Review | Person of Interest 2×22: “God Mode” [Season Finale]

João Paulo

  quinta-feira, 16 de maio de 2013

Review | Person of Interest 2×22: “God Mode” [Season Finale]

O fim de um capítulo e o começo de outro. Descobrimos a verdade definitiva sobre passado trágico de Finch e Ingram. E ainda a disputa final pelo controle da “machine” tem um desfecho inesperado marcando o fim da excepcional temporada de POI

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Demorei um pouco para escrever a review exatamente para assimilar sobre o que foi, ou melhor, sobre o que aconteceu nesse season finale de POI, se por um lado “God Mode” não foi tão eletrizante quanto “Firewall” ano passado, por outro lado o episódio entrega uma trama que fecha um ciclo e inicia outro, talvez por isso tenha mais cara de um episódio transitório do que fechamento de final de temporada, mas isso não o deixa a desejar, mas sim entrega um conteúdo a ser apreciado em longo prazo, cheio de revelações e novas perguntas, sendo assim não poderíamos ter pensado em um encerramento tão correto e promissor como esse.

O cliffhanger deixado no final do episódio anterior “Zero Day” já deixava claro que este episódio seria decisivo para futuro da “machine”, não só para ela, basicamente tudo que os fãs queriam saber sobre Finch, foi respondido neste episódio, bom pelo menos o mistério mais importante. A história ainda teve tempo de continuar a trama de Carter, após ser acusada de ter atirado em um suspeito que não oferecia risco, tudo armado pela HR é claro.

Comecemos então pelo início, os eventos deste episódio são sequências diretas do episódio passado, toda a repercussão de quando Reese e Root atendem ao telefone é respondida de imediato, como já desconfiávamos os dois se tornaram administradores da “machine”, com uma duração limitada de quatro horas de acordo com o que Finch estipulou quando criou o código. O que não tinha ficado claro no episódio anterior aqui é explicado sem rodeios, o próximo passo de Root era usar os acessos aos dados da “machine” para localizar sua parte física e assim liberta-la, enquanto isso do outro lado Reese e Shaw também fariam algo semelhante na esperança de salvar Finch e impedir a hacker no processo.

Dessa forma o episódio ganha ares daqueles filmes de ação onde o protagonista tem que correr contra o tempo para salvar o mundo, mas neste caso ambos, mocinho e bandido ganham um auxílio extra, no caso a “machine”. O jeito que a trama se apresenta lembra muito o filme “Controle Absoluto” protagonizado pelos atores Shia Labeouf e Michelle Monaghan, assim como eles, Reese é auxiliado a todo tempo pela inteligência artificial que o observa, recebendo informações de acesso, vantagens sobre os inimigos, entre outros benefícios. Em POI chega a ser ainda mais eficaz, pois a “machine” não oferece ajuda, ela ainda continua fazendo seu trabalho primário, como mandar números irrelevantes para Reese em meio a sua missão.

É interessante notar que ao entrar no GOD MODE e assim destruir o vírus que a Decima liberou no sistema de defesa do país, “a machine” é vista de maneira totalmente diferente neste episódio, mais ativa, mais vigilante e mais eficiente. Se em “Zero Day” ela se mostrou inteligente o bastante para criar um perfil falso e se autoproteger, aqui ela é ainda mais brilhante ao seguir o plano que seu criador queria para ela desde o começo, tornando a sequência final do episódio ainda mais eficiente e coerente com tudo que a história da série construiu até aquele ponto.

A narrativa principal se divide para dar atenção aos dois “adm” da “machine” dessa forma acompanhamos a busca desenfreada de Reese e Shaw, enquanto Root e Finch saem em uma busca para localizar uma figura importante do projeto “Northern Lights”. É importante notar que enquanto “Zero Day” reunia vários pontos cruciais de episódios que passaram nesta temporada para montar informação que levariam ao episódio seguinte, “God Mode” não só usa essas informações para elucidar parte da história como também juntas às pontas soltas deixadas em aberto no episódio “Revelance”(episódio crucial para entender esse season finale), dessa forma temos a volta da trama do governo com força total dentro da narrativa com Hersh e o “Special Counsel” cientes dos acontecimentos presentes inclusive a informação de que Root é a nova “adm” da machine.

Falando em Root, incrível perceber o quanto ela se tornou importante para história, usando os recursos da “machine” de todas as formas possíveis, localizando a última peça do tabuleiro o engenheiro Lawrence Szilard responsável pelo programa “Nothern Lights” e ainda a pessoa responsável por contratar Daniel Aquino (lembra aquele que construiu o complexo que abriga a parte física da “machine). Apesar dessa parte da trama ser interessante e contribuir para fechar algumas informações em aberto, as cenas com engenheiro não foram tão importantes assim já que Finch sabia da localização da “machine”.

O fato é que Harold Finch é o grande protagonista desde episódio, ainda que o personagem se mostrasse submisso às vontades de Root, na verdade ele estava no controle de tudo, fazendo as peças se moverem de acordo com seus interesses. Os flashbacks sobre Finch, Ingram e Hersh foram fundamentais exatamente por isso, à medida que as revelações vão surgindo às informações vão ficando mais claras no presente e com isso entendemos ainda mais as motivações de Harold. A verdade é que as cenas do passado são basicamente o ponto alto da narrativa do episódio, bem executadas, com atuações na medida principalmente na sequência derradeira na balsa quando descobrimos como Nathan morre, como Finch escapa e principalmente que governo estava por trás dos acontecimentos daquele dia.

Devo dizer que todas as cenas interpretadas pelo ator Michael Emerson no passado foram excelentes, desde a primeira cena até a última quando toma a decisão de deixar Grace e ainda descobre que Ingram estava na lista dos irrevelantes, ali podemos ver toda a dor, arrependimento e sofrimento de Finch, espero muito que tal desempenho seja lembrado na época das premiações.

Enquanto Finch mostrou ser o grande jogador do episódio, pode-se dizer que Reese foi o mais paciente, seguindo as regras sem levantar muitos questionamentos, ao contrário de sua parceira Shaw. Os dois juntos funcionaram muito bem em cena, ainda melhor que no episódio passado, diga-se de passagem, uma relação que lembra a duplinha Batman e Mulher Gato, armados e perigosos, saindo pelas ruas de Nova York atrás de pistas e salvando vidas pelo caminho. O mais interessante é que nessa parte da história é tratada com bastante bom humor, seja nas cenas com Shaw e Reese trocando indiretas, seja nas cenas em que a dupla enfrenta as situações adversas salvando vidas de anônimos pela cidade, tudo encaixado perfeitamente dentro do contexto da série. Destaque para cena do Reese salvando os noivos em um casamento e na cena em que ele e Shaw pegam um helicóptero “emprestado”.

Com tanta ação girando em torno de Reese e companhia, e devido ao ritmo quase frenético, Carter teve apenas poucas cenas para chamar de suas. Como ressaltei no começo a narrativa ainda tem tempo para mostrar o desenrolar do que aconteceu com a detetive após cair na armadilha da HR, finalmente o detetive Terney deixou sua máscara cair, mas o melhor ficou para breve conclusão dessa trama. A guerra da HR contra Elias estava praticamente vencida depois que a organização se uniu aos russos, mas faltava ainda acabar com o chefão. A grande surpresa aqui foi a detetive Carter salvar Elias de ser morto por Terney e Yogorov, dessa forma abrem-se tantas possibilidades para sempre trabalhadas no futuro, mas uma coisa é certa, a detetive acaba de ganhar um aliado forte para derrubar a HR.

A partir dessa conclusão, outras mais viriam à tona já no clímax do episódio que apesar de não ser inteiramente surpreendente abriu infinitas possibilidades. As cenas que ocorrem nas instalações nucleares de Hanford foram ótimas em todos os quesitos, primeiro Root que ao descobrir que local que servia de fachada para esconder a “machine” estava vazio, percebeu que foi enganada por Finch, segundo Reese e Shaw chegando ao local e as revelações que se seguiram a partir dai, descobrimos a própria criação de Harold mudou toda sua parte física para um local seguro, terceiro o vírus liberado pela Decima tinha o código de Finch em sua concepção, dessa forma quando foi liberado dentro da “machine” ele basicamente foi combatido quando ganhou autonomia, afinal ela reconheceu o código de seu criador.

Perceba que as motivações de Finch fazem todo o sentido, depois que o governo o traiu ao matar Nathan e encobrir o feito, ficava claro que a “machine” foi entregue nas mãos de pessoas de má fé, e prevendo um evento como esse do vírus poderia ocorrer a qualquer momento com a “machine”, ele a programou de forma que ela se defendesse e ainda se libertasse por conta própria. Sendo assim podemos perceber que se “Zero Day” foi um episódio sobre a criatura (machine), “God Mode” foi um episódio sobre o criador, pois Finch disse que considerava sua criação apenas uma máquina, mas agiu exatamente como pai ao libertar seu “filho” de tal forma que ele possa tomar suas próprias decisões.

Assim é possível que afirmar que “God Mode” termina um grande arco, que começou 4138 dias atrás quando a “machine” foi ativada e a partir de agora um novo ciclo se inicia, o governo não tem mais posse da criação de Finch, que agora tem livre-arbítrio para fazer o que quiser, talvez ai more o perigo, um ser dotado de tamanha inteligência podendo arquitetar seus próprios planos e utilizar do lado bom e ruim dos humanos para seus benefícios próprios pode ser algo bastante ameaçador, ainda mais depois das três ligações que ela fez nos últimos minutos do episódio. Uma para Reese e Finch, outra para o governo e outra para Root.

“God Mode” pode parecer um pouco menos polido que “Zero Day”, mas com certeza trás um peso bem mais importante para história de Person of Interest, com uma direção afiada de Richard J. Lewis, o roteiro assinado por Patrick Harbinson e Jonathan Nolan entrega uma narrativa sólida, coerente e em certos momentos genial por não enrolar o expectador e entregar exatamente o que ele deseja, e que só peca um pouco por exagerar no ritmo em alguns pontos, mas ganha por direcionar a história para um caminho totalmente novo, com a promessa de que a próxima temporada promete ser mais espetacular ou até melhor do que a temporada atual, que tirando alguns poucos episódios mais comuns, foi basicamente impecável, com nível de escrita acima do normal. Agora o que nos resta é esperar esse longo hiatus com várias perguntas repercutindo em nossas mentes até que a série volte para nos dar alegrias novamente.

Observações de Interesse:

Estilo Video Game: Foi ou não uma cena sensacional a animação criada para mostrar a “machine” ajudando Reese a derrubar os agentes da Decima.

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Um novo inimigo: Com “Special Counsel” fora de cena eliminado por Hersh, um novo vilão surgiu nos últimos minutos do episódio, essa mulher misteriosa chega limpando a casa e com certeza será um problema no futuro.

Grace∕Finch: A cena em que Harold testemunha Grace percebendo que ele morreu é de partir o coração, ainda mais com ela encontrando o livro Razão & Sensibilidade de Jane Austen  que ele usou para fazer o pedido de casamento.

Cameo: Para quem não percebeu os produtores Greg Plageman, Jonathan Nolan e o diretor Richard J. Lewis, fizeram uma participação no episódio, perto do final dentro da instituição em que Root estava. Veja a foto abaixo.

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Curiosidade: A combinação do cofre em que Reese usa no cofre escondido na biblioteca é data que a “machine” ficou online e também a data que Finch mostrou a Ingram como ela funciona, 24-02-05.

Reese∕Shaw: Uma das cenas que mais gostei entre os dois foi quando Reese vê a foto de Jéssica entre as fotos que ele acha no cofre secreto de Finch. Ele não diz nada, mas Shaw apenas com a reação dele já deduz que a mulher na foto era importante, foi uma cenas simples, mas que foi interessante de assistir.

Interesses de Shaw: Quando o engenheiro é abatido por Hersh no parque, ele deixa cair uma maleta, quando Reese e Shaw chegam ao local, quando John  vai atrás de Harold, ela fica para trás mostrando algum interesse no item, o que será que ela pegou de dentro do objeto?

Encontro: Foi ou não foi bacana ver “Special Counsel” e Hersh frente-a-frente com Finch, Reese e principalmente Shaw (que pensavam estar morta).

Fusco: Minha maior reclamação foi a ausência de Fusco, apesar de ter sido mencionado por Carter, o personagem não teve nenhuma cena. Por outro lado acho que o detetive não teria muitas cenas devido ao contexto abordado, só espero que ele volte já na season premiere da terceira temporada.

– Obrigado por acompanharem minhas reviews durante esta temporada, até a próxima daqui alguns meses, nos vemos lá.


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