O Coringa Guitarrista e outros atores que queriam ser músicos
Felipe Perazza

Felipe Perazza
@AndarilhoMusic

  terça-feira, 21 de julho de 2015

O Coringa Guitarrista e outros atores que queriam ser músicos

Assim como Jared Leto, outros vários atores se aventuram no mundo da música e vice-versa

Como músico Jared Leto é um grande ator. Digo isso porque não sou lá grande fã de seu trabalho frente à banda 30 Seconds do Mars, banda que esteve no Brasil no ano passado. Em compensação, compro todos os filmes em que ele se encontra no elenco de olhos fechados. Meus preferidos são O Senhor das Armas e Requiem para um Sonho, mas vale a menção aos Clubes, da Luta e de Compras Dallas – neste último, tenho que admitir, o ator quase me fez chorar.

Sua aparição como o novo Coringa em Esquadrão Suicida é algo que espero ansiosamente e, mesmo ele quase não fazendo nada no novo trailer, tenho certeza de que verei algo único e perturbador como só ele sabe fazer. Isto é, nos filmes, é claro. No palco nem o seu show-culto vestido de Messias me anima.

Fico me perguntando por quê me empolgo tanto com os novos filmes e tão pouco com novas canções destes mesmos atores músicos. Será possível, afinal, ser tão bom tocando uma guitarra quanto atuando? Imagino que não. E acho que Deus foi justo fazendo o mundo assim. Imagine conviver diariamente com centenas de Leonardos da Vinci? Seria realmente difícil para os outros mortais serem bons em qualquer coisa.

Ser ator é, por si só, uma profissão que demanda tempo e foco. É comum, na indústria dos filmes que os atores permaneçam semanas – até meses – em países distantes gravando suas cenas. Muitas vezes eles emendam um filme atrás do outro e há casos (não isolados) de atores que morreram devido à sobrecarga física e emocional de seus papéis.

A música, como a atuação, é outra arte que demanda tempo e concentração. Quando falamos numa banda, a coisa é ainda mais séria, uma vez que o grande diferencial de um grupo musical é justamente o entrosamento entre seus integrantes, atributo este que só cresce e se fortalece com os músicos tocando juntos constantemente. Pense em Keith Richards e Ron Wood dos Rolling Stones. Os caras tocam juntos há mais de 50 anos. Não precisam nem falar para conversarem. A música é a sua comunicação, quase como uma telepatia.

Provavelmente não seria o caso se um deles também fosse ator.

1421862617_johnny-depp-zoomDessa forma não é de se surpreender que atores tão bons, ainda que apaixonados pela música, não atinjam o mesmo destaque no ramo musical. Veja o caso de Johnny Depp, por exemplo. O homem é, sem dúvida, um dos maiores nomes de Hollywood e seus personagens são, ainda que muitos questionem, certamente inesquecíveis. O eterno Capitão Sparrow também tem sua quedinha pela música e aparece vez e outra tocando em algum evento ou assinando uma participação especial com alguma bandas embora nem de longe receba o mesmo destaque que consegue na frente das câmeras.

Como Depp e Leto há muitos outros: de Will Smith a Bruce Willis. Alguns fazem a música por puro Hobbie, outros levam mais à sério as carreiras.

Há um curioso filme que lida com esse assunto. Não Estou Aqui (2010), dirigido por Casey Affleck e estrelado pelo sempre excelente Joaquim Phoenix foi idealizado como um documentário num ano em que o ator revelou (falsamente, graças aos deuses) ao mundo que ia se aposentar das câmeras e experimentar o talento no Hip Hop. É um filme estranho, com raros momentos engraçados e muitos dignos de pena do ator/protagonista. Algumas cenas são até irritantes, mas o mais interessante é analisar a reação do público diante do ator que de repente descobre que queria ser cantor. Joaquim Phoenix cantando Hip Hop? Seria como ver Michael Jordan jogando xadrez e a forma como as pessoas – que até então vinham sendo enganadas – encaram essa “piada sem graça” é que faz o longa valer a pena.

Não ligo que ótimos atores continuem se aventurando em outras áreas. Pelo contrário, até me divirto com uma ou duas canções, mas espero que nenhum deles dê uma de Joaquim Phoenix e resolva abandonar de vez as câmeras. Caso contrário, ouviremos suas canções medianas somente para matar a saudade personagens incríveis.


Felipe Perazza é o cara por tras do blog Músicas de Andarilho e autor do livro Heróis e Anônimos.


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