2.0: Afinal quem eram aqueles indivíduos que observavam Randall e Monroe pelo monitor dentro da “Torre”? “I have no clue who this guys are” (eu tinha que fazer a piada né, traduza e vê senão é bom trocadilho com título). Essas pessoas lembram muito os outros de Lost.

revolution 1x18

 – Clue: O título faz menção ao jogo de mesa mesmo nome criado por Anthony E. Pratt em 1949 para entreter crianças na Inglaterra. A estratégia do jogo é mover o objeto pela mesa de forma descobrir que matou senhor Black na mansão. Existe um filme de comédia de 1985 que é baseado no jogo, o longa foi dirigido por Jonathan Lynn e estrelado por Tim Curry. No Brasil o jogo ficou conhecido como “Detetive”.

Teorias Revolucionárias: Saiu à notícia de que as filmagens de Revolution vão se mudar para da Carolina do Norte para o Texas, e como o estado é citado em vários episódios da série, já não se tem mais dúvidas de que a próxima temporada a república texana fará parte da trama principal.

– No próximo episódio finalmente entraremos na “Torre” e as coisas parecem que vão ficar tensas, veja a promo.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários