Review | Fringe 5×08 – The Human Kind

João Araújo

  domingo, 09 de dezembro de 2012

Review | Fringe 5×08 – The Human Kind

O plano de Peter desenvolve-se e aproxima-se de um fim... mas não o que todos esperavam. Ai, o que o amor faz...

The Human Kind foi um bom episódio na medida em serviu de metáfora às várias facetas da espécie humana, como o próprio nome do episódio indica. Para além dessa representação, foi ótima a comparação que foi estabelecida entre a nossa espécie e a dos Observadores, verificando-se a divergência emocional. Peter, por exemplo, é o sujeito que muda aparentemente de lados mas mantém os objetivos fiéis à sua espécie, apesar de começar a ser dominado pela rival. O seu plano mantém-se de pé: matar Windmark. Enquanto traça o seu futuro, leva Windmark a conhecer as suas novas tecnologias, abrindo assim jogo. E a verdade é que, apanhando uma vez o Observador, uma segunda não é impossível.

Contudo, a nova situação de Peter traz inconvenientes. Walter sente-se agora mais sozinho, já que está a perder o filho que prometera estar ali para si, apoiando-o e não o deixando tornar-se no homem que fora. Mas o pior está para vir: após realizar testes a um exemplar de um dispositivo de Peter, fornecido por Anil a Olivia, Walter descobre que o aparelho leva a um crescimento do cérebro, resultante de enorme atividade neurológica. E com este crescimento, a área reservada aos sentimentos, começa a ser afundada. E prova disto é a constante frieza de Peter face aos que se preocupam consigo, preocupando-se apenas com o seu plano.

Olivia decide que, enquanto Astrid e Walter investigam o dispositivo, ela irá ao destino apontado na oitava gravação: uma sucata de ferro-velho, à procura de um íman de tamanho industrial. Lá é recebida com desconfiança e quando pensamos que está prestes a ser traída e denunciada aos Observadores, entendemos se passa exatamente o contrário. Simone, a dona, conta-lhe que a espera há 21 anos com um camião que transporta o íman. A sua mãe tinha sido abordada por um homem de cabelo grisalho que lhe falara de como planeava salvar o mundo e o quão essencial seria esse íman. Desde então Simone guardou-o, nunca perdendo a esperança de que alguém viria. Esta nova personagem apresenta algo a que podemos chamar poderes, já que ela consegue saber coisas que mais ninguém sabe. Como o facto de saber que Olivia perdera a sua filha duas vezes. Mas Olivia vê este dom como uma anomalia. Não interessa que ela acredite que alguém lho tenha dado ou até mesmo acreditar numa razão para o ter. Atribuir um significado a isso é só uma forma de conforto. Olivia fala das suas anomalias e de tudo o que viu e, com tudo isso, sabe demasiado acerca da origem das coisas e não consegue ver algo como um dom.

Enquanto se dirigia de volta à cidade com o camião e o íman, foi apanhada por dois indivíduos que a raptaram, com o intuíto de a denunciar e obter recompensa. Graças à bala de Etta que Olivia sempre guarda, esta consegue escapar aos dois e voltar de novo à estrada. Contacta Walter e diz-lhe que já tem o íman, mas é surpreendida quando o cientista lhe conta que Peter esteve no laboratório após uma luta com Windmark e que se dirigiu para o local do seu novo plano.

Olivia encontra Peter numa varanda à espera do Observador. Quando Windmark passar na praça às 19:19, diz ele, isso significará que estará de volta ao futuro que Peter traçou para ele, que irá terminar com a sua morte. Mais propriamente no dia seguinte, quando às 17:12 Peter o encontrará sem ele esperar, às 17:13 partir-lhe-á o pescoço e às 17:14 ele irá respirar pela última vez. Contudo, Olivia riposta com este plano, dizendo que isto fará com que ele seja completamente afetado pelo dispositivo, algo que ele sabe. Desesperada, diz-lhe que a filha está com eles, e até a salvou naquele dia graças à sua bala, e que Windmark não pode fazer nada quanto ao amor que sentem por Etta. É um excelente discurso sobre os sentimentos e os dois gumes fraqueza x força, associados às emoções.

Olivia: I love you.

Dito isto, um flashback de vários momentos de Etta, Walter, Astrid e Olivia passam na cabeça de Peter (arrepiou), lembrando-o que a forma como estava a abordar a situação era errada. Com uma faca, remove o dispositivo do seu cérebro, terminando o episódio numa noite iluminada pelas luzes da cidade, numa varanda somewhere.

————-

Este episódio, tal como referido inicialmente, mostra-nos várias facetas da nossa espécie. Revela o quão desconfiados somos, quando Olivia se encontra na sucata e aponta uma arma a Simone, pensando que esta a traíra; o poder de acreditar, quando Simone, após o discurso de Olivia em relação às anomalias, não a leva a mudar de opinião, acreditando na importância do seu dom; a maldade que existe entre a nossa própria espécie, quando Olivia é raptada e quase denunciada, não por Observadores ou até mesmo Legalistas, mas simples humanos; o medo que predomina na nossa espécie, quanto a perder aqueles que amamos; e a metáfora chega ao auge na cena final entre Peter e Olivia, evidenciando a força que o amor tem e a forma como molda os humanos, alterando-os e tornando-os únicos.

In conclusion, foi um bom episódio com alguma reflexão e que muda todo o rumo das coisas. Irá Peter estar como dantes? Sem dúvida agora o foco serão novamente as gravações e espero que tenhamos mais respostas acerca da forma como todos os elementos do plano se relacionam.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários