Review | Awake 1×02: “The Little Guy”

  Leandro de Barros  |    terça-feira, 13 de março de 2012

Tudo ia bem, maravilhosamente bem. Até que surge uma nuvem no céu de brigadeiro. Poderá Awake repetir o mesmo erro que outra série cometeu há 10 anos atrás?

Sabe quando um episódio é muito bom, te entretem, te faz pensar um pouco… enfim, cumpre o seu papel? Aí sabe quando esse mesmo episódio tem uma cena no final, de alguns poucos segundos, que consegue estragar tudo?

Então.

Teoricamente, eu teria de vir aqui e elogiar o episódio. Afinal, The Little Guy foi um bom episódio. Não deixou a bola levantada pelo episódio anterior abaixar, manteve as boas atuações e eu particularmente gostei dos diálogos e dos acontecimentos do episódio.

Mas eu não consigo vir aqui e elogiar um episódio que termina daquela maneira.

Antes de expressar minha frustração com o os minutos finais de The Little Guy, deixe-me contar uma história sobre uma outra série com uma premissa muito interessante.

Em 2002, Dominic Purcell (Prison Break) estrelou John Doe, um drama policial. A série girava em torno de um homem que cai do céu, sem roupa, no mar (numa vibe meio Kubanacan, lembra?). Acontece que o tal fulano aparentemente sabe de tudo. E quando eu digo tudo, é tudo. Ele tem no cérebro informações que nem o Google-Todo-Poderoso sabe. A única coisa que ele não sabe é o seu passado. Aí ele começa a resolver crimes com a policía, blablabla, em busca do passado, blablabla, namorico com uma gatinha aí, etc.

A série ia muito bem, eu gostava muito. Até o ponto em que surgiu uma conspiração maligna com uma espécie de sociedade secreta que era lokona de dorgas e tchapum. Eu lembro que tinha alguma coisa a ver com a Fênix e, se não me falhe a memória, tinha aliens no meio. Eu tenho quase certeza que tinha aliens nessa história, embora eu possa estar confundindo.

O que eu quero dize ré: pegaram uma série que tinha um potencial enorme e estragaram tudo com uma história de uma conspiração maligna-from-hell-de-gente-muito-loka-com-uns-poder-psíquico que não cabia ali. Peguei trauma.

Aí vejo Awake, que tá show de bola, dois episódios de altíssimo garbo e elegância, e me manda a hipótese de uma conspiração maligna sendo a causa de tudo?

Pra quem não lembra o que acontece no fim do episódio, a chefe do Britten aparece conversando com um homem misterioso. Ela fala que eles não deveriam ter matado a família do Britten (!), que não era pra ser assim, que ela está monitorando o detetive e ela quem manda ali. Ou seja, sugere que houve uma conspiração para matar o Britten ou, como já tem gente tecendo teorias, uma conspiração pra criar as duas realidades diferentes através do Britten. Por fim, ainda confirma que um homem baixinho estava envolvido no acidente que causou toda a confusão.

Eu sinceramente acho que não cabe, em Awake, uma conspiração desse tipo. Awake mostrou ser, até agora, um drama pessoal, uma história focada em um homem que perdeu mulher e filho e a forma como ele lida com a perda. Awake  não é Fringe. Em Fringe cabe uma conspiração maluco de gente causando acidentes em detetives e criando realidades alternativas com isso.

Na minha singela e modesta opinião, a única maneira de explicarem essa história e não meterem os pés pelas mãos é seguir o básico: o nobre senhor Britten (Jason Isaacs) descobriu alguma coisa no trabalho, aí mandaram apagar o cara. O acidente não deu muito certo, mas serviu pra ele perder a memória. Realidades alternativas e patati-patata? Tudo isso é efeito colateral que os caras nem imaginaram, provavelmente uma viagem do próprio cérebro do Britten e as tais realidades nem existem, é tudo imaginação. Simples e direto: era pra matar o Britten, não rolou, aí deu essa pica aí que ninguém esperava.

Agora, sem mimimi, sobre o episódio em si. Aos poucos, Britten começa a conciliar as duas realidades e começa a fazer uso delas. Desde coisas simples, como ver qual amaciante a mulher usa na hora de lavar as roupas e usar igual na outra realidade, até coisas mais complexas, como direcionar suas investigações para solucionar os crimes.

A série tem negligenciado seu lado “policial” para favorecer seu lado drama. Afinal, Awake possui a relação de Britten com o filho, de Britten com a mulher (Laura Allen), as sessões com os dois terapeutas e ainda precisa dar tempo de tela para os outros personagens sem a presença do Britten, para que eles possam se desenvolver sem estarem grudados no protagonista.  Ainda encaixar crimes elaborados na fórmula, fica complicado.

Nesse episódio, nós ficamos com o “lado positivo” dessa vida dupla de Britten. Ele ganhou uns pontinhos na relação com Rex (Dylan Minnette), ajudou a mulher a lidar com a perda do garoto e ainda resolveu um crime. Mas nem sempre o fato de viver em duas realidades (ou pelo menos se ver em duas realidades) vai ser benéfico para o detetive. Num exercício de futurologia, prevejo que ele vai acabar cometendo erros ao “seguir seu instinto” em breve, pra começar a ver  o perigo de viver nesse mundo duplo.

Afinal, é preciso ter um pouco de conflito, certo? Resolver tudo com facilidade fica tedioso bem rápido. E, pela promo divulgada pelo NBC, o próximo episódio deve ser tudo menos tedioso.

http://www.youtube.com/watch?v=hdTkBWJJ0dU

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