Review | Revolution 1×09: “Kashmir”

João Paulo

  sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Review | Revolution 1×09: “Kashmir”

Revolution dá um "pause" e se prepara para o episódio pré-hiato, na semana que vem

Muitas explosões, ausência de oxigênio, alucinações e Led Zeppelin dão o tom do novo episódio de Revolution.

Esse episódio foi bem diferente para série, não foi melhor que o anterior basicamente porque escolheu não movimentar muito a trama principal dando impressão que era só para preencher espaço, mas é claro que não deixaram a peteca cair, se a narrativa fica um pouco empacada pelo menos tivemos ótimos desenvolvimentos dos personagens principais.

O grupo de Miles continua o caminho para chegar até a Philadelphia, mas nesse meio eles têm que convencer alguns rebeldes conhecidos de Nora a ajudá-los nessa empreitada, depois de pegarem o tio Matheson para um interrogatório, soco vai, soco vem conseguiram convencê-los. E lá foi eles pegarem o caminho pelo túnel onde antes passava um trem expresso, lugar que milícia usava muito na época que Miles era general.

Aliás, é neste lugar que se passa trama do episódio se passa realmente, depois que a Charlie cai em uma mina e é salva por Nora, todos eles ficam preso no túnel não tendo alternativa senão seguir em frente. É neste momento que o roteiro se faz oportuno, quando Miles vê um vulto que não deveria estar ali e Nora pensa que está sendo atacada por um tubarão quando estão passando por uma parte inundada, eles percebem que estão ficando sem ar devido à obstrução do túnel.

A narrativa aproveita para explorar o medo de cada personagem, suas fraquezas e vulnerabilidades tudo causado por causa da falta de oxigênio. Em Miles, por exemplo, que se vê cada vez perto do eminente confronto com seu velho amigo Monroe, começa a questionar o que fará no momento da verdade, no começo do episódio ele dá entender isso na conversa com Charlie e no túnel no momento de vertigem quando confronta o próprio general Monroe ao som de “Kashmir” (que também dá nome ao episódio) do Led Zeppelin, paixão roqueira do showrunner da série Erik Kripke (que, aliás, ele já fez o mesmo com outras bandas no seriado Supernatural).

Se o Miles entra em paranóia por causa da indecisão de matar ou não o melhor amigo, Aaron também vê naquele lugar uma crise de autoconsciência já esperada desde o episódio “Sex & Drugs” focado em seu passado, suas vertigens tem à aparência de sua mulher e colocam na mesa todos os questionamentos que levantei na análise daquele episódio, mas uma coisa tem que ficar clara, o nerd sofreu uma grande mudança, as decisões que ele tomou no passado seriam completamente diferentes se fossem tomadas pelo personagem no presente, mas para chegar nesse estado às aqueles eventos precisavam ter acontecido para uma mudança de atitude nele.

Voltando a história, Miles e companhia seguiram até o fim do túnel, mas a passagem estava selada, o que eles não contavam é que um dos rebeldes trabalhava para Monroe, na verdade foi um pouco esperado que isto acontecesse já que foi ressaltado muitas vezes que poucas pessoas são confiáveis nesse mundo pós-blackout, enfim ao final disso tudo Charlie foi baleada de raspão e ficou inconsciente por um tempo. Abro espaço aqui para dizer que este foi o melhor momento da atriz Tracy Spiridakos na série, as mudanças de Charlie estão fazendo bem a ela, diminuiu as caras e bocas e ainda conseguiu emocionar com cena do sonho contracenando com seu falecido pai na série Ben Matheson (uma grata surpresa). É compreensível que Charlie pense que aquilo tudo seja real, com tanta tragédia acontecendo em sua vida, o sonho com pai parecia um porto seguro. O mais interessante foi à narrativa fazer um contraponto entre a figura paterna do passado (Ben) e a figura paterna do presente (Miles), mais do que nunca Charlie precisa deixar o passado e se focar no futuro, por mais que ela queira viver aquele sonho, seu tio agora é seu presente e é nele que ela se apoia para deixar seu estado de coma e voltar a si, foi um grande momento, muito bem filmado, com atuações corretas de Tracy, Tim Guinee e Billy Burke.

Enquanto de um lado tivemos uma breve reunião entre Ben e Charlie Matheson, na outra parte da narrativa a matriarca da família continuava a oferecer seus serviços para o General Monroe, construindo uma arma baseada na tecnologia do pingente de energia (que foi mostrada brevemente no episódio anterior). Rachel sempre se mostrou um personagem contraditório desde o início, cheio de dúvidas e medos, a atriz Elizabeth Mitchell já mostrou essa faceta em Lost e aqui ela mostra uma atitude semelhante, a única diferença é que ela justifica seus atos em prol de sua família.

Toda trama envolvendo a senhora Matheson foi apropriada para conhecermos um lado obscuro da personagem, seja na cena em que ela mata seu colega cientista Bradley Jeff (o mesmo que apareceu no episódio sete), seja na cena em o equipamento que ela estava desenvolvendo na verdade se tratava de uma bomba, no episódio passado justifiquei as ações dela como extinto natural de mãe, agora se mostra mais um instinto de sobrevivência capaz de realizar façanhas controvérsias para manter-se viva e é claro proteger Danny.

“Kashmir” quebra um pouco o ritmo crescente que Revolution vinha tendo com os episódios anteriores, preferindo travar a trama e criar expectativas para fall finale da semana que vem, mas ao trabalhar no desenvolvimento dos personagens consegue um resultado satisfatório, principalmente para Charlie. O episódio é previsível em alguns pontos, mas é feliz quando cria tensão e reviravoltas principalmente nos últimos minutos, devo acrescentar aqui que a história antecipou as contradições de Miles em relação a Monroe e ainda paira a dúvida se personagem vai ser capaz de fazer o que deve ser feito quando a hora chegar, matar o general é necessário, mas o peso da amizade entre os dois pode pesar na decisão, no entanto devemos considerar o fator Charlie, sua atitude ao ver a sobrinha baleada no episódio já mostra que ele está bem diferente do cara uma vez controlou a milícia e essa motivação pode ser que ganhe força quando forem resgatar Danny, enfim é esperar para ver.

Observações da Revolução:

– Curiosidade: Não tivemos nenhuma revelação importante em relação à trama do blackout e nenhum flashback relacionado a um personagem, dos nove episódios exibidos esse foi o primeiro a quebrar a corrente, espero que a série volte ao formato original no próximo episódio.

– No episódio tiveram duas músicas do Led Zeppelin, a primeira e já citada no texto o mega hit da banda, sucesso de 1975 “Kashmir” e a segunda é um sucesso de 1970 “Since I’ve Been Loving You”.

– Se “Kashmir” foi um refresco, o próximo episódio será o momento da verdade antes do hiatus de quatros meses, veja o promo e que comece a contagem regressiva:

http://www.youtube.com/watch?v=bn51BwTYGjg


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