Review | Person of Interest 2×20 – “In Extremis”

João Paulo

  quarta-feira, 01 de maio de 2013

Review | Person of Interest 2×20 – “In Extremis”

: Fusco se vê no limite ao enfrentar as consequências de erros passados. O dilema da moralidade volta a assombrar Carter. Reese e Finch sofrem sua terceira derrota consecutiva.

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Não é de hoje que Person of Interest trata sobre assunto sobre certo e errado ou condutas éticas de seus policiais na série, então é possível dizer que neste episódio a série entra afundo nesta abordagem indo direto na ferida do problema. É por esse motivo que parte da história de “In Extremis” é totalmente focada em Fusco e assim temos a chance de conhecer mais do passado nebuloso do personagem.

A história começa após os trágicos eventos do episódio anterior, é claro que o caso da semana ficou em primeiro plano, mas a tática de intercalar as cenas de identificação do POI da semana com as cenas do enterro de Cal Beecher (R.I.P.) foi uma tática acertada uma vez que aqui o diretor já situa o espectador das intenções dele em relação as tramas.

Dessa forma a narrativa é separada em duas, a primeira com Reese e Finch cuidando do caso do médico Richard de Nelson e a segunda como eu disse anteriormente focada no personagem de Fusco. Essa última em questão talvez seja a mais importante do episódio por trazer um conflito que há muito tempo era aguardado pelos fãs da série, o momento em que o detetive seria exposto e teria que enfrentar as consequências de passado como policial corrupto.

Essa trama é bastante eficaz porque ela ainda trás a detetive Carter para dentro do conflito que seu parceiro está enfrentando causando aqui vários problemas e desconfianças entre os dois. Não a dúvidas que essa narrativa da HR tem várias ramificações e vem crescendo desde o final da primeira temporada, o fato de Fusco estar integrado a ela agradou pelo fato de desenvolver bastante o personagem, mas, contudo sempre faltou aprofundar mais na história dele, saber mais como ele entrou para o grupo, suas motivações para os crimes que havia cometido antes, sendo assim a narrativa vem para trazer essas respostas e ainda tirar os esqueletos de seu armário.

Como eu disse no episódio anterior, com a morte de Beecher seria questão de tempo até Fusco virar alvo da organização criminosa. Ao tentar resolver o problema acusando Simmons de assassinato no velório, Lionel, apenas acelerou seu destino, assim HR tratou de mexer os pauzinhos e desenterrar a história do assassinato do detetive James Stills (ler observações), assim a Corregedoria entra em cena para colocar o detetive contra a parede. Através do interrogatório realizado pelo detetive Soriano, Fusco é obrigado revisitar todo o caso envolvendo seus parceiros (Stills e o detetive Azarello) da HR, assim através de flashbacks somos levados ao ano de 2004 e 2005 direto na origem do esquema de tráfico da organização.

O interessante aqui é que vemos não só o personagem de Lionel com uma nova perspectiva, mas também o detetive Stills, amizade dos dois é importante para entendermos como o primeiro acabou se envolvendo com a organização criminosa. Fusco estava em momento difícil enfrentando a separação conturbada com esposa e agora tendo que lutar pela guarda do filho, naquele momento James Stills era o único amigo que podia contar então dessa forma todo esse companheirismo foi o elo que serviu como base para Fusco acobertar toda a maracutaia do amigo e de seu parceiro corrupto Azarello, uma vez que ele deixou-se envolver, acabou se sujando e desde então não conseguiu sair.

Enquanto isso do lado de fora escutando toda essa história estava Carter, que através de uma ajudinha de Finch teve acesso ao interrogatório e com isso estava a par dos problemas de Fusco. O maior mérito do roteiro é tirar esses pequenos momentos cruciais de diálogos entre Carter e Fusco, a primeira foi antes de começar o interrogatório, com Lionel dizendo que tentou contar a verdade antes, mas a detetive não quis escutar, a segunda conversa na cena do banheiro com ele revelando a verdade sobre toda aquela situação e ela reagindo de modo incrédulo à revelação foi ainda mais excelente, aliás, bem atuado por  ambos atores, Kevin Chapman e Taraji P. Henson.

Se Carter estava enfrentando um dilema, nada mais justo ela compartilhar esse sentimento com Reese e Finch, mas ambos estavam ocupados naquele momento, mas Harold tentou ajudar ela o máximo que podia e John por sua vez tratou de dar ela um ultimato, pode soar um pouco ríspido da parte dele, mas através daquele diálogo que a detetive percebeu que era o momento de se decidir. Durante muito tempo Carter nunca se deixou envolver inteiramente tanto pelo trabalho que fazia para Reese e Finch, tanto pelas suspeitas que tinha por Fusco, mas desde que essa segunda temporada começou ela se arriscou bastante até mais do que sua boa conduta permitia para ajudar a salvar os irrelevantes, mas nunca ao ponto de sujar suas mãos com algo ilícito, dessa forma o final do episódio vem para sacramentar toda essa mudança da personagem, do momento em que ela sai com Bear  pela porta da delegacia sua escolha já foi feita, a expressão dela de tristeza e lágrimas mostra que a batalha interna que estava enfrentando tinha acabo ali, sua vida como detetive nunca mais será a mesma depois dessa decisão.

Agora para Fusco, o personagem recebeu mais uma chance de continuar trilhando o caminho certo, como ele mesmo disse o cara corrupto do passado não existe mais, a vida dele voltou a ter sentido quando Reese, Finch e Carter entraram em cena, aliás, espero que ele realmente retribua a detetive por ter o livrado da prisão e proporcionar a HR sua primeira derrota.

Do outro lado da história na narrativa de Reese e Finch, as coisas já estavam perdidas antes de começar. Se “In Extremis” teve o objetivo de dar uma segunda chance para Fusco, o episódio não foi tão complacente com o doutor Richard Nelson o POI da semana. A história em si não teve grandes novidades, porém foi importante para mostrar o real problema por trás de tudo isso, podemos pensar que essa jornada de Reese para ajudar o médico a ter sua vingança contra aqueles que o envenenaram uma perda tempo, eu digo que foi uma artimanha até inteligente do roteiro para prover uma situação de impotência a John e Harold levando ambos a examinarem e perceberem o real problema, a perda de Szymanski, Beecher e agora Nelson acendeu o alerta geral, o vírus está atuando e a machine está com problemas sérios.

Assim em meio a charadas no escuro, perigos eminentes este episódio pode até destoar um pouco do tom de “Trojan Horse”, mas objetivo continua o mesmo. “In Extremis” é um episódio que aparenta ser comum, mas é cheio de camadas e desenvolve seus personagens de forma primorosa, o roteiro assinado por Greg Plageman e Tony Camerino acerta dando uma atenção maior ao personagem de Lionel Fusco que há muito tempo merecia esse destaque, além de deixa várias pontas soltas a serem explorados no futuro próximo, como Carter e Fusco investigando sobre a morte de Beecher, isso significa encarar a HR de frente, do outro lado temos Reese e Finch tendo que lidar com problema da “machine” se quiserem continuar salvando vidas. Com dois episódios restando para o fim da temporada, essas situações devem colocar nosso team machine a prova mais uma vez, só espero que o grupo saia bem sucedido dessa empreitada.

Observações de Interesse:

Modo Crítico: O cliffhanger no momento derradeiro do episódio é a deixa de que a situação vai ser tensa nesta reta final, que o diga a cena da machine apresentando 86,91% de suas ações comprometidas, isso significa: Vírus ativado com sucesso.

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Detetive James Stills: Para quem não se lembra do detetive, ele estava presente no piloto da série e foi morto por Reese, dessa forma quando vemos Fusco enterrando Stills no flashback de 2011 mostrado em “In Extremis”, aquela cena acontece após estes eventos.

Fotografia: Mais uma vez não há como negar que Person of Interest mostra uma parte técnica impecável e posso dizer que a fotografia no final desse episódio estava deslumbrante, destaque para as cenas que envolviam neve com belas tomadas privilegiando o clima do lugar, como a cena entre Reese e o Dr. Nelson e na cena em que Fusco e os policiais vão desenterrar o cadáver do detetive Stills.

Telas Azuis: Foi um número exorbitante de telas neste episódio, vinte e uma no total, mais um indício que os problemas que vem ocorrendo com a machine.

Elias: Não foram apenas Carter e Bear que ajudaram a salvar Fusco, o nosso vilão favorito contribuiu para que o detetive corrupto Azarello mudasse seu depoimento e assim limpasse ainda mais a barra de Lionel. Elias anda sendo de grande ajuda para Finch e Reese, quem diria que um jogo de xadrez poderia trazer tantos benefícios.

Platão: Devo admitir que foi uma bela sacada usar os textos de Platão para fazer a transição entre as cenas do discurso do médico e o discurso de Alonzo Quinn no enterro do seu afilhado.

Curiosidade – Polônio-210: O veneno usado para assassinar o doutor Richard Nelson é conhecido como um dos venenos mais letais do mundo, como apenas 1 grama desse material é possível matar dez milhões de pessoas se fosse usado em um ataque terrorista. Em 2006 um operador de inteligência russo chamado Alexander Litvinenko morreu de forma similar ao doutor Nelson ingerindo uma dose letal de Polônio-210.

Antes de Partir: Sobre o caso da semana além de Reese proporcionar uma vingança para o médico moribundo, ainda deu a chance de acertar os problemas como a filha. Não é todo dia que você tem oportunidade de derrubar seu próprio assassino e despedir daqueles que ama.

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