Review | Revolution 1×10: “Nobody Fault But Mine”

João Paulo

  quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Review | Revolution 1×10: “Nobody Fault But Mine”

Reunião da família Matheson, encontro entre Miles e Monroe, assim continua a primeira temporada de Revolution

E chegamos ao momento crucial da série, a família Matheson finalmente se reúne sementes são plantadas e a ação é de tirar o fôlego tudo para fechar positivamente a primeira parte da temporada.

Finalmente chegamos ao divisor de água da temporada, aquele momento que arco principal é fechado e outro novo é formado no lugar. Revolution começou como uma simples série de aventura e ação, salpicada de mistérios, em dez episódios podemos perceber que o seriado vai, além disso, apoiado nos conflitos familiares e nas consequências de um grande evento que assolou a humanidade aos poucos a série vai ganhando sua própria identidade.

“Nobody Fault But Mine” vem para finalizar o arco do resgate de Danny e ainda tem tempo para explorar um pouco o conflito entre Miles e Monroe. O episódio no geral foi ótimo e trouxe bons momentos apesar de algumas pequenas falhas, o roteiro foi feliz em criar tensão e intercalar diálogos consistentes com cenas de ação muito bem executadas, trouxe de volta personagens da milícia que foram apresentados nos episódios anteriores como Strausser e Jeremy Baker, mas acima de tudo o ritmo empregado deu uma dinâmica acertada durante todos os quarenta e dois minutos, nunca parecendo lento ou atropelado.

Antes de falar sobre o conflito principal entre Miles e Monroe, vamos falar um pouco sobre o resgate frustrado de Danny. É claro que Miles deveria ter percebido que não seria fácil regastar o garoto tendo toda a cidade da Philadelphia infestado por soldados da milícia, mais sensato ainda era perceber que ele seria traído pelo único contato que tinha na cidade, afinal ninguém escapa da vigilância implacável de Neville.

Falando no Major, ele teve poucos momentos no episódio, mas mesmo assim conseguiu se destacar, é importante salientar como Giancarlo Esposito mesmo com pouco material conseguiu construir um vilão tenebroso que tem apenas como falha o amor incondicional pela esposa. Após Nora, Charlie e Aaron serem capturados, Miles invade a casa de Neville e pega Julia como refém, a cena é memorável, os diálogos são oportunos e devo dizer que a cada episódio o personagem de Kim Raver me agrada mais, ela é uma mulher que não se deixa abalar mesmo tendo uma espada atravessada no pescoço.

Nesta cena, aliás, teve uma falha bem estranha, Miles pede que Neville trouxesse Danny e Charlie em troca da vida da esposa e ele volta com Aaron e Nora; não sei se foi uma falha de diálogo ou apenas uma escolha que Major fez já que não seria impossível trazer os dois irmãos naquele momento porque estavam com Monroe no norte da cidade, prefiro acreditar na segunda opção a pensar que os roteiristas teriam cometido tamanho erro.

Enquanto Miles tenta resgatar seu grupo, no cativeiro tivemos uma reunião de família, finalmente Charlie e Rachel se reencontram, cena que pensei que enrolariam uma vida para que ocorresse, mas desta vez mandaram bem. Fiquei surpreso com a reação de Charlie ao ver a mãe, foi meio frio, confuso, mas compreensível, é incrível como a personagem mudou para melhor do piloto até esse episódio, toda crescida, cheia de atitude, tomando iniciativas sem fazer burradas, como ela mesma disse para mãe “Foi uma longa viagem”. O reencontro dela com Danny também foi emocionante, agora só quero ver que histórias darão ao personagem dele daqui para frente, só espero que Erick Kripke não recicle os conflitos familiares já usados em Supernatural.

A família Matheson reunida (com exceção do pai é claro) foi mais uma justificativa para Monroe utilizar os laços familiares para influenciar Rachel a consertar o amplificador construído pelo falecido cientista Jeff. A trama do blackout nem deu as cara neste episódio, mas souberam trabalhar a história relacionada ao pingente e o amplificador em favor da narrativa, a cena em questão, Strausser ameaça matar um dos filhos de Rachel caso ela não cumprisse o acordo de consertar o equipamento. Enquanto a cientista se mostrava indecisa, Charlie tomou a frente da situação para proteger o irmão.

Apesar de todos esses contratempos e reuniões de família, a trama central realmente ficou a cargo de Miles e Monroe, os dois são peças centrais dos flashbacks dessa semana e é na relação entre eles que gera todo o estopim do que estar por vir ainda na série. Ambos cresceram desde criança juntos e a relação deles vai além da amizade chegando ao nível de irmãos mesmo, toda vez que um flashback é apresentado temos a noção do quando se apoiaram um do outro para superar as dificuldades antes e depois do blackout. De certo modo toda essa relação foi deteriorando à medida que surgiu as ideias da república Monroe até a criação da milícia, pelo menos é o que narrativa dá a entender.

Ainda que contada de forma superficial (espero que tenhamos no futuro um episódio focado apenas no surgimento da república Monroe), a história conseguiu mostrar uma mudança nos dois personagens. Com Miles, por exemplo, depois que deixou a república e encontrou Charlie, aos poucos se tornou uma figura de pai ao acaso e ainda com isso descobriu um modo de superar os erros do passado ao entrar nessa jornada para resgatar seu sobrinho. Agora com Monroe foi o oposto, sem familiares e a única pessoa que julgava confiável tentou matá-lo, o general se perdeu em um mar de desconfiança onde seu próprio julgamento era seu único conselheiro, aqui devo elogiar a atuação de David Lyons, seu personagem é um líder imprevisível, falho e conflituoso, seu caráter volátil é sentido até por seus subordinados, neste caso Neville e Jeremy, que acham que sua amizade com Miles atrapalha suas decisões, o que de certa forma é verdade.

Todas essas ponderações culminam no embate final dos dois já perto do final do episódio, onde Miles revela todo o seu desprezo pelo general, soltando assim a única amarra que ligava os dois. O fim dessa amizade também é o início de algo muito maior, porque essa ligação era a única coisa que prendia Monroe a sua humanidade, mas agora ele não tem amarras para se segurar, e com pingente e o amplificador como armas tudo pode acontecer. A cena da luta de espada entre os dois valeu cada segundo, e com certeza foi o melhor momento do episódio.

Outro destaque da trama foi Aaron, seu personagem continua crescendo dentro da história, foi interessante ele sendo reconhecido por Neville (que trabalhava para empresa dele no passado), o “mago do Google” como major mesmo disse, ainda teve oportunidade para contribuir ajudando Miles e companhia a escaparem das instalações de Monroe, acho importante aproveitar os coadjuvantes em situações assim, normalmente às séries desse tipo não conseguem conferir papéis chaves a todos seus personagens, talvez a única exceção aqui seja Nora, que não teve realmente um papel muito importante.

Assim chegamos ao grande clímax do episódio que terminou com uma excelente cena do helicóptero perseguindo o grupo de Miles, agora com adição de Rachel e Danny. Achei importante o jeito que terminaram bem no meio da ação, para criar aquele clima de perigo e vulnerabilidade, definitivamente conseguiram gerar boas expectativas. “Nobody Fault But Mine” com certeza é um dos melhores da série até agora e ainda que Revolution tenha alguns aspectos para melhorar, vale ressaltar o quanto a série melhorou ao longo dos seus episódios, o episódio não trouxe revelações, mas como eu disse no começo, fechou arcos, plantou sementes e possibilidades para o futuro, a primeira parte da temporada mostrou mais um conflito interno dentro da República Monroe, a tendência é que universo da série se expanda de tal forma que englobe as outras federações gerando um conflito sem precedentes em torno da busca por energia, ainda vale ressaltar a trama do blackout que com certeza não foi esquecida e deve voltar em 2013 com tudo. Agora é esperar quatro longos meses até o retorno da série.

Observações da Revolução:

– Rachel continua sendo um dos melhores personagens na história, no episódio anterior ela matou seu amigo cientista, neste episódio matou Strausser surpreendentemente (eu não esperava que personagem fosse sair tão cedo da série).

– O encontro entre Rachel e Miles foi interessante, parece que os dois tem uma história, a julgar pelo tapa que Miles levou dela.

– Palmas para mixagem de som, utilizaram o mesmo som da abertura quando aparece o nome Revolution, na cena em que Rachel liga o amplificador de energia com pingente.

– Ao que parece não é só Neville que se lembra de Aaron, Rachel parece conhecê-lo também, agora resta saber se é pela sua fama antes do blackout ou se é pela ligação que ele tinha com seu marido Ben.

– “Everything Will Change Forever” (Tudo Vai Mudar Para Sempre) é isso que a promo promete para os próximos episódios de Revolution em 2013, veja ai embaixo:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CuwSB7LOFjs


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