Supernovo Entrevista: Vitor Cafaggi

  Leandro de Barros  |    segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vitor Cafaggi, autor de Valente e Duo.tone, comenta andamento da produção de Graphic MSP - A Turma da Mônica, novos projetos e mais!

Valente 54

Uma das coisas mais maneiras sobre as obras do mundo do entrenimento (quadrinhos/games/filmes/livros/etc) é a forma como essas obras marcam a gente. O mais interessante ainda é quando uma dessas obras que marcam a gente é feita por um brasileiro.. e nós temos a oportunidade de conversar com ele!

O Supernovo entrevistou recentemente o quadrinista nacional Vitor Cafaggi, autor de Valente (tirinha publicada semanalmente no O Globo e como encadernado), Duo.tone (encadernado) e Puny Parker (tirinha digital). Além dessas três obras autorais, Cafaggi também já participou do MSP 50 e participará como autor de uma das graphics novel de Graphic MSP. Com tudo isso, as indicações de Cafaggi ao Troféu HQ Mix 2012 (Novo Talento – Roteirista, Publicação Independente de Autor, Publicação Independente Edição Única, Roteirista Nacional) já eram esperadas, dado ao enorme talento encontrado em seu trabalho.

Na nossa conversa, Vitor falou sobre o Troféu HQ Mix, sobre seus trabalhos de 2011, sobre como é trabalhar com a irmã (Vitor e sua irmã, Luciana Cafaggi, trabalham juntos em Graphic MSP – A Turma da Mônica), sobre se aventurar em outras mídias e até sobre o desejo de voltar a desenhar o Pequeno Parker.

Confira abaixo:

Vitor Cafaggi e sua irmã Lu Cafaggi

foto: facebook.com

Bom Vitor, então vamos lá, antes de qualquer coisa eu queria te parabenizar pelas 4 indicações ao HQ Mix 2012, e queria saber de vocês o que essas indicações representam, e se você já esperava por isso ou a surpresa foi total?

Foi bem legal receber essas indicações. Não acho que o meu trabalho tem o perfil pra ser indicado a prêmios. Faço quadrinhos bem simples, quadrinhos que eu gostaria de ler. Se mais pessoas gostam, tem mais gente parecida comigo no mundo do que eu imaginava. Fiquei feliz e bem surpreso com as indicações de Roteirista Revelação e Melhor Roteirista. Quando comecei a fazer quadrinhos, há quatro anos, minha intenção era ser desenhista da Marvel. No meio do caminho esse objetivo mudou e eu percebi que não ia ficar contente só desenhando histórias dos outros, eu percebi que gosto muito de contar minhas histórias e essas duas indicações me mostraram que eu estou no caminho certo.

Como surgiram os quadrinhos na tua vida e desde quando você realmente achou que iria trabalhar com isso?

A primeira revista em quadrinhos que me marcou foi a Homem-Aranha nº 37 da Editora Abril. De 1986, eu acho. Era uma história incrível do Aranha enfrentando o Fanático. Me apaixonei por quadrinhos na hora e, a partir dessa revista, comecei a colecionar. Antes disso, sempre lia as revistas da Turma da Mônica que meu irmão mais velho colecionava. Conheci os quadrinhos do Maurício ainda bem pequeno e, naquela época, eu adorava passar minhas manhãs desenhando. O tempo foi passando, esses desenhos começaram a contar histórias e nunca mais parei.

Eu sempre quis fazer quadrinhos, mas nunca tinha pensado seriamente em trabalhar com isso. Há quatro anos, decidi tentar fazer quadrinhos e acabou que as coisas aconteceram muito rápido. A ficha nem caiu ainda que eu ganho dinheiro fazendo quadrinhos.

Tanto o Puny Parker quanto o Valente Para Sempre e o Duotone são bem caracterizados por serem obras super sensíveis, belas e capazes de fazer com que o leitor se identifique fortemente com o que está lendo. De onde vem esse tato para lidar tão bem com questões sentimentais assim? Você simplesmente coloca experiências suas nos quadrinhos ou trabalha cada tirinha/quadrinho pensando em como trabalhar os acontecimentos da história?

Me inspiro muito em coisas que aconteceram comigo. Minha infância foi nos anos 80. Eu era muito tímido, gostava de brincar sozinho com meus bonecos do He-Man, ler quadrinhos, me fantasiava de super herói… Eu leio os quadrinhos do Aranha desde que tinha sete anos. Isso me acompanhou pela minha vida inteira. Posso dizer, sem exagero, que muito de quem eu sou hoje, minha personalidade e dos meus valores, eu aprendi nas histórias desse personagem. Tendo essa identificação, nas tirinhas do Puny Parker eu sentia que podia colocar experiências pessoais porque sei que se encaixavam com o que o personagem representa. Valente é totalmente baseado na minha adolescência. Escolhi um certo momento, bem representativo, em minha vida e segui contando minha historia a partir daí.

Vitor Cafaggi e sua irmã Lu Cafaggi

foto: facebook.com

Por enquanto, você trabalhou nos quadrinhos, alternando entre a mídia digital e a mídia física. Já pensou em se aventurar em escrever em outros formatos, como por exemplo, um livro?

Sim! Tenho muito interesse em escrever um livro infantil, ilustrar, fazer tudo. Tenho ideias já pra isso, inclusive. Quem sabe no ano que vem? Tenho vontade de fazer quadrinhos pra crianças também, desses de vender em banca. Acredito que, quando uma HQ, ou um livro, consegue fisgar uma criança de verdade, ela vai se interessar por isso pelo resto da vida.

2011 foi o ano para lançar Duotone e Valente Para Sempre, com destaque para a sua participação na FIQ 2011, em Minas Gerais. Você pode adiantar alguma coisa sobre os seus trabalhos em 2012?

Esse ano estou trabalhando na primeira graphic novel da Turma da Mônica, junto com minha irmã. também continuo publicando a tirinha do Valente no jornal O Globo. No final do ano, vou lançar o segundo encadernado dele. Recentemente fiz uma história curta para a Fierro Brasil 2. Ainda no primeiro semestre deve sair a revista Bem + Que Tiras, com uma história inédita de 10 páginas mostrando uma passagem da infância do Valente. Estou continuando as histórias do Duotone como webcomics no meu blog. E Pequenos Heróis 2 deve sair esse ano também, dessa vez homenageando os heróis da Marvel.

Eu sei que você está trabalhando com a sua irmã, Luciana Cafaggi, na revista da Turma da Mônica da linha Graphic MSP. Como está sendo/foi a experiência? Foi a primeira vez que trabalharam juntos?

Graphic MSP Turma da Mônica por Vitor e Lu CafaggiEstá sendo ótimo! Minha irmã é umas das poucas pessoas no mundo em que eu confio 100% pra tudo. Trabalhar com ela é muito fácil por nós dois nos conhecermos tão bem. Sabemos os pontos fortes e fracos um do outro e sabemos trabalhar juntos para conseguirmos os melhores resultados em tudo que fazemos. Fazendo quadrinhos essa é a nossa primeira parceria, mas já “trabalhamos” assim há anos.

A Graphic Novel da Turma da Mônica está sendo feita inteiramente pelos dois juntos. Conversamos muito sobre a história antes e durante o processo de escrever o roteiro. Escrevemos o roteiro juntos e vamos desenhar ela juntos. Em algumas páginas irá prevalecer o meu traço com o acabamento feito pela Lu. Em outras, o traço dela vai predominar.

Você é um grande fã de HQs de super-heróis, como deu pra ver no seu trabalho com o Puny Parker. Eu não vou perguntar qual o seu super-herói favorito, porque já dá pra imaginar qual é. Se você pudesse escolher o poder de um super-herói só, qual seria?

Eu queria poder me teleportar. Longas distâncias. Com certeza.

No fim do ano passado, você postou no seu blog que estava com saudades do Puny Parker. Os fãs podem esperar algum presentinho em breve?

Putz, eu queria ter um tempinho pra isso. Não posso prometer nada pra breve, mas acho que esse ano ainda devo fazer uns desenhos com ele. A saudade é grande sim Por vários motivos. O Puny é a representação máxima do porque eu comecei a fazer quadrinhos, de toda a inocência que existe nisso.

Pra terminar, eu queria agradecer a sua disponibilidade, Vitor. Pra quem ficou interessado, onde/como se pode comprar exemplares do Duo.tone ou de Valente Para Sempre?

Valente já está esgotado. Mas se você der sorte, talvez ache em um desses lugares:

Em Belo Horizonte, na Leitura Savassi;
Em Curitiba, na Itiban Comics Shop;
Em Salvador, na RV Cultura e Arte;
Em São Paulo, na Comix;
E na Loja Virtual Pandemonio Comix, com entrega para todo Brasil.


Para saber mais sobre o trabalho de Vitor Cafaggi, clique aqui!


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