Review | Person of Interest 1×14: “Wolf and Cub”

  Leandro de Barros  |    segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Teoria do Batman volta a atacar. A série mostra mais uma vez semelhanças com o Homem-Morcego

Ou “o dia em que Person of Interest não se deu o trabalho de suavizar o paralelo com o Batman”. Spoilers abaixo.

Jim Caviezel e Astro

Quem acompanha as besteiras que eu escrevo sobre Person of Interest aqui no Supernovo, já deve ter pego uma ou duas referências ao Batman que eu fiz. Hoje, irei além e vou imaginar como foi o encontro entre Jonathan Nolan e J. J. Abrams quando criaram a série:

Abrams: “Falaê, Nolan! Tudo em cima?”

Nolan: “Não, tudo embaixo, ahahaha”

*a imaginação é minha e eu quero que seja assim, não me julguem*

Abrams: “Já conseguiu se curar daquela gonorréia que você pegou daquela safada na Suécia?”

Nolan: “Ah, já sim. Não há nada que um bom médico e alguns milhares não curem. E aquela festa repleta da cocaína, tiros e prostitutas? Quando vamos repetir?”

Abrams: “Tô agitando alguma coisa pra terça-feira que vem. Te dou um toque depois”

Nolan: “Beleza…”

*alguns minutos depois*

Abrams: “Cara, sabe o que seria massa? Uma série de TV do Batman…”

Nolan: “Eu concordo! Mas do Batman não rola, né? A Warner não ia liberar os direitos assim. E se fosse do Asa Noturna?”

Abrams: “Melhor… e se fosse de um cara que é igualzinho o Batman, mas tem outro nome?”

Nolan: “Ele poderia ser mais real, como se fosse uma pessoa mesmo. Sem usar uniforme nem nada.”

Abrams: “Começa a escrever Nolanzinho”.

Bom, se não foi isso, deve ter sido algo muito parecido com isso. A verdade é que Person of Interest acaba se mostrando como “as histórias do Batman que Nolan nõa contou no filme”, guardadas às devidas proporções. Não que isso seja ruim, essa não é uma crítica negativa. É apenas uma constatação considerando o material apresentado e o nome dos envolvidos.

Adiando um pouco mais o episódio, vou terminar minha teoria. Mr. Finch (Michael Emerson) e Reese (Jim Caviezel) são, os dois, “personificações” do Batman. Cada um com um lado do herói vigilante. Enquanto Mr. Finch herda a fortuna, as habilidades tecnológicas (trabalhando nas missões um pouco como Oráculo também. Mas o próprio Batman costuma fazer esse serviço de apoio técnico em algumas missões da Liga da Justiça) e o lado reservado, Reese tem a capacidade atlética, o jeito frio e cínico de tratar amigos como recursos e a índole boa mesmo quando se faz algo ruim. Os dois juntos exploram um lado do Batman pouco visto nos filmes: o lado do detetive mais famoso do mundo. Carter (Taraji Henson) é o Detetive Gordon, claro. E, no episódio de hoje, o pequeno Robin.

Wolf and Cub começa com Finch e Reese entrando no antigo esconderijo, que havia ficado comprometido no último episódio. Como a máquina não aguarda por detalhes desse tipo, um novo número já está disponível e é de um garoto pequeno. O irmão mais velho desse garoto foi morto e agora o pequeno Darren planeja vingança.

Entre as coisas que adorei no episódio, estão as referências à histórias dos samurais e ronins no Japão, algumas óbvias e outras nem tanto, e o poster de Samurai 7, que apareceu logo no comecinho do episódio.

O caso em si foi meia-boca, servido mais como desculpa pra interação do Finch como “tutor” de Darren e como ele tomaria uma atitude diferente de todos os outros, preferindo controlar Darren levando-o junto ao invés de deixar o garoto para trás. Dessa vez, Fusco (Kevin Chapman) teve mais destaque, levando até um tirico na bunda, enquanto Carter se tornou a versão feminina do antigo Fusco: só serve pra justificar os protagonistas terem acesso à informações da polícia. Alguém avisa a Carter que a relevância está com saudade.

Esse episódio deixou clara a “teoria do Batman” na série. Seja em cenas óbvias, como o apagão dentro da comic shop no fim do episódio, ou em formas mais sutis, como a relação de Reese com Daren lembrar a de Batman e Robin, por exemplo.

Na trama da temporada, que ainda é desvendar o passado dos dois protagonistas, fomos enganados pela maquiagem de algo importante. O tal Will Ingram, filho do melhor amigo de Finch que aparece sempre nos flashbacks, aparentemente não causou o tumulto que se esperava. O garoto não conseguiu descobrir nada, apenas apresentou uma nova personagem que chamou a atenção do Mr. Finch.

No final, nós vimos que a máquina se marcou Reese como perigoso e vai ficar de olho no cara. Muita curiosidade com o que acontece com quem a máquina escolhe outras soluções.

Episódios anteriores:


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