Review | Person of Interest 2×17: “Proteus”

João Paulo

  quarta-feira, 13 de março de 2013

Review | Person of Interest 2×17: “Proteus”

Uma tempestade, um serial killer e uma narrativa que lembra muito os contos de Agatha Christie, POI acerta e erra ao mesmo tempo nesse episódio carregado de mistérios.

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Depois de um episódio brilhante como foi “Relevance” duas semanas atrás, já era de se esperar que “Proteus” seria um pouco mais morno por assim dizer, mas ao trabalhar a narrativa de uma forma bem diferente do que a série estava acostumada ele tem sua parcela de importância na história de Person of Interest.

A narrativa do episódio se passa durante uma tempestade extratropical fazendo uma clara alusão aos eventos verídicos do furacão Sandy que devastou parte de Nova York em outubro do ano passado. No começo do episódio encontramos Reese, Finch e Bear saindo do cinema em meio a esse temporal, o interessante aqui é que mesmo parecendo um pouco didático os diálogos tende a situar o espectador sobre alguns eventos que ocorreram nessa segunda metade da temporada, seja nas referências a desaparecida agente Samantha Shaw (do episódio anterior), seja nas consequências do vírus que Kara Stanton espalhou no final do episódio “Dead Reckoning” no sistema de defesa dos EUA. Aliás neste episódio fica evidente que o vírus está começando a afetar a machine, já que ficou três dias sem liberar nenhum número de CPF e quando o fez liberou seis números de uma vez só, um recorde para o team machine.

A grande sacada desse plot foi o fato dos números que foram enviados pela “machine” serem de pessoas que já tinham sido assassinadas, dando pistas para Reese e Finch descobrirem mais tarde que se tratava de um serial killer que matava e assumia a vida de suas vítimas, achei genial o fato dessa inteligência artificial se mostrar tão esperta a ponto de ajudar na resolução do caso através dessa informação. A atmosfera do episódio lembrava muito os contos de mistério de Ágatha Christie principalmente o livro “Assassinato no Expresso do Oriente”, só dessa vez em meio a uma tempestade de chuva ao invés de uma de neve.

Além do clima ameaçador por causa da tempestade e do serial killer à solta, Reese e Finch ficaram presos com algumas pessoas na ilha Owen que fica nos arredores de Nova York, lá John e um agente do FBI chamado Alan Fahey descobriram que o assassino estava presente entre eles ali naquele lugar, então o episódio trata de revelar o perfil das pessoas através de diversos interrogatórios. A narrativa do episódio se dividiu em duas, mas as duas com os mesmos objetivos, enquanto John e Harold tentavam decifrar o mistério na ilha, Carter tratava de investigar o passado das seis vítimas para auxiliar na resolução do caso.

Falando na detetive tivemos aqui mais um bom desenvolvimento da relação dela com o detetive aparentemente corrupto Cal Beecher mostrando um lado mais alterado do personagem, vide a cena do carro entre dois já quase no fim do episódio. Ainda não sabemos se ele é realmente corrupto, mas com certeza nesse episódio trataram de mostrar dois lados do personagem, um lado com temperamento explosivo já citado e outro mostrando um lado heroísmo ao salvar Carter e Finch do verdadeiro serial killer.

A revelação do tal assassino talvez seja o ponto mais fraco do episódio. Como eu disse no começo “Proteus” acerta e erra ao mesmo tempo, o acerto vem com o plot da machine ajudando Reese, Finch e Carter a resolverem o caso, já o erro vem com a previsibilidade de mostrar o agente do FBI como o serial killer, no momento que Reese o encontrou na casa de uma das vítimas, eu já deduzi que ele poderia ser o dito cujo, mas como a narrativa estava sendo construída tão bem, essa derrapada destoa bastante de tudo que o episódio vinha mostrando. Apesar desse pequeno detalhe ainda conseguiram ser plausíveis ao fecharem às pontas soltas do caso, quando Finch descobre que o agente Fahey que na verdade era Alex Declan colega de quarto de uma das seis vítimas do caso, a narrativa dá uma reviravolta e testemunhamos um clímax de suspense e tensão.

A sequência final teve uma cena em particular que valeu todo o episódio prá mim, foi à cena de diálogos entre Finch e o Alex Declan. Destaco a atuação do ator Luke MacFarlane (Brothers & Sisters) que conseguiu ser persuasivo e assustador apenas com diálogos e uma expressão louca e ameaçadora, além do que ele conseguiu despir a imagem de bom moço do Harold, fazendo o ator Michael Emerson mostrar uma faceta mais sombria nunca mostrada antes pelo personagem. O roteiro faz todo esse contraponto entre os dois através dos diálogos, dois impostores por assim dizer, mas como objetivos diferentes enquanto o primeiro mata pessoas e assume suas identidades, o segundo adota identidades falsas para salvar pessoas, ponto para o roteirista Sean Hennen que assina o episódio.

Pode-se notar que pouco falei do personagem de Reese nesse episódio, ele na verdade pouco teve o que fazer, além de ajudar na resolução do caso e protagonizar algumas cenas ação para movimentar as cenas. Entendo que o personagem não precisa ser “badass” sempre, tanto que justifica o fato da Carter ter salvado o Finch no final com auxílio do detetive Beecher, mas ficou a impressão que poderiam ter usado ele mais no clímax do episódio, não que isso seja problema é apenas uma observação.

Assim chegamos à conclusão de que “Proteus” apesar de falhar ao revelar a identidade do assassino cedo ao público (pelo menos de forma subtendida), o episódio foi feliz em criar um clima de suspense e ainda mais satisfatório ao conseguir mesclar os problemas da machine afetada pelo vírus com caso da semana, e tudo fica ainda mais interessante porque foi a primeira vez que as vítimas mortas eram a chave para descobrir o verdadeiro criminoso por trás de tudo. Person of Interest sai mais uma vez da sua zona de conforto e trás um episódio bem diferente do que estávamos acostumados, não foi um dos melhores dessa temporada, mas ainda assim foi um episódio sólido que ainda conseguiu plantou algumas pistas do que estar por vir no promete ser a maior season finale da série até agora.

Observações de Interesse:

Essa tempestade é só o início: Reese – “At least the storm’s passing.”

Finch – “No, Mr Reese, I have a feeling that it’s just begining.”

– Saca só como as câmeras de vigilância da machine ficaram durante a tempestade, a maioria delas ficaram fora do ar:

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Telas azuis, dessa vez apareceram mais quatro telas:

00:02:21 → A primeira tela tem um texto que fala sobre um trecho do segundo capítulo do livro “20.000 Léguas Submarinas”, a descrição é bem interessante: “Mas essa última teoria, plausível como era, não poderia ficar contra as investigações feitas nos dois mundos. Que um cavalheiro reservado tivesse uma máquina dessas ao seu comando não era provável. Onde, quando e como foi construída? E como sua construção foi mantida em segredo?”

                00:14:00 →  A segunda tela é um trecho de “The CIA’s Instructions For Breaking a Detainee’s Will” (“Instruções da CIA para quebrar a vontade de um Detento”), o texto fala sobre técnicas de tortura, como extrair respostas mais facilmente de um prisioneiro utilizando o stress mental e intimidação assustando a vítima.

00:23:29 → A terceira tela é de um trecho extraído de “The Wasteland” do autor T.S. Eliot, bem reflexivo e um tanto sombrio, que começa com a frase: “de onde viemos? pra onde vamos?”.

                00:35:29 → A quarta tela fala sobre o “Project Trinity 1945-1946” que relata uma forma de tomar precauções durante testes nucleares, ressaltando os perigos casos os protocolos não sejam seguidos corretamente.

Palpite: O primeiro texto é uma relação direta a Finch e sua criação a machine, o segundo texto parece um caso similar a tortura praticada pela Root no episódio 16 com a Shaw e até mesmo com Finch no episódio 2, o terceiro soa como uma mórbida ameaça de morte e o quarto aborda mais um cenário mais catastrófico envolvendo cientistas e testes nucleares, três texto tem muita relação com o que os personagens Root e Finch já vivenciaram ou fizeram e o quarto é único que destoa dos outros três, talvez visualizando um cenário apocalíptico já ressaltado em textos das telas de episódios passados.

Lost? – O fato do episódio se passar em uma ilha e o Michael Emerson soltar a frase: “You’ll never leave this island”, parece muito mais coisa do Ben Linus do que com Finch.

The Harper’s Island – Esse episódio também me lembrou dessa falecida série (durou apenas uma temporada), que se passava em uma ilha também e tinha um assassino entre os personagens principais da série. Recomendo.

Falha no sistema? – Segundo Finch o problema não foi o fato da machine dar uma quantidade exorbitante de números de CPF, mas sim o fato dela ficar três dias sem liberar um número pode significar algo mais preocupante.

HR – Estou sentindo falto do arco da HR que não vimos mais sobre o assunto desde o episódio 10, espero que tenha um episódio focado na organização antes do season finale.

– No próximo episódio Mr. Reese vai até Atlantic City para proteger um POI, veja abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=97aqF3HnTvk


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