Review | Revolution 1×16: “Love Boat”

João Paulo

  segunda-feira, 13 de maio de 2013

Review | Revolution 1×16: “Love Boat”

Miles e companhia tentam conviver com a presença de um de seus maiores inimigos. Enquanto isso as coisas ficam perigosas para Rachel e Aaron

revolution 1x16

A ironia de “Love Boat” já começa no título, mas com certeza vai, além disso, ao explorar uma aliança inesperada formada por Miles e seu grupo, com recém-apossado major Neville, que agora mudou de lado na guerra oferecendo seus serviços para Federação da Geórgia. Ainda neste episódio temos Rachel e Aaron continuando sua viagem dentro do território hostil da Nação das planícies e ainda uma revelação a mais para aquecer a mitologia da série.

Comecemos então pela trama principal que ao contrário dos dois últimos episódios focados em personagens específicos, aqui a narrativa tem uma abordagem diferente, preferindo dar atenção aos acontecimentos no presente sem a necessidade de flashbacks centrados em uma só pessoa. A história em si é consequência direta da cena que fecha o episódio anterior com Neville entrando no gabinete da presidente Foster e pronto para voltar à ativa.

Este episódio então trata diretamente o problema, major Neville é enviado para encontrar Miles e com isso realizarem uma missão especial. No começo a narrativa usa o velho recurso de contar a história no presente e retornando dias antes para mostrar como desenrolou todo o acontecimento para sequestrar o cientista especialista em desenvolver vírus Antraz, das instalações de Monroe.

Falando no general, ele apareceu em apenas em uma cena, mas o suficiente para ameaçar Randall (finalmente retornando a narrativa), que começa questionar os métodos radicais dele para resolver a situação com rebeldes e principalmente Miles. É fato que Monroe não deve durar muito, como eu afirmei em reviews anteriores o personagem se perde em um caldeirão de emoções e não consegue tomar decisões racionalmente, algo que muitos a sua volta começam a perceber, não se sabe até quando Randall vai conseguir aguentar tudo isso calado, mas com certeza tomara alguma atitude em breve.

O roteiro do episódio levanta o questionamento sobre como se portar em uma guerra, se a narrativa não é suficientemente bem construída, pelo menos ela é eficaz em deixar seu recado, assim o grande dilema de “Love Boat” é demonstrado através da relação Charlie e Miles, intensificada pela presença de Neville e pelas atitudes do mesmo durante a missão para capturar o cientista.

A trama situa em sua maior parte no barco que os personagens usam para trafegar em águas milicianas até o local da ação, essa limitação de espaço contribui para tornar as coisas ainda mais espinhosas, Neville e Jason, por exemplo, tentam um tipo de trégua, mas o filho de Neville não quer saber de ter contato com pai, já Nora e Charlie estão descontentes por Miles aceitar trabalhar com o major depois de tudo que ele fez ao grupo no passado, sendo que esses conflitos pioram ainda mais depois que sequestram o doutor Ethan Camp e sua família.

Após descobrir os reais planos de Neville e Foster para usar o doutor para construir sua própria bomba de Antraz fica claro que a Geórgia está disposta aos mesmos métodos que a republica Monroe para vencer a guerra. Uma visão que Charlie, Nora e Jason não compartilham, mas Miles devido aos recentes acontecimentos como a rixa com Monroe e a perda de Emma, aceitou usar qualquer método disponível para vencer a guerra.

Aqui o roteiro dá um espaço para o personagem ter mais um bom desenvolvimento, no episódio quartoze, ele tomou a decisão certa ao destruir a arma nuclear e impedir que a Geórgia usa-se ela em benefício próprio, mas desde aquela ocasião Miles perdeu um amigo (Alec), uma ex-namorada (Emma), tudo devido às absurdas táticas de Monroe, neste episódio ele retorna com ideia de que tem que voltar a ser o general cruel de antes e usar as mesmas armas que Monroe está usando para vencer o conflito.

Pode parecer um pouco repetitivo, mas como eu disse o maior ganho aqui é a relação entre Charlie e Miles, o diálogo entre dois com certeza foi um dos pontos altos do episódio, atuação na medida de Tracy Spiridakos (mostrando crescimento como atriz) e Billy Burke contribuíram para tal feito. Dessa forma Miles acaba entrando em um dilema, enquanto isso Charlie já tem um plano em movimento tendo suporte de Jason e Nora para libertar o doutor e sua família e frustar os planos de Neville.

De toda essa história o ponto positivo foi que Miles devido às circunstâncias e até mesmo pelos métodos abusivos de Neville, tomou consciência e acabou ajudando sua sobrinha no motim e ainda a libertar o doutor, sendo agraciado depois na volta do acampamento com presença de Nora em seu quarto para fazer as pazes (se é que vocês me entendem) devido às discordâncias de outrora.

O episódio “Love Boat” não foi apenas marcado por conflitos internos entre Miles, Neville e companhia, do outro lado da narrativa Rachel e Aaron também encontraram dificuldades pelo caminho. Tivemos aqui uma visão melhor da Nação das Planícies, os cidadãos lá vivem mais em comunidades, ou melhor, dizendo tribos, ao contrário da Federação da Geórgia e da Republica Monroe que possuem mais recursos financeiros, esse país é bem mais pobre e isso se reflete nos hábitos de seu povo. Rachel e Aaron aprendem do pior jeito quando tentam roubar comida das Terras Tribais de Thompson. A cientista acaba se machucando no meio do caminho e os dois acabam encurralados pelos nativos que os perseguiam, sorte que ao contrário do que Rachel queria, Aaron mostrou ter um bom coração e não a abandonou naquela situação, provando mais uma vez ser uma pessoa de confiança.

Nesta parte da história a trama do blackout desenvolve pouco, como no episódio anterior, mas em compensação o desenvolvimento do relacionamento da mãe de Charlie com “mago da Google” progrediu bastante, abrindo espaço para mais confidências entre os dois, principalmente da parte dela. Todas as relutâncias de Rachel em guardar segredos e manter Aaron afastado de tudo que ela fazia para desvendar as anotações de Jane para chegar à Torre não adiantaram de nada, acontece que o amigo de Ben Matheson é mais necessário do que ela imaginava.

Por muito tempo fiquei batendo na tecla de que Aaron era importante para a série, agora finalmente o fato foi confirmado por uma notícia de jornal antiga com uma foto dele no topo da matéria, encontrado dentro do livro que Rachel tentava decifrar. A mensagem da matéria apenas diz que ele desenvolveu um software inovador, acredito que provavelmente deve fazer parte do sistema de proteção desenvolvido para proteger a Torre, e por que eu acho isso? Porque na cena seguinte mostrou que Grace (retornando a trama) conseguiu consertar o elevador que dá acesso à parte interna da instalação, com certeza o corte para essa parte da narrativa que se desenvolve dentro da instalação foi proposital. Aliás, que cena arrepiante foi aquela em que o guarda tenta descer no elevador até o nível 12, mas acaba chegando apenas na metade do caminho. Não sei que criatura o matou, mas pela cara que a Grace fez deve ser um bicho assustador, espera-se que não demorem a mostrar o que aconteceu nessa cena no próximo episódio.

Sendo assim chegamos à conclusão de que “Love Boat” foi um ótimo episódio que tem na sua maior qualidade o bom ritmo empregado no desenvolvimento de suas histórias, sem falar que ele foi muito importante para injetar novidades na mitologia no blackout, e ainda serviu para vermos Miles e Neville batendo de frente, foi interessante vê-los trabalhando juntos, os diálogos entre os dois são sempre bons de assistir, mas fica claro que mesmo que com a trégua parcial é fato que ambos continuam se odiando, afinal Neville matou Ben Matheson, ainda assim enquanto essa aliança durar acredito que possa render bons momentos para a série. Quanto a Rachel e Aaron, ela terá que mostrar mais confiança nele, essa descoberta em meio às anotações pode ser a única chance de entrarem na Torre, que agora como descobrimos guarda mais mistérios do que se imagina então toda ajuda será necessária para que possam concluir essa jornada para religar a energia global.

Observações da Revolução:

Love Boat: É o nome de um sitcom de 1970-1980 que trata situações românticas em cruzeiro.

Milicia: Ainda na travessia pelo rio Miles, Neville e os outros ainda tiveram passar por uma inspeção da Milicia e enfrentá-los mais tarde perto do final do episódio resultando em boas cenas de suspense e ação.

Violência Exacerbada: Não sei vocês, mas achei esse episódio com um grau de violência fora do comum, Miles autorizando pelotão de fuzilamento contra um comandante da milícia, Miles e Nora cortando gargantas alheias durante sequestro do cientista e Neville batendo em Charlie e Jason (acho esses nem tanto), sem falar no tiroteio final com várias baixas.

– No próximo episódio revelações e um ataque surpresa coloca Charlie e Jason em perigo, veja promo abaixo.


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