Review | Person of Interest 2×11 – “2πR”

João Paulo

  segunda-feira, 07 de janeiro de 2013

Review | Person of Interest 2×11 – “2πR”

Depois de um tempinho de férias pra recuperar as energias, Person of Interest está de volta!

[π = 3,1415926535…..] “Olhe bem para esses números, todos números que vem depois dessa sequência continuam infinitamente, sem repetirem, todos os números que você conhece, desde a data do seu nascimento até o número de seu armário…..e se convertemos essas combinações de números em letras……podemos conhecer nossa história inteira através dessa sequência infinita…….” – Harold Finch (“Mr. Swift”)

Poi Novo 02

A frase acima me marcou muito neste novo episódio de Person of Interest, aliás que episódio, a série voltou do hiatus ainda melhor. Se esse não foi o melhor episódio da temporada, com certeza está entre um dos mais sólidos e bem escritos. Aqui o roteiro se faz presente de maneira brilhante, seja nos diálogos, seja no desenvolvimento da história.

Antes de entrar na análise geral vamos começar falando do gancho deixado no final de “Shadow Box” ano passado, que começou um arco de episódios sobre “a Prisão do Homem de Terno”. Como sabemos o agente Donnelly prendeu quatro suspeitos de ser o famoso “man in a suit”, sendo que um deles Mr. Reese. A história começa de forma direta e continua logo após os eventos do último episódio situando o espectador sobre os problemas que John irá enfrentar: o primeiro é o macacão laranja da prisão que com certeza não combina com Reese e segundo o problema com DNA coletado pela equipe do FBI.

Os roteiristas escolheram deixar essa narrativa em segundo plano e focar no caso da semana, sem ausência de seu personagem principal, algo semelhante com que fizeram no começo desta temporada com episódio “The Contigency” só que naquela ocasião Finch era vítima, nesta ocasião a situação se inverteu e Reese ficou fora de cena, o personagem de Jim Caviezel apareceu bem pouco mesmo, se brincar uns 4 minutos de cena no episódio todo.

É claro que episódio sofreu com ausência dele, tivemos o menor índice de tiros disparados da história da série, o menor índice de batidas de carro, menor índices de cenas de ação, menor índices de cenas de perseguição, mas sabe qual foi a melhor parte, tirando a falta que sentimos de Reese, todas as opções anteriores não fizeram falta necessariamente nesta história, o caso da semana foi de longe um dos melhores de toda a série e roteiro fez a escolha mais do certa de focar no lado nerd de POI.

A vítima da semana é o estudante de high school (nosso ensino médio) Caleb, gênio recluso e com um passado trágico envolvendo a morte de seu irmão mais velho, ele se envolveu em situações ilícitas na escola e coube a Finch disfarçar de professor para descobrir mais sobre garoto. Fusco entra na história logo depois oferecendo suporte para Finch nas investigações.

Outro ponto positivo do episódio foi o dinamismo entre os personagens regulares, enquanto Finch e Fusco ficaram responsáveis pelo caso da semana, Carter por sua vez ficou a cargo de adulterar as provas de DNA que denunciariam a identidade de Reese, trocando as amostras dele por a de um indivíduo qualquer. Por falar nisso a cena do bar mostrou um lado da detetive que nunca tínhamos visto até então, sexy, gata, atrativa e bem diferente do usual, dê só uma olhada nestas fotos abaixo e tire suas próprias conclusões.

PoI Novo

Enquanto Carter tentava limpar a barra de Reese, Finch estava experimentando a sensação de dar aula. Lembra da frase no começo desta review, sim elas foram ditas pelo seu alter-ego “Mr. Swift”, na verdade acho que a intenção do episódio acima de tudo foi chamar atenção do público norte americano para benefícios da escola e da matemática na vida de seus estudantes, a cena em si foi uma das melhores da história da série, o modo cuidadoso e inteligente como ela foi transmitida foi simplesmente memorável, é por momentos assim que POI se mostra cada vez mais como uma das melhores séries atuais.

A influência de Harold não fica só nesta cena, todas as suas interações com Caleb foram proveitosas em particular na última cena, mostrando uma atuação acima da média de Michael Emerson. Outra qualidade da história foi mostrar que a vítima tem características parecidas com Finch, não só pela mente genial, mas o jeito de lidar com as situações também, em nenhum momento foi preciso de flashbacks para explicar essas semelhanças entre os dois, bastava observar os olhares de admiração de Harold ao ver o algoritmo que Caleb programou ou as artimanhas que o garoto usava para esconder sua genialidade tirando só notas médias, é como se ele visse uma versão jovem dele mesmo.

Falando em flashbacks, uma das peculiaridades do episódio foi utilizá-los não para contar a história de um protagonista, mas sim da vítima, por duas vezes somos levados ao período de 2010 para saber o que aconteceu no passado de Caleb no momento da tragédia envolvendo seu irmão, sem que isso prejudique na revelação da história no final. A sequência derradeira que citei aconteceu na estação de trem, como eu disse antes Finch teve um diálogo excelente com garoto, e o por que de tal conversa? Caleb estava ali para se matar, ao final de tudo descobrimos que a machine deu número de uma vítima que era um perigo para si mesmo, a parte da história que envolvia traficantes e a outra que se passava na aula de programação da escola, foram apenas distrações do roteiro para o real problema.

Como tudo não é perfeito o episódio também teve seus deslizes, a cena final com traficantes de drogas que perseguiam Caleb foi totalmente ignorada da narrativa, ainda que pode se supor que Fusco cuidaria da situação, é estranho nem Finch ou o detetive mencionarem o ocorrido depois. Outra coisa esquisita vem da narrativa de Reese, é estranho que o Agente Donnelly não tenha desconfiado da detetive Carter até agora, ou ele é muito cego e não está enxergando o que está evidente na sua frente ou ele confia muito no caráter dela por saber tudo sobre seu currículo de certinha e incorruptível, prefiro pensar que seja essa segunda opção.

Assim chegamos a conclusão que “2πR” é um ótimo episódio, que mantém o alto nível da série intacto, mostra que mesmo sem Mr. Reese é capaz de fazer uma história que não precise de cenas de ação para funcionar, basta um roteiro apurado que prenda o espectador. Ao final do episódio com caso solucionado a narrativa volta seus olhos para Reese, o plano de Carter trocar as amostras de DNA deu certo, mas a insistência e paranoia do agente Donnelly falaram mais alto, e os três suspeitos acabaram permanecendo presos, resta saber o que acontecerá quando Carter interrogar os tais suspeitos, mas uma coisa é certa, o cerco está se fechando em torno de Reese.

Observações de Interesse:

Arpanet citada no episódio por Finch, é considerada a “mãe” da internet, surgiu em 1969 e tinha como objetivo interligar as bases militares e os departamentos de pesquisa, coincidentemente a rede operacional faz aniversário este mês.

Kevin Mitnick mencionado na aula de programação, foi hacker muito famoso, ele invadiu seu primeira sistema aos 16 anos em 1979, mais tarde ele ficou conhecido por quebrar vários sistemas de segurança e copiar vários softwares, tais ações o levaram a prestar acusações na justiça em 1988. Os sistemas mais conhecidos que ele invadiu foram FBI, Nokia, Motora entre outras empresas famosas.

– Ainda nesta mesma aula tivemos uma referência aos tempos de hacker de Finch, aquele que nunca foi capturado, as expressões que ele faz quando houve sua própria história e simplesmente sensacional.

– Tem coisa mais inteligente do que Finch dar uma folha com os três mil primeiros números da sequência de PI para Caleb e ainda dizer que o número dele estava ali no meio, não ficaria surpreso se o garoto voltasse no futuro fazendo algum tipo de participação.

– Aonde eu posso achar um algoritmo tão eficiente como o do Caleb, capaz de compactar um número absurdo (a nível de terabytes) de dados em um pen drive.

– “That line you talk about, I cross a long time ago.” – Respondeu Carter a Finch durante a conversa entre dois, acredito que essa frase tem referência direta a cena do episódio 1×10 quando Carter deixou Finch e Reese escaparem.

– Pergunta:  esse episódio quase não teve a participação de John Reese e mesmo assim foi muito bom, você fã de Person of Interest assistiria a série se o personagem do “man in a suit” existisse?

– O próximo episódio promete ser tenso, porque a detetive Carter vai ficar frente-a-frente com John no interrogatório e ao que parece Mr. Finch tem um plano de fuga à lá Prison Break, veja a promo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=oPMozBc5Uiw


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