Review | Person of Interest 2×16: “Relevance”

João Paulo

  terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Review | Person of Interest 2×16: “Relevance”

O outro lado da moeda. POI apresenta um dos episódios mais inovadores já feitos para TV aberta e ainda expande de maneira espetacular sua mitologia.

poi 2x16

Quando você pensava que a série não poderia ficar melhor, vem um episódio desses e supera todas as suas expectativas. Fantástico, brilhante, não há adjetivos para descrever o tanto que esse episódio foi épico, diferente e único. Desde que começou a sair às primeiras notícias desse episódio em meados de janeiro, gerou-se toda uma expectativa em torno dele porque seria a primeira vez que o roteirista Jonathan Nolan (Batman Begins, The Dark Knight) iria dirigir um episódio da série e também seria sua primeira experiência atrás das câmeras, depois veio o anúncio de que Sarah Shahi (Fairly Legal, Life) estaria fazendo uma participação especial como uma agente que prestava serviço para uma agência paramilitar que caçava terroristas antes deles agirem e por fim anunciaram o título do mesmo “Relevance”. Só essas informações já eram suficientes para deixar qualquer um com a ansiedade lá em cima, e agora após assisti-lo, eu posso dizer que valeu e muito a espera.

Indo direto ao assunto o episódio já mostra ao que veio na abertura, muito bem elaborada por sinal, ela manda seu cartão de visitas ao interromper a narração em Off de Finch, fazendo o público emergir dentro de uma nova experiência focado do lado Relevante da narrativa da série devido uma anomalia detectada pela “Machine”. Desse modo o foco se volta para agente Samantha Shaw realizando uma ação na cidade de Berlim, na Alemanha. Aqui o maior trunfo do roteiro é aproveitar a missão para apresentar a protagonista ao público, no momento em que Shaw completa sua primeira missão já estamos por dentro de como ela e seu parceiro agem em campo, do mesmo modo que percebemos que o foco do episódio é todo dela.

A narrativa sai da Europa e vai direto para Nova York aonde Shaw foi designada para outra missão, aqui descobrimos como ela recebe os números de CPF e de quem. Há todo um mistério envolto da origem dos números que é a espinha dorsal de todo o episódio, que começa com assassinato de Daniel Aquino por Shaw no ano de 2011, este incidente, aliás, é o combustível que alimenta a narrativa, porque devido a ele o parceiro de Shaw começa a questionar a verdadeira autenticidade dos números.

Quando se trabalha para o governo e começa a se questionar demais alguma coisa sempre dá errado, com isso a nova missão da agente se mostra uma armadilha para eliminar ela e seu parceiro. Com a morte de Michael, o episódio toma ares de thriller e Shaw começa sua missão pessoal para continuar viva e ainda desvendar o mistério por trás de todo esse conflito. Vale  ressaltar o destaque para a atriz Sarah Shahi mandou muito bem no papel da agente, sua Shaw é rápida, perigosa e letal, uma versão feminina e “badass” do Mr. Reese, destaque para sua primeira missão em terras alemãs infiltrando no apartamento dos terroristas filmado de forma espetacular, e a sequência sensacional de ação já em Nova York dentro um apartamento contra uma equipe de agentes do governo.

A grande vantagem de Person of Interest é que a série tem ótimos roteiristas, este episódio, por exemplo, foi assinado por Amanda Segel e Jonathan Nolan (a mesma dupla que co-escreveu o impecável episódio “Flesh & Blood” da primeira temporada), os dois conseguiram empregar um ritmo alucinante que não se perde em momento algum mesmo com uma enorme quantidade de informações, como eu disse antes o foco aqui é a agente Shaw, mas a história utiliza todo o plot de Washington para deixar à narrativa mais familiar aos olhos do público, assim como a inserção gradativa do lado irrelevante com aparições de Reese, e mais tarde de Finch e do resto do team machine, mas falaremos deles mais para frente.

Assistindo a esse episódio pode se notar como a série é bem planejada, não é equívoco afirmar que a primeira vez que o “special counsel” (procurador geral ou conselheiro especial) interpretado pelo ator Jay O. Sanders apareceu na série lá no episódio 1×22 “No Good Deed”, os produtores já tinham intenção de mostrar mais do lado relevante, mostrar como o trabalho da vida de Finch e Nathan funcionava para salvar milhões de vida eliminando ameaças terroristas. O que nos leva a particularidade de que “Relevance” funciona ainda melhor porque conhecemos tais personagens, quando vemos “Special Counsel”, Hersh e até mesmo Root, sabemos que estamos no mesmo universo de POI, mas com uma abordagem completamente nova.

Desse modo acompanhamos a jornada de Shaw para escapar das forças do governo lideradas por Wilson (Paul Warks de Boardwalk Empire) e ainda tentar descobrir o cabeça por trás da organização que deu ordens para matá-lá, mas no meio do caminho tinha uma a Root, que no episódio anterior descobrimos que ela estava trabalhando disfarçada como secretária no gabinete do “special counsel”, neste episódio notamos como ela está agindo para ter acesso à informações que podem levar a localização da machine. Volto afirmar que estou adorando o personagem da Amy Acker, sua hacker vai de boazinha a lunática em segundos o que mostra que atriz está cada dia mais a vontade no papel, a cena de tortura que ela quase executou com a Shaw usando um ferro elétrico foi muito tensa.

A cena entre Shaw e Root também foi importante para descobrirmos mais sobre o passado de Daniel Aquino, a vilã explicou que o cientista fazia parte de grupo chamado Nothern Lights e que estavam construindo um projeto de codinome Research, o que para bom entendedor sabe que Aquino estava envolvido no projeto de construir um local para abrigar a machine e ele foi eliminado exatamente porque se tornou um empecilho para o governo, assim como o amigo de Shaw.

A parte mais importante do episódio talvez seja encontro de Samantha com Reese e Finch, ainda que os dois personagens aparecessem como coadjuvante consegue-se perceber que do outro da narrativa eles ainda estão bem ativos, é como se o público assistisse o episódio do ponto de vista da vítima, no caso a agente fugitiva, dessa forma temos momentos como Reese sendo baleado no apartamento, ou aparecendo para salvar Shaw da morte por uma injeção letal, ainda tem o fato de que houve um “crossover” por assim dizer entre o lado relevante e o lado irrelevante na conversa entre Shaw e Finch, aliás, talvez seja minha cena preferida do episódio, Michael Emerson parecia muito “boss” naquela cena e os diálogos dele estavam inspirados tentando convencer ela a aceitar a ajuda deles.

Assim chegamos a excelente sequência final aonde temos o confronto entre Shaw e o “Special Counsel”, achei inocente da parte dela entregar os arquivos do Aquino que tinha em posse (acredito que ela tenha guardado uma cópia) e logo depois pensar que poderia sair dali e ficar segura. É claro que mandariam Hersh atrás dela, afinal o cara treinou a agente, a cena da injeção ficou bem feita apesar de uma pouca óbvia, mas o que mais gostei foi da transição de cenas movidas só pela ótima trilha sonora, dessa forma vemos todo o team machine (incluindo Carter e Fusco) trabalhando em equipe com uma pequena ajuda de Leon (como sempre engraçado) para mover o corpo de Shaw dali.

No geral podemos dizer que “Relevance” tem muita relevância (perdão pelo trocadilho) para história Person of Interest, a partir de agora sabemos até onde o governo está disposto a ir para encobrir seu maior segredo, até forjar provas falsas para eliminar seus alvos, ficou claro também que Root está cada vez mais próxima de localizar a parte física da machine mesmo que Shaw não tenha dado o nome do empregador de Aquino. Eu sempre quis saber como é que funcionava o lado relevante e fizeram isso de maneira muito interessante sem medo de arriscar, ao deixar seus personagens principais como coadjuvantes posso dizer que  admiro a ousadia dos escritores. Jonathan Nolan teve uma boa estreia como diretor e mostrou talento para dirigir cenas com bons diálogos e cenas com alto nível de ação, espero que ele volte a dirigir de novo. Sobre os aspectos técnicos do episódio só tenho elogios, achei a edição e a edição de som muito boa, os efeitos especiais estavam caprichados e a trilha sonora estava acima da média, a fotografia também funcionou belissimamente bem, principalmente por recriar o ambiente de Berlim no começo do episódio.

Em conclusão a introdução de Samantha Shaw foi a melhor participação de um personagem coadjuvante com ecos de protagonista que a série já teve, a mulher teve uma presença impressionante em cena, e graças ao roteiro (vale a pena sempre ressaltar) conseguiu se desenvolver de tal forma que deixou o público querendo mais, se os rumores estiverem certos e ela voltar como recorrente em uma possível terceira temporada da série com certeza será bem vinda. Ao final podemos perceber que “Relevance” mostra que os criadores da série estão dispostos a mostrar que o universo de POI é rico e funciona mesmo sem a presença de seus protagonistas, com uma narrativa forte e com personagens interessantes, esta história, por exemplo, injetou uma nova energia a série mostrando muito fôlego para ir longe, espero que episódios como esse aconteçam sempre de uma forma surpreendente e bem feita.

Observações de Interesse:

– As cenas de Berlim foram filmadas em um bairro com arquitetura semelhante ao da cidade alemã em Nova York, magia do entretenimento;

– Curiosidade: O ator Paul Warks que fez o papel do agente Wilson, é marido da atriz Annie Parisse interprete de Kara Stanton;

– Comparações entre o Lado Relevante e o Lado Irrelevante:

→ Uma das primeiras coisas que notamos quando estamos do lado relevante é a quantidade de quadrados vermelhos nas transições de cenas, por esse motivo separei duas imagens para você ser ter ideia dos dois lados, as imagens do lado irrelevante é do episódio anterior “Booked Solid”.

PoI 16

 É importante ressaltar que no lado relevante os quadros vermelhos tem um significado um pouco diferente, aqui eles mostram pessoas que são possíveis ameaças a segurança nacional.

→ Outra curiosidade sobre as telas, é que no lado relevante Shaw e seu parceiro possuem quadrado azul quando visto pelas câmeras de vigilância, mostrando que eles são ativos e trabalham para Machine, mas ao contrário de Reese e Finch que possuem quadrado amarelo, eles não sabem da sua existência.

→ Uma curiosidade sobre o lado relevante é o fato de Shaw e Cole ser uma versão nova do nosso team machine, é interessante notar a alta tecnologia que eles usam em campo, aparatos de alto nível e talvez até melhor que os de Reese e Finch.

Counter Strike? – Não sei vocês, mas cena que a Shaw e Cole foram atacados dentro do apartamento com uma granada de som e luz (conhecida como GL-307), e em seguida começou um tiroteio me lembrou bastante o jogo de tiro e como sei que Jonathan Nolan também é fã desse tipo de jogo então talvez tenha sido daí que veio a inspiração para cena.

Retorno de Bear: foi ou não foi legal ver nosso mascote favorito de volta e ainda acordando a agente Shaw.

telas azuis: neste episódio apareceu quatro delas:

00:00:10 – a primeira apareceu bem no comecinho, sua tradução levou a revelação de um trecho do livro “Heart Of Darkness” (Coração das Trevas) de Joseph Conrad que diz: “Até parece que estou a tentar convencer vos de um sonho – tentativa inútil porque o relato de um sonho não transmite a sensação-sonho, aquele emaranhado de absurdos e surpresas, o desespero na angústia de sermos aprisionados, a sensação de sermos presas do inacreditável que é verdadeira essência dos sonhos……Fez um instante de silêncio….não, é impossível; é impossível transmitir a sensação-vida de uma época que vivemos – aquilo que constrói as suas verdades, o seu significado – a sua penetrante e subtil essência. É impossível. Vivemos como sonhamos – sós…”

00:10:49 e 00:35:55 – a segunda e a quarta telas possuem trechos de um livro “The Principles Of Surgery” (Os Princípios da Cirurgia) de John Bell, abordando uma parte do texto de “Discourse XVII – Of Contusio Cranii (Of caries of the skull)” na primeira tela á uma descrição em primeira pessoa sobre um procedimento cirúrgico em um cérebro atingindo por uma doença, o segundo também é uma descrição que fala sobre procedimentos relacionados a fraturas na têmpora (parte lateral da cabeça), o texto é uma mistura de diálogos e descrições cirúrgicas.

00:24:29 – a terceira tela é o início do “folio 1r” do Manuscrito Voynich com a “mão Eva uma” que é um tipo de fonte. Essa fonte especial é um transcibe conhecido como manuscrito para sistemas de computação, ele descodifica seu conteúdo por meio de sistema computacional. Apesar disso o Manuscrito Voynich que o texto descreve ainda não foi descodificado apesar de ter 600 anos de idade (trecho: “fachys.ykal.ar.ataiin.Shol.Shory.”).

Palpite: Um texto falando sobre sonhos, seguido de textos que descrevem procedimentos cirúrgicos e um Manuscrito indecifrável, devo confessar que não vejo ligação entre ambos, mas a parte dos procedimentos cirúrgicos envolvendo fraturas em crânio me deixou bem curioso.

Obs: Agradecimento a Ricardo Santana pela ajuda na tradução.

– A excelente música de encerramento se chama “Future Start Slow” da banda The Kills;

Entre a Ficção e a Realidade: No final do episódio a câmera focalizou o número que o Finch passou para Shaw, acontece que esse número é real e tem um “easter egg” (um tipo de surpresa escondida) bem legal, ouça ai embaixo a gravação de voz do celular de Harold.

Número: 917 – 285 – 7362 (o número só é válido nos EUA)

Person of Interest volta com episódio inédito só dia 7 de março, pelo é pouco tempo dessa vez, até lá.


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