Review | Revolution 1×14: “The Night the Lights Went Out In Georgia”

João Paulo

  quarta-feira, 01 de maio de 2013

Review | Revolution 1×14: “The Night the Lights Went Out In Georgia”

Uma difícil jornada de redenção para personagem Miles Matheson. E ainda Revolution sai das fronteiras da republica Monroe e chega a Federação da Georgia

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Depois de um hiatus não planejado semana passada, devido aos terríveis eventos na maratona de Boston, Revolution volta esta semana com mais um bom episódio, mantendo o ritmo acelerado da segunda metade da temporada.  Dessa forma a série toma um rumo diferente aproveitando o gancho deixado no episódio anterior com ameaça nuclear, para explorar novos territórios dessa terra pós-blackout.

Eu mesmo disse nas minhas reviews anteriores que adoraria ver as outras republicas sendo exploradas e englobadas na narrativa da série, demorou um pouquinho, mas o dia finalmente chegou e a primeira a ganhar atenção como título já sugeria seria a Federação da Geórgia. A história não aborda só na introdução dessa nova republica, ainda temos aqui um desenvolvimento do personagem Miles Matheson e também mais revelações sobre as causas do apagão global.

A história como citei anteriormente começa logo após a fuga do major Neville da republica Monroe e da descoberta da maleta com a bomba nuclear pelos rebeldes. Os espiões de Miles descobriram a informação de que Monroe pretendia usar a tal arma para forçar uma rendição da Federação da Geórgia. Dessa forma ele, Charlie e Nora partem para em uma jornada para impedir que a milícia tenha êxito no seu plano.

O roteiro dá espaço para trabalhar mais a história do tio de Charlie, dessa forma essa trama com arma nuclear serve de pretexto para trazer um antigo aliado de Miles desde os tempos dele na republica Monroe que volta para atormentar o personagem. O episódio é feliz em criar esse paralelo entre o general aliado de Monroe, visto em flashbacks e o Miles do presente tentando se redimir por todo mal que ele causou no passado. A figura de Alec vem para mostrar que por mais que o ex-general tente, jamais conseguirá apagar as atrocidades cometidas no passado, ele mesmo chega a essa conclusão no final do episódio em uma conversa tensa com Charlie e também acredita que todos a sua volta acabam se machucando.

A Federação da Geórgia serviu como plano de fundo para perseguição de Miles e companhia atrás de seu velho amigo, aliás, o primeiro encontro desses velhos aliados resultou numa luta de espadas muito bem coreografada e com realismo de dar gosto. Outro ponto positivo do roteiro aqui é saber criar de forma plausível as motivações de Alec para explodir a capital da Geórgia, Atlanta. A traição de Miles no passado entregando seu “amigo” depois de uma missão para assassinar o comandante do Texas falhar, reflete no presente como fator decisivo para Alec confrontá-lo e ainda colocar a semente da dúvida na cabeça da Charlie.

Nesse meio tempo vamos conhecendo um pouco do ambiente que os cerca. A Federação da Geórgia causa um impacto visual principalmente para Charlie, aliás, ela serve como os olhos do espectador no episódio. Nota-se que esta republica é completamente diferente da republica Monroe, primeiro no aspecto financeiro, a Geórgia tem muito grana e forte aliados políticos como a Inglaterra, militarmente ela também se destaca com um contingente considerável de soldados, a capital Atlanta é o mais perto que chegamos até agora de uma estrutura que lembra uma grande metrópole pós-blackout, outra característica que vale destacar é que ao contrário do regime ditatorial de Sebastian Monroe, aqui parece que sistema é um pouco diferente na republica governada pela presidente Foster.

Falando nela devo dizer que adorei a adição da atriz Leslie Hope (24 Horas, The River) no elenco da série, sua presidente parece ser uma mulher forte que não se abala nem mesmo com uma ameaça nuclear batendo a sua porta. Ao que parece ela também como praticamente todas as mulheres da série tem um passado com Miles, não sei vocês, mas quero saber qual é o segredo desse cara, pegou Rachel, Nora, Kelly Foster, todas essas caíram na lábia do cara, se a Maggie estivesse viva ele iria passar o rodo também, resta saber se tem mais alguma gata caindo nessa conversa mole dele.

Ainda na área de participações especiais tivemos Kate Burton (Scandal, Grey’s Anatomy) no papel da misteriosa Jane Warren que já entrou sendo responsável por salvar Rachel e Aaron de dois milicianos mal intencionados em uma das cenas mais “creepy” da série até agora, ainda tenho dúvidas se o dispositivo que ela estava usando tinha alguma coisa a ver com nanobots presentes no ar, mas tudo indica que sim porque os milicianos começaram a entrar em combustão sem nenhum produto químico por perto.

Essa parte da trama que envolve a mitologia do blackout continua surpreendo por trazer respostas ainda mais empolgantes. Enquanto lá do outro lado a guerra entre republicas está preste a estourar, aqui Rachel e Aaron continuam sua jornada para encontrar a misteriosa “Torre”, mas para chegar lá eles vão atrás dessa antiga aliada da cientista para descobrir o local exato do lugar que procuram. A história aqui só peca por não revelar muito do passado de Jane, não temos certeza se ela foi uma das responsáveis por construir “a Torre”, mas o que tudo indica ela era uma das cientistas do projeto que levou ao blackout.

O que mais chamou atenção foi à resposta que a personagem trouxe na conversa com Rachel. Durante o episódio “The Stand”, Rachel retirou uma cápsula metálica do corpo de Danny, e nesta mesma história tivemos um flashback no momento que Rachel e Ben Matheson autorizam a cirurgia para salvar a vida do garoto. Aqui no episódio “The Night the Lights Went Out In Georgia” descobriu-se que os nanobots responsáveis por absorver qualquer forma de energia no ambiente tem outra função além dessa, elas atuam no corpo humano também, seja qual for a doença de Danny os micro-organismos cibernéticos estavam mantendo o garoto vivo, assim como a companheira de Jane, Beth vivida pela atriz Avis-Marie Barnes (Treme) que sofria de câncer, no caso dela os nanobots estava matando as células cancerígenas em seu corpo.

Duas reviews atrás eu tinha levantado essa hipótese e posso dizer que essa resposta me deixou bastante satisfeito, resta saber se mais gente se mantém vivo por causa dos organismos ou se o procedimento só é válido para quem fez algum tipo de programação nos nanobots que atuam dentro do corpo humano. A relutância de Jane em não querer que a “Torre” seja desligada faz muito sentido porque a vida de sua companheira estaria em risco, e devo dizer que seria um questionamento que renderia bastante se o personagem de Danny estivesse vivo, o que torna a morte dele no passado ainda mais precipitado, gostaria de ver as discussões que o assunto iria trazer para Charlie, Miles e outros.

No auge do episódio a própria Beth convence Jane dar à informação que Rachel queria para chegar a até “a Torre”, o roteiro cai no clichê aqui, mas nada que comprometa a narrativa em si, por mais que Jane quisesse acabou que sua parceira tomou a decisão certa naquele momento. Do outro lado da história Miles e Alec chegam ao confronto final, por mais que soubéssemos como o embate terminaria o impacto que a morte do miliciano teve em Miles foi grande. Sem falar que essa história de ameaça nuclear só mostra que Monroe é um péssimo estrategista, porque por mais que Alec tivesse motivação para cumprir a missão, seu passado com Miles com certeza iria atrapalhá-lo a cumprir a tarefa, dessa forma Sebastian não só perdeu a chance de derrubar a Federação da Geórgia como também pode ter assinado sua sentença de morte.

Dessa forma podemos concluir que “The Night the Lights Went Out In Georgia” é feliz em expandir a mitologia da série e seu universo, a guerra contra á Republica Monroe toma um rumo inesperado e toda essa tentativa frustrada de derrubar a Federação da Geórgia serviu apenas para atiçar os nervos da Presidente Foster, que agora aposta suas fichas em Miles. O tio de Charlie ganha um exército de duzentos soldados georgianos e juntando ao pequeno contingente que já estava montando na base rebelde, ele agora tem a oportunidade de invadir a republica Monroe com apoio de uma republica realmente forte. Ainda que esse episódio tenha mostrado um passado mais sombrio de Miles, talvez agora ele tenha uma oportunidade de se redimir das atrocidades que cometeu antes, e volto a afirmar que Charlie ainda terá um papel importante nessa história, ajudando nessa lenta trajetória do tio rumo á redenção.

Observações da Revolução:

– WTF?: Fiquei impressionado com cena da combustão com os dois soldados da milícia, mais ainda com esse dispositivo estranho usado por Jane (foto abaixo);

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Bad Miles: Alec disse a Charlie que Miles fez algo horrível com Rachel, mas o que será que tio dela fez de tão grave? Mais uma pergunta que não quer calar.

Aaron∕Nora: Eles cresceram bastante na primeira metade da temporada como personagens, mas nessa segunda metade atuaram apenas como coadjuvantes, já está na hora do roteiro dar atenção para os dois na história.

Revolução Industrial ás Avessas: A Federação da Geórgia apresentou algumas peculiaridades, uma delas foi o ônibus movido a vapor, o que me lembra muito a Idade Moderna e começo da Revolução Industrial, é Revolution mostrando o mundo pós-blackout voltando a velhos hábitos.

“The Night the Lights Went Out In Georgia”: O título que dá nome ao episódio é o mesmo título de uma famosa música do sul dos EUA escrita por Bobby Russell, e já foi cantada por diversas cantoras country, uma delas Reba McEntire.

Ausências: Senti falta dos personagens Randall Flynn e Neville, ainda que segundo tenha sido citado por Monroe no começo, o primeiro que estava ligado à narrativa da bomba nuclear nem ao menos foi lembrado pelo roteiro, foi uma bola fora que os roteiristas tem que ficar atento.

Maggie: Quando a presidente Foster disse a Miles que tinha negócios com a Inglaterra me fez recorda da personagem, no final das contas a ex-companheira de Ben Matheson poderia ter conseguido voltar prá casa e reencontrar os filhos se tivesse chegado a Geórgia, o que torna o fim da personagem ainda mais triste.

Texas: Mais uma vez ouvimos citações da republica sulista, Miles entregou Alec sem pestanejar porque eles não queriam entrar em conflito com texanos, estou ansioso para saber mais sobre eles.

– Próximo episódio, o segundo confronto entre Miles e Monroe promete forte emoções, veja a promo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Z-S_9qc3pAs


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