Review | Person of Interest 2×10: “Shadow Box”

João Paulo

  quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Review | Person of Interest 2×10: “Shadow Box”

Novos episódios de Person of Interest agora, só em 2013

Como exceder as expectativas de um episódio, vamos à receita: primeiro misture um bom caso da semana, segundo insira ótimos diálogos e um bom desenvolvimento de seus personagens principais (adicione um pouco de conflito para dar uma apimentada), terceiro acrescente doses equilibradas de ação (cuidado para não extrapolar, é só para dar um gosto), quarto adicione algumas revelações e quinto acrescente o cliffhanger inteligente para deixar a audiência salivando até o próximo ano, junte todos esses ingredientes temos “Shadow Box”, um ótimo episódio Person of Interest para fechar o ano com chave de ouro.

 PoI 10

A frase acima pode soar um pouco exagerada, mas não a dúvidas que esse episódio de POI foi excepcionalmente bom de assistir, movimentou todas as histórias, trouxe algumas informações e principalmente ousou quando teve que ousar, sem medo de dar um passo em falso e sem medo de ser feliz.

Vou começar falando do caso da semana, no episódio passado o principal ponto baixo foi à vítima escolhida, os excessos de cena e o foco demais no personagem atrapalharam um pouco o desenvolvimento do episódio, mas nada como um capítulo após outro e uma semana no meio, para reparar certos equívocos. Neste episódio o caso da semana foi interessante e de certa forma bem integrado ao enredo, a vítima da vez é Abby Monroe uma engenheira que trabalhava no escritório de planejamento, antes disso ela trabalhou em uma instituição de caridade que ajuda ex-militares, logo depois que seu irmão morreu no Afeganistão, na verdade essa segunda história foi a principal motivação das ações dela e de seu namorado Shayn no episódio.

Essa trama em particular foi muito bem aproveitada, ela afetou Reese em um nível mais pessoal, porque antes de ser agente, ele também foi ex-militar então a certa simpatia pela história de Abby e Shayn, mesmo que seus métodos não estejam dentro da lei, eles são justificados pelo fato de estarem perseguindo um vilão, no caso o gerente do escritório de planejamento que desviava dinheiro do fundo dos militares veteranos. Reese dentro de suas convicções vê oportunidades como essa de realmente salvar vidas e fazer algo mais, motivações que somente um herói consegue perceber, e como o consideramos ele de certa forma um super-herói sem capa e uniforme, esse fato se torna ainda mais compreensível. É claro que Finch não vê isso com bons olhos e é claro que ele tem certas razões, porque explodir bancos e arrombar cofres não é o principal objetivo deles.

Ainda que essas questões levem a certa discordância entre os dois, não à como negar que Reese e Finch acima de tudo são amigos, mais do que nunca o roteiro deixa claro nos diálogos e além do respeito mútuo nenhum interfere no modo de agir do outro, mesmo que isso traga algum risco. É claro que certos riscos chegam um ponto sem saída para Reese, mais ainda não é o momento de falar sobre isso, vamos direcionar o foco as tramas paralelas agora, começando pela HR.

Anteriormente ficou claro que a HR seria o foco dessa temporada e após a cena final com Fusco, era certo que voltariam o assunto o quanto antes. Se no episódio anterior essa trama foi a mais interessante, neste episódio ela ficou um pouco mais deslocada do que o normal, tanto que o Fusco apareceu mais como uma participação aqui, não contribuindo muito para o desenvolvimento da história, mas é fato que ao descobrir que o novo affair da Carter, o detetive Beecher é afilhado do chefão da HR foi de fato algo bem interessante, resta comprovar se ele sabe quem Quinn realmente é ou senão faz a mínima ideia, seja como for, abriram uma lacuna no plot da HR para Carter entrar, achei muito importante essa conexão.

Ainda sobre a organização criminosa, Quinn continua em busca de aliados, Elias fechou a porta, então ele foi procurar alianças na máfia russa (veja mais detalhes na observação abaixo), inimiga direta do chefão desde os eventos do episódio sete da primeira temporada. Mais uma vez essa trama toma contornos de preparação para um grande conflito que está para surgir, por enquanto os olhos da narrativa está voltada para HR, mas com certeza em breve teremos um foco voltado para Elias, resta saber aonde o “team machine” vai sem encaixar no meio desta disputa.

Se no plano de fundo a uma ameaça eminente de guerra entre facções criminosas, no plano principal a bomba estourou de vez. A história paralela envolvendo Carter e o FBI perseguindo o “man in the suit” chegou ao seu ápice, enquanto o roteiro gera conflitos para Reese e Finch se preocuparem, isso serve como distração para que a operação do agente Donnelly se concretize. Todo esse arco em movimento elevou a tensão do episódio em níveis máximos, a resolução não poderia ter sido menos que inteligente, é fato que nessas ocasiões é fácil pensar que a história possa cair no clichê do gênero ou pior cair na previsibilidade, mas isso não acontece aqui, graças ao excelente trabalho de filmagem realizado.

Aliás a parte técnica foi o diferencial a mais nos últimos minutos do episódio. O diretor Stephen Surjik foi muito feliz ao conseguir mesclar a narrativa de Reese com a do FBI, fazendo com que uma seja complemento da outra, inclusive quando falei da filmagem bem feita, basta reparar no enquadramento quando Donnelly e Carter chegam para comprovar a identidade do “man in the suit”, note a expressão de alívio da detetive depois de ver que não era o Reese, repare quando a câmera afasta abrindo todo espaçamento revelando não só um, mas quatro homens vestidos de terno para surpresa dela e de todos, simplesmente primoroso, parece filme com características de série.

Chegamos assim ao fim do episódio, Reese insistiu em ultrapassar os limites que lhe cabiam para ajudar Abby e Shayn, tal ato deu brecha para FBI quase ser bem sucedido em seu plano, mas por ironia do destino e graças às circunstâncias favoráveis pode ser que ele ainda escape, mesmo em poder do agente Donnelly, mas a pergunta que fica é: O que acontecerá com Mr. Reese na mão dos federais? O que Finch, Carter e Fusco, farão para resgatá-lo? HR e Elias irão entrar em guerra? De que lado o detetive Beecher está? Muitas perguntas, muitas possibilidades e muitas situações em aberto, o jeito agora é esperar até ano que vem para descobrir, mas não a como negar, se papai Noel existe, o presente dele aos fãs de POI chegou mais cedo.

 

Observações:

– Tempo de relembrar: Se você esqueceu o episódio sete “Witness”, então não percebeu a referência à família russa Yogorov em “Shadow Box”, o patriarca da família foi morto por Elias, quando o mesmo se revelou no final daquele episódio. Então os filhos (Peter e Laszlo Yogorov) do chefão com certeza têm bons motivos para se unir a Quinn.

– Semente da desconfiança foi plantada em Simmons, como Fusco ele ficou interessado no encontro entre Quinn e Beecher.

– C.O.D. está para Get Carter, assim como Shadow Box está para Number Crunch, estrutura semelhante, mas abordagens diferentes.

– Ainda que pequenas, foram divertidas as participações do Bear na história, sem falar que o banho dele gerou diálogos bem engraçados entre Reese e Finch.

– O agente Donnelly fez uma proposta para Carter trabalhar no FBI, será que ela aceita? Ela já tem o meu apoio para aceitar.

– “Is not even 7:00 AM and already a perfect Day” (E nem ao menos é sete da manhã e já é um dia perfeito) – foi a frase de Quinn ao ouvir de Simmons que o FBI tinha localizado o homem de terno.

– Ainda não tivemos flashback de Reese nessa temporada, pensei que aconteceria nesse, mas acho que acontecerá mais para frente.

– Um final de episódio eletrizante mereceu uma trilha sonora a altura, para os interessados a música que toca no final se chama “Gimme Shelter” dos Rolling Stones.

– 3 de janeiro é quando a série voltará do hiatus, menos mal, são apenas menos de três semanas de espera.

– Feliz Natal e Próspero Ano Novo, até ano que vem com mais episódios de POI.


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