Review | Game of Thrones 2×09: “Blackwater”

  Leandro de Barros  |    segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um tributo para os Lannisters, uma homenagem aos leões e o episódio que coloca Tyrion Lannister como um dos melhores personagens da televisão.

Em um episódio escrito por George R.R. Martin, focado inteiramente nos Lannisters e com direito até à The Rains of Castamere no final, a frase de abertura da review de hoje só poderia ser uma:

“HEAR ME ROAR!”

Spoilers abaixo.

Assim como Fringe assumiu a tradição de fazer um episódio ultra-mega-motherfucker por temporadao (o tal episódio 19 de cada temporada), Game of Thrones parece seguir um caminho parecido. No ano passado, o mundo que acompanha séries ficou chocado ao ver a cabeça de Ned Stark (Sean Bean) rolar no episódio Baelor, o nono da primeira temporada da série.

Agora, na sua segunda temporada, a série volta a entregar o melhor que é capaz justamente no seu nono episódio, com o destaque mais do que merecido aos leões de Westeros.

No último episódio, nós vimos que Stannis Baratheon se dirigia até Porto Real com o objetivo de cortar a cabeça de Joffrey Baratheon e de todos os Lannisters que o cercam: a Rainha Cersei, o jovem Tommen e até o favorito de todo mundo, o anão Tyrion Lannister.

O problema para o irmão dos falecidos Robert Baratheon e Renly Baratheon é que um veado (animal símbolo da Casa Baratheon) não caça leões. Já o contrário, é a mais pura verdade.

O episódio começa comos preparativos para a guerra. De um lado, Sor Davos Seaworth, o Cavaleiro das Cebolas, conversa com o filho para nos dar um esclarecida sobre como as coisas estão do lado de Stannis. A tropa do Baratheon é muito maior do que o exército disponível para defender a capital dos Sete Reinos e os mais religiosos dali acreditam que o tal Senhor da Luz de Melissandre vai ajudá-los a vencer.

Do outro lado da muralha, Tyrion admite para Shae que está com medo do que vem por aí. Ele sabe que nenhum Lannister será poupado caso a batalha não seja favorável para os leões.

Mas não há muito tempo para devaneios: a tropa de Stannis já chegou e a batalha acontecerá no meio da noite. Tyrion se arma e pega com Varys um mapa dos túneis subterrâneos da cidade. Item que se revelará importantíssimo em breve.

Enquanto os preparativos começam a ser feitos, o mercenário Bronn aproveita seus últimos momentos de paz ao lado de uma tchutchuquinha, garantindo assim a cota de peitinhos do episódio. Tudo decorre na mais santa paz (e já aqui temos a primeira palhinha da canção The Rains of Castamere) até que o Cão de Caça chega no lugar. O pau quase come entre Bronn e Cão de Caça (e considerando que tinha uma senhorita nua no local, eu diria que o pau comeria da maneira errada) e os dois só não se matam porque não há tempo: a tropa de Stannis chegou e o bicho vai pegar!

And who are you, the proud lord said, ♪
that I must bow so low? ♫
Only a cat of a different coat, ♪
that’s all the truth I know ♫

Todo mundo apronta os últimos detalhes, passa gelzinho no cabelo, veste a armadura, amarra a chuteira e se prepara para ouvir as instruções do treinador antes de entrar em campo. Joffrey até ganha um beijinho na espada dado por Sansa (e olha que eu nem estou fazendo uma das minhas tradicionais piadas sem-graça).

O alto escalão de Porto Real se reúne sobre as muralhas da cidade para ver a frota de Stannis Baratheon se aproximar. E é aí que uma das minhas previsões se torna realidade. No episódio 5, Tyrion descobriu que a cidade tinha em sua posse uma quantidade absurda de fogovivo, uma substância que, em poucas palavras, QUEIMABAGARAI. Na review desse episódio, eu citei o sábio Capitão Nascimento e diss: “Isso vai dar merda”.

E que merda. Com uma singular flechada, Tyrion manda a tropa de Stannis Baratheon para as cucuias, para o colo do Capeta, para conhecer o Senhor da Luz, para comer grama pela raiz, fazer figuração em filme de zumbi… enfim, Tyrion detonou geral e rugiu pela primeira vez.

In a coat of gold or a coat of red, ♫
a lion still has claws, ♪
And mine are long and sharp, my lord, ♫
as long and sharp as yours ♪

Só que o nosso amigo Stannis não é um daqueles homens que se assusta com o rugido de um leão. Não tenho frota para ir pelo mar? Vou pela terra mesmo! O Baratheon aporta com o seu exército na costa de Porto Real e a batalha mano-a-mano começa.

Nessa parte é espada pra cá, flechada pra lá, pedra caindo do céu, lança entrando no coração, lutas, lutas, lutas, OLHA O CÃO DE CAÇA CORTOU UM CARA NO MEIO!, mais lutas, lutas, lutas, outro maluco perde a cabeça *tum dum psst*, sangue, suor e cabeludos se atacando. É basicamente um show do Matanza, mas com um pouco menos de violência.

Nesse momento, é preciso destacar o trabalho da HBO. Considerando que Game of Thrones é uma série (e é das caras!) e não tem o apoio de uma bilheteria de cinema pra se bancar, é impressionante o trabalho da HBO em fazer a cena com qualidade. Táticas de combate medievais foram recriadas ali em poucas cenas. É claro que o texto de George R.R. Martin ajuda, já que ele próprio faz uso dessas táticas, mas a recriação delas na tela foi algo lindo de se ver.

Com o cenário todo em chamas por causa da explosão de fogovivo, o Cão de Caça (queimado quando criança), entra em pânico e manda todo mundo voltar. E é aí que nós vemos o segundo rugido de Tyrion Lannister.

Quando ordenado voltar para a batalha, o Cão de Caça é simples: “Foda-se a Guarda Real, foda-se a cidade e foda-se o Rei”. Por mais que eu goste de ver alguém mandar o Joffrey se foder (e a cara impagável que o rapaz fez depois disso?), eu ainda assim fico dividido com a reação do Cão de Caça. Obviamente ele nunca foi o tipo de cara que morreria por honra, pela vitória dos Lannisters ou qualquer outra coisa. Se o bicho pegou, ele vazaria mesmo. E quem pode culpá-lo? Mas enfim, achei que ele foi meio salafrário.

Com o Cão de Caça longe, o Rei Joffrey precisa liderar o exército em batalha. Sor Lancel, o primo Lannister, chega com um aviso da Rainha dizendo que é pro Joffrey se proteger e tal. Típico aviso de mãe. E é nesse momento que o personagem chega na sua encruzilhada definitiva.

Vejam bem, Joffrey é, oficialmente, um Baratheon. Seu nome é Joffrey Baratheon, filho de Robert Baratheon, ou ele não poderia sentar no Trono de Ferro. Porém, na verdade, Joffrey é um Lannister, filho de Jaime Lannister. Durante toda a série, o personagem sempre oscilou entre os dois lados, entre ser um leão ou ser um veado (gente, parem de rir…). Entre ser a caça ou o caçador, entre ser a fera que assusta ou a presa que se esconde na saia da mãe.

Nesse momento, quando os soldados pedem sua liderança e quando sua mãe pede que ele se esconde, é o momento de Joffrey decidir: ele é um leão ou um veado? Uma coisa que eu gosto nesse personagem é que ele nunca nos decepciona. Joffrey corre para se proteger e deixa os soldados para serem liderados por quem puder.

Se o cão não está presente e se o Rei foge, o verdadeiro leão precisa aparecer. Tyrion Lannister assume a responsabilidade e com um discurso de levantar defunto, arma o contra-ataque contra as forças de Stannis Baratheon.

O meio-homem é até que bem sucedido em um primeiro momento, quando chega a destruir parte da tropa de Stannis (marcando com isso seu terceiro rugido no episódio). Porém, o resto dos soldados se aproxima e a batalha recomeça. Nesse momento, Tyrion se vê frente à frente com um rapaz com o tripo da sua altura e, pelo menos, quatro vezes seu peso. Indefeso, Tyrion acaba levando uma espadada no rosto, antes de ver seu agressor ser morto por Podrick, seu escudeiro – uma pequena indignação aqui: só agora que apresentam o Podrick? :(

Com a cabeça aberta pela metade, Tyrion lentamente cai, enquanto ouvimos a história da mãe leoa com o seu filhote, contada por Cersei, e vemos Tywin Lannister, o patriarca da família, chegar e derrotar os últimos soldados de Stannis.

But now the rains weep o’er his hall, ♪
with no one there to hear ♫
Yes now the rains weep o’er his hall, ♪
and not a soul to hear ♫ 

Essa cena foi simplesmente fantástica. Sério, achei uma das melhores cenas da série até hoje. Três personagens, três leões compões a tríade que forma a uma das cenas mais belas de Game of Thrones. De um lado, uma leoa tentando proteger seu filho da dor. Cersei mostra seu lado mais humano, seu grande amor, sua parte que a faz fraca, como ela mesmo diz. Mas Cersei é forte e planeja evitar que seu filho sofra nas mãos dos captores. Reparem em um detalhe: ela planeja que Tommen tome o tal veneninho. Não Joffrey, que arrumou essa confusão, não Tyrion e nem ela. Tommen, seu filho, o único inocente nessa história toda.

Do outro lado, Tywin Lannister. Símbolo de força, o leão em seu estado máximo. Como o rei da floresta, Tywin chega e detona com a tropa de Stannis, pisando nos seus adversários.

No meio disso tudo, Tyrion Lannister, o anão odiado pela família. Sagaz, corajoso, heróico e, ao mesmo tempo, azarado, Tyrion tomba em combate, coisa que nunca foi seu forte. Sem culpa por causa do que o faz odiado, Tyrion teve seu momento de Jaime Lannister, seu momento de vitória em combate, de adoração. Por um fugaz instante, o meio-homem esteve no topo, foi o herói da noite. Mas agora a chuva chora no seu salão e ninguém está lá para a ver. Sim, agora a chuva chora no seu salão e ninguém está lá para a ver

Antes de terminar a review, ainda faltam alguns pontos a comentar:

  • Sansa Stark agiu como uma rainha no momento de crise. Sansa soube acalmar as outras mulheres e ainda protagonizou uma das cenas mais humanas em que o Cão de Caça esteve envolvido. Sansa o aceitou ao olhar em seus olhos e saber que ele não faria mal. Bem, aceitou entre aspas, mas enfim. Foi uma cena bonita;
  • Cersei bêbada com as outras mulheres = uma das melhores personagens da série. Não vamos deixar a Cersei morrer tão cedo, por favor
  • Já comentei a qualidade da produção da HBO no combate, nos efeitos especiais, nas táticas de luta e tudo o resto? Já? Então comento de novo: tava foda demais!
  • O pobre Sor Davos morreu? Deve ser difícil sobreviver à uma explosão daquelas, mas seguimos aquela velha lei de Hollywood: se não vimos o corpo, não contamos a morte
  • Eu gostaria de ter visto a corrente do Tyrion em ação no episódio. Foi um plano genial nos livros e realmente dá a impressão de que o anão defende a cidade com maestria

Promo do próximo episódio

http://www.youtube.com/watch?v=NZq-UUeC4Wc

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