Review | Person of Interest 2×19: “Trojan Horse”

João Paulo

  sexta-feira, 12 de abril de 2013

Review | Person of Interest 2×19: “Trojan Horse”

Através de uma narrativa complexa e muito bem escrita, Person of Interest apresenta um dos melhores (senão o melhor) episódio da temporada até agora.

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A primeira vez que li algumas informações sobre esse episódio, fiquei interessado em saber como iriam desenvolver tantos plots narrativos em quarenta minutos de uma vez só, primeiro porque o roteiro deveria ser extremamente minucioso com as informações qualquer deslize significaria furos enormes, segundo a direção deveria dar o espaço necessário para cada um em cena porque cada plot mal desenvolvido acarretaria em um desastre total e terceiro o elenco teria que corresponder à altura para que tudo saísse bem.

Sabe qual a melhor parte disso tudo? Todas essas opções citadas acima foram não só executadas com primor, mas também com uma coerência ímpar, mais uma vez Person of Interest prova que não tem limites para criatividade e que tem os melhores roteiristas da atualidade por trás da composição de cada episódio.

E por falar em episódio começaremos por partes, primeiro o caso da semana de longe um dos mais legais e interessantes da temporada, não só por estar ligado a um dos plots principais da série, mas por imprimir mais uma vez o lado geek de Person of Interest. A vítima em questão é Mônica Jacobs uma bem sucedida executiva de uma empresa de tecnologia chamada Rylatech. A moça se torna alvo depois que tenta investigar a morte de um dos funcionários da empresa, Justin Lee também era seu amigo o que torna a motivação dela ainda mais justificável, e ai que Finch entra.

Enquanto Reese está em uma missão especial (já, já chegamos nesse assunto), Finch tomas as rédeas da investigação se infiltrando dentro da empresa para proteger a executiva. O caso nos deixa intrigante o tempo todo, quando mais o episódio se desenvolve, mais descobrimos camadas por trás da conspiração que envolve a empresa, em meios a traições, informações falsas plantadas e queima de arquivo, somos jogados em meio a uma trama internacional descoberta por Finch, Monica e Reese, que envolve espionagem chinesa e uma força misteriosa controlando as engrenagens por trás.

Este plot, como eu disse anteriormente trouxe-se o lado nerd de POI novamente para linha de frente, todas as cenas entre Finch e Monica foram ótimas, crédito para Michael Emerson e Tracie Thoms que realmente convenceram como gênios da computação com toda aquela conversa complicada de interface e tudo mais, melhor ainda foi Reese todo canastrão fazendo piadas com a situação, mas vamos combinar que rolou uma química nerd ali bem interessante, um tipo de atração mais intelectual do que física como alguns podem cogitar.

Agora seguindo o plot seguinte, vamos falar da missão especial que Mr. Reese foi designado a cuidar, prá quem se lembrava do sobrenome do amigo da Shaw conseguiu identificar que era a casa dos pais dele pela caixa de correios, senão não tem problema porque logo depois a ex-agente aparece para bater um papo com Reese e tudo fica claro. Essa foi uma das gratas surpresas do episódio, Shaw não só apareceu para trocar bons diálogos com John, mas podemos perceber aqui as primeiras semelhanças entre ambos, posso apostar que dessa parceira ainda pode sair muita coisa boa, eu não vejo a hora de vê-los juntos dividindo cenas de ação. Shaw também aproveita o momento oportuno para visitar Harold em uma cena regada a muita tensão e bom humor, o jeito sarcástico da personagem me lembra o jeito de Reese, mas de uma forma mais incisiva. A cara do Finch quando ela chega ao QG é engraçadíssima, sem falar na irritação dele com Bear depois por não ter atacado a Shaw.

Além dessa surpresa com Samantha Shaw, tivemos o retorno sempre bem vindo de Elias, mais um personagem de peso aparecendo na série, mas dessa vez a participação teve mais peso nos conflitos contra a HR, todos os diálogos com ele na prisão foram relevantes para narrativa e decisiva para selar o destino do detetive Cal Beecher. Dessa forma chegamos ao segundo plot mais importante de “Trojan Horse”, o fechamento do arco entre a organização criminosa e o “affair” de Carter.

A história que vinha se desenvolvendo bastante desde o episódio quinze chega ao seu ápice aqui, as consequências da morte do Szymanski e da promotora no episódio anterior ainda deixaram marca no relacionamento conturbado de Carter e Beecher, ela porque não confia nele depois de saber que foi o dito cujo que denunciou seu amigo detetive, ele por sua vez resolveu nesse episódio provar sua inocência correndo atrás de respostas ou para as mentes mais espertas, mexer no vespeiro. Isso tudo com Fusco correndo por fora tentando comprovar se o policial da narcóticos era mesmo ou não culpado.

E puxando a corda por trás dessa corrupção toda estava Quinn ou “o fantasma” como Elias mesmo o definiu no começo do episódio. Enquanto todos tentavam descobrir a mente por trás da organização, o líder da HR tentava convencer seu afilhado Beecher a não se preocupar com a pessoa que deu a dica prá ele e deixar o assunto por isso mesmo, mas é claro que o detetive não ia parar e com isso Quinn deu a ordem de execução a Simmons.

Nesta parte ficou claro que a morte de Beecher era questão de tempo, a narrativa não guarda tantas surpresas, mas é eficaz em fechar o arco. O maior erro detetive foi não perceber os fatos a sua volta, em nenhum momento ele desconfiou que Quinn poderia ser vilão por trás de tudo, mas como desconfiar quando se tem laços? Por esse motivo Cal não enxergou o que estava bem na sua frente, Elias mesmo frisou isso a ele no diálogo em que tiveram na prisão. Quando Finch recebeu uma ligação da “machine” com mais um número não era surpresa nenhuma que o POI seria Beecher, antes disso Fusco revelou a Carter que seu “affair” foi enganado pela HR e que não era corrupto o que tornou a sequência ainda mais dramática. A cena em que ela encontra o corpo dele foi de uma competência tremenda, talvez o melhor momento do episódio, trilha sonora e atuação na medida de Taraji P. Henson.

Assim pode-se dizer que o maior mérito do roteiro assinado por Dan Dietz & Erik Mountain é conseguir trabalhar cada personagem ao seu tempo, a narrativa que começa dividida no começo da história vai se encaixando naturalmente no decorrer do episódio. É claro que a direção de Jeffrey Hunt tem suas qualidades, principalmente a segurança que ele demonstra na direção das cenas de diálogos entre os personagens, a capacidade de deixar as conversas sempre com algo subtendido de modo que o próprio espectador se sinta instigado a encaixar o quebra cabeça por si só, o que torna a viagem ainda mais prazerosa.

Outra qualidade de POI é isto, tratar seu público como pessoas inteligentes, a série nem sempre entrega a respostas facilmente e até quando a narrativa entrega ao complexo que você possa não entender de imediato, na cena seguinte eles tratam de responder a questão, tanto que o último vilão só aparece nos minutos finais ao revelar os verdadeiros jogadores por trás desse “jogo de espionagem”, Greer não só era responsável por toda a conspiração dentro da Rylatech que se mostrou um grande “cavalo de Tróia” (como o título do episódio mesmo sugere) ao servir de porta de entrada e camuflagem para que os hackers da organização secreta dele tivessem acessos aos dados dos maiores clientes da empresa, que incluía as maiores organizações militares dos EUA.

Dessa forma as peças estão posicionadas para o season finale, Finch descobriu traços do vírus que Kara liberou nos códigos criptografados da empresa Rylatech e Greer sabe que tem uma pessoa que decifrou parte desses mesmos códigos. Do outro lado no plot da HR, agora que Beecher morreu resta saber se Carter continuará investigando para descobrir quem está por trás do assassinato, sem falar em Fusco, que assim como o detetive morto também deve trilhar um caminho semelhante caso seus casos de corrupção venham à tona. Ainda temos a guerra entre Elias e HR, o mafioso está cada vez mais próximo de descobrir quem é a cabeça pensante da organização, já Quinn que com a morte de Beecher parece ter resolvido todos seus problemas, dá agora mais um passo para se reerguer. Ainda temos Shaw agora perseguindo Root, que ainda não deu as caras, mais ainda continua sendo uma inimiga perigosa. UFA!!!

É parece que Finch e Reese terão muito trabalho pela frente e como esse episódio mesmo mostrou, eles vão ter que mostrar jogo de cintura não só para deter a ameaça da organização de Greer que tem um único objetivo de rastrear e comprometer “a machine”, como também não deixar que a guerra entre as duas facções criminosas mais perigosas de Nova York exploda. “Trojan Horse” é isso, um episódio complexo, astuto e que dá o pontapé inicial para um arco final que promete tanto que as expectativas estão altíssimas, nessa altura do campeonato o importante é não deixar a peteca cair e continuar investindo em um roteiro inteligente e enxuto.

Observações de Interesse:

Greer/Quinn: E não é que os dois vilões tem muito em comum? Ambos agem dos bastidores mexendo as peças de suas conspirações e ambos permanecem sem serem identificados pelos seus adversários.

Ligação Misteriosa: A cena em que Greer fala ao telefone com alguém, me faz pensar em quem pode ser o líder dessa organização misteriosa e qual país teria maior interesse em derrubar os EUA, mas uma coisa nós sabemos, a China não é, como esse episódio deu a entender.

IFT: No final do episódio Monica Jacobs disse a Finch que recebeu uma proposta de uma empresa chama IFT, para quem não se lembra de é a mesma empresa fundada por Finch e Ingram.

Inimigo Inteligente: Foi ou não foi uma bela sacada a organização misteriosa para qual Greer trabalha usar a China para encobrir os seus rastros, assim os EUA entrariam em conflito diplomático com chineses, desviando a atenção da verdadeira ameaça.

“Because who ever control’s the information, control’s the future” – disse Martin diretor da Rylatech mostrando como funciona o mundo da informação hoje, aqui mostra realidade se misturando com a ficção.

Telas Azuis: Neste episódio saíram oito telas. As seis telas do episódio anterior foram traduzidas e podem ser encontradas na íntegra no site Person of Interest Wiki, basta colocar estas palavras no Google, é rápido e fácil. Quando saírem as oitos desse episódio eu posto na próxima review.

Bear Rules: O roteiro estava tão bem feito que até Bear participou da ação dessa vez, adorei a cena em que ele serviu de isca na Rylatech, o recurso da pulseira com comunicador foi uma ótima ideia.

Melhor Frase do Episódio: “You think I should have a hobby. Now what would that be? Hanging around your derelict library with you, your poorly socialized guard dog… and Bear here?” – Shaw. É por causa de tiradas assim que a ex-agente do lado relevante já é minha participação preferida da série.

– Person of Interest volta com episódio inédito dia 25 de Abril, lembrando que esse foi o último hiatus da temporada.


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