Review | Person of Interest 3×02: “Nothing to Hide”

João Paulo

  sexta-feira, 04 de outubro de 2013

Review | Person of Interest 3×02: “Nothing to Hide”

Em uma linha ascendente o segundo episódio da temporada trás uma nova ameaça, uma caso da semana interessante, mas peca um pouco pela falta de ação envolvendo os protagonistas.

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Mais uma semana se passou e chegamos a mais um episódio da nova temporada de Person of interest. “Nothing To Hide” tem uma pegada um pouco diferente de “Liberty” talvez por isso ele seja mais bem sucedido e assim pode-se notar uma progressão positiva nessa sequência da terceira temporada.

Então começando pela análise do caso da vez que essa semana foi sem dúvida mais interessante e introduziu um novo vilão na série. A história do empresário da internet Wayne Kruger foi de longe um dos mais interessantes casos que Reese, Finch e resto da equipe já pegaram até hoje. O personagem é uma espécie de vilão licenciado e sua empresa “Lifetrace” que consegue não só localizar pessoas, mas ela consegue pegar dados das mesmas para serem vendidos ao governo ou até mesmo outras pessoas. É como se fosse um tipo de invasão de privacidade que é permitida legalmente.

É importante destacar o roteiro assinado por Erik Mountain que a todo o momento consegue que o desenvolvimento da história seja interessante o bastante para que o público fique intrigado com as situações que ocorrerem com empresário, que no decorrer do episódio passa a ter sua vida exposta em uma série de eventos que o leva a perder seu casamento, ser afastado do emprego e também a correr risco de vida. Essas situações só fizeram Reese, Finch e Shaw dobrarem seus esforços de tentar descobrir que estava por trás desses eventos.

Se no episódio anterior o trabalho de equipe do “team machine” foi elogiado não só pela sua eficiência na resolução do caso, aqui não se pode dizer o mesmo. Reese e Shaw por mais que conseguissem investigar alguma coisa, quando a vida de Kruger era ameaçada realmente, ambos estavam basicamente impotentes sempre chegando atrasado ao local (vide a cena tensa no elevador) ou sendo surpreendidos por alguma situação, no caso Reese perto do final, mas daqui a pouco chegamos neste ponto.

A dificuldade de resolver este caso estava na verdade ligada ao criminoso por trás de tudo, mesmo Finch sendo inteligente o bastante e coletando todas as informações possíveis (com auxílio de Carter em certo momento), ele não conseguiu prever o que aconteceria a seguir e nem descobrir quem estaria por trás dos atentados à vida do empresário.

Outra vez destaco o roteiro que cuidadosamente conseguiu esconder muito bem a identidade do vilão até os últimos minutos do episódio, as peças do quebra cabeça estavam ali, mas ainda assim poucos conseguiam enxergar ou ter certeza de quem era. É importante fazermos aqui um paralelo entre a “machine” e o caso como um todo, primeiro temos a menção na conversa entre Finch e Reese no início do episódio dizendo que os métodos de Wayne Kruger obter informações se assemelham a criação de Harold, sendo que a diferença é que a “machine” respeita a privacidade das pessoas liberando apenas o número de segurança delas, logo o empresário é um inimigo natural da inteligência artificial.

Não sei quanto a vocês, mas senti uma forte intenção da narrativa de fazer um esforço para dar a impressão de que “machine” do Finch estava por trás de todos os atentados com Kruger, desde o incidente na festa, passando pela cena do elevador até chegar à cena do carro sendo controlado remotamente, neste momento quando Reese revela o aparelho instalado embaixo à hipótese primária que tive foi dissipada, mas ainda assim a revelação dessa organização “pró-privacidade” surge como uma incógnita e pode muito bem estar ligada a “machine” então não vou destacar essa possibilidade ainda, afinal ela já criou um perfil falso (lembram-se de Ernest Thorhill?) e uma empresa de fachada para proteger e armazenar seus dados, além colocar pessoas a seu serviço.

A revelação que um dos executivos que queriam fechar um acordo com Kruger era um infiltrado dessa nova corporação foi uma excelente sacada, apesar da lista de suspeitos serem grandes devido às atividades exercidas pelo empresário da internet. Peter Collier surge aqui nos últimos minutos do episódio surpreendendo a todos e até mesmo Reese (que leva um tiro), além disso, este vilão frio e calculista já entra no jogo fazendo o “team machine” amargar mais uma derrota, algo que não acontecia desde o episódio “In Extremis” da segunda temporada quando outra vítima também não conseguiu ser salva por John e companhia.

Saindo um pouco da trama principal vamos falar um pouco do plot secundário envolvendo Carter, apesar dessa narrativa correr por fora do caso da semana apenas intercalando com mesmo quando necessário, pode-se notar aqui um desenvolvimento maior da vingança da detetive em relação a H.R. e vice e versa. O encontro entre Carter e Quinn no cemitério foi uma cena interessante, acredito que no futuro quando ela descobrir sobre ele o próximo encontro não será tão agradável, afinal ele já percebeu que ela continua investigando a morte de Beecher.

Outro destaque deste plot foi à introdução do novo parceiro de Carter, Mike Laskey chega à narrativa que usa o velho clichê policial, parceiro experiente sendo duro com novato para depois de conhecê-lo melhor começar a gostar do mesmo (vide a cena final com Mike se revelando um fã da detetive). Ouvi muitos dizerem que este indivíduo pode ser um infiltrado da H.R., talvez aja uma possibilidade, mas acredito que seja mais que isso, talvez a H.R. use o garoto com outros propósitos de causar medo em Carter, é aguarda para ver aonde essa narrativa irá nos levar.

De resto e falando dos membros restantes da equipe temos Finch um pouco mais ativo e envolvido na história do que no episódio anterior, temos Shaw que ficou um pouco mais coadjuvante apesar de mostrar seu lado obsessivo seguindo Harold pelas ruas de Nova York, além de ajudar na resolução do caso, e Fusco que como Finch no último episódio, teve poucas cenas em sua maioria servindo de suporte para Carter e investigando sobre Beecher (sem obter sucesso é claro). Por último temos Reese que apesar de fazer o papel usual estava menos ativo no episódio, suas cenas não empolgaram muito e posso dizer que sinto falta do “man in a suit” mais intimidador das últimas temporadas, espero que ele retorne a boa forma no decorrer desta.

Minha única ressalva no episódio vai para direção de Frederick E.O. Toye que infelizmente não conseguiu empolgar nas cenas de ação, tirando à cena do Kruger no elevador todas as outras foram apenas simples comparadas às outras cenas que a série já apresentou, a cena do carro fora de controle, por exemplo, não foi tão empolgante quanto a uma cena similar já mostrada na no episódio 2×14 “One Percent” com o bilionário Logan Pierce. Ainda assim é importante esclarecer que narrativamente o episódio não tem muita ação mesmo, mas um pouco de emoção sempre dá um toque a mais de empolgação, principalmente em séries como POI que mistura bastante esses elementos.

Sendo assim chegamos ao final da review com saldo positivo de que “Nothing To Hide” foi um ótimo episódio da série e que teve um roteiro particularmente bem trabalhado e conseguiu introduzir com êxito um novo vilão para a série, com uma ideologia formada e que aparentemente introduziu apenas “a primeira lição”, então ficamos na expectativa para ver as próximas, porque essa corporação é um inimigo para muitos principalmente o governo norte-americano que é o órgão que mais quebra a privacidade das pessoas ultimamente através de suas agências de inteligência. Fazendo menção à frase de Finch no final do episódio anterior “eu tenho a impressão que as coisas vão começar a se complicar em breve” e este novo episódio é a prova disto.

Observações de Interesse:

– Nothing To Hide: A frase é uma expressão bastante usada, mas como Finch mesmo disse quem normalmente diz que não esconde nada, normalmente esconde. Nós somos todos curiosos e misteriosos por natureza.

– NSA∕Caso Snowden:  Este episódio falando sobre invasão de privacidade é uma forte tentativa dos produtores Jonathan Nolan e Greg Plageman aproveitarem o hype gerado por Snowden e a quebra de sigilo do mesmo em relação a NSA, provavelmente teremos mais referências sobre o assunto no restante da temporada.

– Bear descansando em serviço: No episódio dos nocautes Reese levou um tiro à queima a roupa e Finch por sua vez foi nocauteado por Kruger sobre os olhares de Bear que não fez nada, só acordou o dono logo depois “Bad dog, bad dog”, o que aconteceu com aquele cachorro holandês feroz da segunda temporada? Acho que Reese e Finch estão mimando ele demais.

– Trama do Governo: Com essa nova corporação aparecendo e sendo um inimigo ideal do governo me lembrei de que ainda não mencionaram mais o lado relevante da força, com a morte do “Special Counsel” ainda não sabemos quem é a misteriosa mulher que assumiu seu lugar, sem falar que Hersh ainda não deu as caras, espero que voltem com o plot deles logo.

– Root off: Não tivemos Root neste episódio, senti falta, mas ela deve voltar nos próximos.

– Vítima∕Criminoso: Wayne Kruger transitou bastante entre mocinho e bandido durante o episódio a medida que íamos descobrindo mais sobre sua vida através da investigação do “team machine”, ainda assim sua morte pela mão de Collier foi inesperada e cruel, minha pergunta é: Kruger realmente merecia esse destino? Deixem sua opinião nos comentários.

– No próximo episódio Person of Interest vai reunir as gatas da série em um episódio só (“Assim Você Mata O Papai”), temos Carter, Shaw e o retorno de Zoe que vão atuar juntas para resolver o novo caso vejam a promo abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=Cu4o1gnmPe0


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