Review | Person of Interest 2×12 – “Prisoner’s Dilemma”

João Paulo

  quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Review | Person of Interest 2×12 – “Prisoner’s Dilemma”

Usando todas as qualidades de Person of Interest, “Prisoner’s Dilemma" consegue misturar, ação, ótimas atuações e reviravoltas impressionantes.

Usando todas as qualidades de Person of Interest, “Prisoner’s Dilemma “ consegue misturar, ação, ótimas atuações e reviravoltas impressionantes.

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Há séries de TV normalmente têm episódios mais fracos, episódios médios e episódios excelentes, mas chega um ponto que surgem aqueles episódios acima do normal que vai além da excelência, aqueles que aparecerem em todas as conversas quando estivermos relembrando o passado da série. “Prisoner’s Dilemma” tem essas características e a partir de agora entra para o hall de episódios marcantes de POI, como “Baby Blue”, “Flesh & Blood”, “Many Happy Returns”, “Firewall”, “The Contingency”, “Bad Code”, entre outros.

Então vamos a análise, o episódio começa logo após os eventos de “2πR”, aliás a história é uma espécie de finalização do “Arco da Prisão de Reese”. Uma das melhores características deste episódio foi o ritmo que conseguiram empregar, Chris Fisher foi preciso em sua direção, seja nas cenas do interrogatório de Carter (que falaremos mais á frente), seja nas cenas no pátio da prisão ou nos treze minutos finais simplesmente eletrizantes.

Nada disso seria possível se o roteiro não correspondesse às expectativas, felizmente o roteirista David Slack (o mesmo do ótimo episódio “Bury The Lede”) supervisionado por Jonathan Nolan, conseguiu dosar os momentos e tirar as melhores atuações possíveis do elenco principal, a escrita ainda consegue tirar coelhos da cartola com aparições inusitadas e diálogos muito bem trabalhados. O roteiro só peca em alguns pequenos momentos quando tenta surpreender e acaba caindo no óbvio como a cena de Carter e Reese na ponte, mesmo assim as coisas se tornam palpáveis quando conseguimos entender tais motivos de se encontrarem em um lugar tão vulnerável, afinal a relação de amizade deles é algo bem presente no episódio.

O foco de “Prisoner’s Dilemma” como o nome mesmo diz é centrado em Reese, o começo do episódio tem como objetivo mostrar toda ação de interrogatório do FBI liderada por Donnelly e Carter, em cima dos quatro prisioneiros incluindo. Aqui mais uma vez o roteiro se mostra eficiente ao colocar o perfil falso de John ou seria John Warren criado por Finch para conhecermos mais do passado de Reese, sabemos que algumas coisas ali são realmente falsas, mas em outros momentos principalmente a cena de interrogatório com a Carter (aqui utilizando suas habilidades como interrogadora), percebemos que a ficção e a realidade se misturam nas entrelinhas (algo parecido foi mostrado no episódio anterior centrado em Finch) e só quem conhece a história do personagem desde o começo consegue perceber se as palavras são verdadeiras ou se fazem parte do disfarce para despistar o agente do FBI, sendo assim somos agraciados com diálogos que fazem menção até o momento que Mr. Reese está com Jéssica, cena mostrada no piloto da série.

Dessa forma o roteiro consegue tirar uma atuação muito boa de Jim Caviezel e Taraji P. Henson, afinal Reese se abrindo assim só reforça a relação dele com a detetive e vice versa, o que se comprova a cumplicidade mostrada por ela em uma cena com Donnelly já no final do episódio. Por outro lado o passado Reese foi explorado não só no interrogatório, mas também em flashbacks particularmente foram às cenas que mais gostei no episódio, com isso tivemos a volta da ótima Annie Parisse como Kara Stanton. Assim descobrimos bastante sobre o passado entre ela e John, aprofundando no relacionamento de ambos como assassinos da CIA e como Kara moldou Reese para ser o “badass” de hoje, afinal para ser bom no que faz você tem amar seu trabalho.

No presente à medida que a história vai desenvolvendo mais difícil fica para Carter e Finch encobrirem os rastros de Reese, por diversas vezes tentaram arranjar um jeito de incriminar os interrogados e por diversas vezes falharam ou Donnelly percebia algum tipo de sabotagem ou algum jogador de fora também contribuía para que os planos falhassem, o tal problema era o assassino Hersh trabalhando para o chefe de gabinete de Washington para limpar qualquer vestígio que revele alguma ligação com a falecida Alicia Corwin, ele foi designado para matar os quatro prisioneiros interrogados pelo FBI, de alguma forma eles sabem que um deles é o “man in the suit” e acredito que possivelmente os chefões de Washington serão uma ameaça ainda mais perigosa no futuro do seriado.

Com tantos perigos cercando Reese e Carter, uma aliança breve e improvável aconteceu para alegria dos fãs da série, o retorno de Carl Elias foi uma grata surpresa e de certa forma até esperada uma vez que Reese e ele estavam presos no mesmo local, o mais interessante disso tudo é que o chefão do crime organizado estava a par de tudo que estava acontecendo com Reese e o FBI, o que me faz pensar que de alguma forma ele tem colaboradores ainda mais poderosos do que a gente imagina infiltrados dentro das instalações governamentais.

Uma característica interessante é que “Prisoner’s Dilemma” dá oportunidade para todos do elenco principal brilharem mesmo com a história centrada em Reese, Carter, por exemplo, mostrou muito de sua personagem nas cenas do interrogatório, Finch mostrou bastante jogo de cintura como hacker protegendo a detetive e seu amigo de todas as formas possíveis, até Fusco foi usado de maneira bem oportuna, aliás, o caso da semana foi focado nele protegendo a modelo internacional Karolina Kurkova interpretando ela mesma, ainda que essa situação tenha ficado em segundo plano, ela serviu como alívio cômico em diversos momentos para diminuir a tensão da trama principal, o detetive protagonizou momentos antológicos característicos do humor único de POI.

Assim chegamos ao momento derradeiro do episódio, as últimas cenas são simplesmente de tirar o fôlego, John foi libertado graças a Carter, mas o roteiro ainda guardava várias cartadas na manga, com reviravoltas em cima de reviravoltas, o queixo já estava no chão quando aconteceu a cena da batida e que brilhantemente Kara se revelou como autora do feito, ela não só matou Donnelly, mas ainda sequestrou Reese. Com isso a série dá um salto para próximo nível, a excelência narrativa e a qualidade de atuações do elenco são de aplaudir, se alguém tinha dúvidas do quão longe os roteiristas podiam chegar, esse episódio tratou de tirá-las com esse desfecho.

Person of Interest mostra que procedural é só um rótulo, a série mudou esse conceito na primeira temporada e agora na segunda começa a mostrar todo seu potencial, com elenco afiado e roteiristas que sabem o que estão fazendo a série tem um futuro promissor pela frente, depois deste episódio incrível talvez o melhor da série até agora, o que nos resta agora é esperar duas semanas até o próximo. É ironia dizer que maior dilema que Reese irá enfrentar agora é sua ex-parceira Kara Stanton, até onde vão suas intenções? Que problemas ela trará ao team machine? Incógnitas que só serão respondidas dia 31 de janeiro.

Observações de Interesse:

– “I know all about his hunt for the man in the suit, personally they could be called with a better name” – disse Elias sobre a caçada do Donnelly, durante um diálogo com Reese no patio da prisão. Que nome seria mais adequado para John, além de “man in the suit” poderia ser Batman, mas já usarem esse antes.

– “You’re being watched” – disse Carter para John na cena do interrogatório, mas uma feliz menção ao slogan da série.

– Quando uma imagem fala mais do que mil palavras. Finch disposto a tudo para salvar John, cena hilária.

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– Agente Donnelly foi uma baixa na série que sentirei falta, sua morte foi repentina, mas necessária, o ator Brennan Brown mandou muito bem como paranoico agente federal.

– Achei muito bom eles trazerem os antigos donos do Bear de volta a série, os bandidos que apareceram na season premiere finalmente tiveram sua vingança contra John, POI ligada sempre aos detalhes.

– Achei perfeito ligarem os flashbacks até o ponto que o episódio 1×20 parou, com explosão que supostamente tinha matado Kara.

– Que Fusco deu uma de Reese no episódio todo mundo sabe, melhor ainda foi à cena antológica dele atirando em meio a um tiroteio, foi engraçado e despretensioso.

– Cena excelente do Finch caminhando na rua e a machine telefonando para ele, o que mostra que em emergência ela pode atuar em certos cenários de probabilidade quando preciso, neste caso alertar Finch do importante CPF que culminaria na cena mais sensacional do episódio


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