SP Con 2012 -Tudo sobre evento e entrevistas com os artistas Marvel

  Matheus Pessôa  |    quarta-feira, 06 de junho de 2012

Muitas atrações interativas e interessantes marcaram o SP Con, de organização notável. O Supernovo esteve presente no primeiro dia da SuperPower Con 2012, que aconteceu no SENAC da Lapa, em São Paulo, contou com a presença de vários quadrinistas e editores da Marvel Comics

A Super Power Con foi um sucesso . Centenas de fãs de quadrinhos puderam  No evento, várias atrações realmente entreteram o público de todas as idades, com concursos de cosplay, (magníficas) oficinas de dublagem e de animação, por exemplo e também com palestras, dadas pelos quadrinistas que atualmente trabalham na Marvel, como por exemplo  Ibraim Roberson, Will Conrad e Renato Guedes

Vários elementos no SENAC chamaram a atenção, e foram muito bem notados a todos que lá estiveram, como a escultura do Hulk de três metros de altura e uma exposição intitulada ‘Herois Urbanos’ da fotógrafa Kátia Arantes, que coloca os herois mais famosos da DC Comics e da Marvel nos pontos turísticos paulistanos, como o MASP e a Estação da Luz.

O SP Con chamou a atenção por ser muito bem organizado (pelo menos da parte que podemos perceber, da imprensa), sendo que todas as atrações aconteceram na hora prometida pelos organizadores e idealizadores. As palestras tinham lugares limitados, mas não foi motivo de tristeza para os que não conseguiram assistir a elas, pois o SP Con garantiu a ‘felicidade’ de todos os visitantes com o stand da Comix Book Shop e com os vários elementos do mundo nerd (como aqueles lugares onde você põe a cabeça e parece com um super-heroi) que serviram de distração para aqueles que não puderam acompanhar o que acontecia dentro do auditório.

Bom, nem todos conseguiram sair satisfeitos do evento. Como pude perceber através de comentários e e-mails, muitas pessoas não ficaram muito impressionadas e afirmaram que haviam poucas atrações que pudesse entretê-los; Mas a meu ver, o SP Con buscou fazer o melhor para conseguir agradar a todos (embora pudessem haver algumas outras atrações além dos stands de quadrinhos e do concurso de cosplayers).

Ainda mais perto do fim do evento, as pessoas puderam ficar de frente com alguns dos melhores desenhistas brasileiros de quadrinhos das duas editoras mais famosas da atualidade. No sábado, Ibraim Roberson (X-Men), Renato Guedes (Wolverine) e Will Conrad (Os Vingadores Secretos) deram as palestras e fizeram uma sessão de autógrafos, que emocionou com certeza a muitos fãs, já que a maioria ganhou sketches dos artistas. E vou te falar: é brincadeira o que esses caras fazem tão rápida e calmamente (confira abaixo o desenho de Ibraim Roberson).

Entrevistas

Durante as entrevistas, os artistas da Casa das Ideias e os editores da Mythos, Paulo França e Fernando lopes foram super atenciosos com todos os jornalistas e responderam a todas as perguntas com bastante interação e descontração, ou seja, foi muito bom entrevistar todos eles, foi bastante prazeroso para todos os que estiveram na sala de imprensa; Confira abaixo:

Fernando Lopes e Paulo França

Não chegamos a tempo de conseguir falar com o editor Marvel, Rogério Saladino, mas acompanhamos a coletiva de Fernando Lopes e Paulo França, editores da Mythos, que faz a produção das revistas em quadrinhos Marvel, publicadas mensalmente no Brasil. Muitos assuntos surgiram durante a conversa, como a digitalização dos quadrinhos, os filmes Marvel e outros, como vocês poderão ler a seguir os pontos mais importantes da entrevista.

  • Filmes Marvel

Fernando Lopes: “Bom, para mim foi uma das melhores coisas que poderiam fazer com os quadrinhos; Foi uma grande manobra da Marvel fazer essas novas adaptações, como ‘Os Vingadores’, para as telas de cinema. Não somente porque o filme é muito bom, mas também porque ele realmente vai fazer sim com que aumentem as vendagens das revistas em quadrinhos no Brasil, aliás já poderemos perceber esse impacto que o hype do filme causou na indústria. Por isso é importante, porque além de ser uma forma de entretenimento, é uma maneira de atrair ainda mais leitores para a Marvel. Quem vai ao cinema acaba pegando a dinâmica das histórias em quadrinho.”

Paulo França: “Além disso, quem já conhece as obras da Marvel também vai poder encontrar coisas novas no cinema como alguma referência que a pessoa fala ‘Ah, lembro disso, na revista tal…’, e não somente isso: esse que já era um fã de quadrinhos também vai poder ver coisas que ainda não tinham sido vistas nos quadrinhos, por isso também que acho importante de serem ‘roteiros distintos’, já que são dois meios diferentes um do outro.”

Fernando Lopes:“O que a Marvel tá fazendo é isso, a estratégia da Marvel é essa. Ver nos filmes os especiais sobre como o personagem foi parar lá, com quem ele conversou e etc. Por exemplo: como que o Fury foi aparecer nos Vingadores, com quem o Hulk conversou e esse tipo de coisa. E também, quem é fã, vai procurar ainda mais coisas, pensando “Será que tem mais coisa ?”, e vai acabar procurando ainda mais coisas relacionadas ao filme, ou até mesmo sobre personagens que não apareceram nas telas, os outros personagens da Marvel”.

  • Digitalização dos quadrinhos

Fernando Lopes (sobre a legalização do comércio digital de HQ’s, por um novo projeto de lei):

‘Bom, se for legalizado não tem problema, porque essa é a grande polêmica em torno dos quadrinhos digitais. Mas como esse projeto fala só sobre o uso pessoal…Para mim, na minha opinião pessoal, não faz muita diferença, porque em termos profissionais, não vai mudar nada. Eu vou para o meu trabalho de manhã, volto à noite, não vai influir muito. Sobre o mercado digital de quadrinhos, acho que é algo que tende a crescer […] e de algum modo, o profissional por trás dos quadrinhos, sejam digitais ou físicos, vai querer receber”.

Renato Guedes

Formado na academia Quanta Academia de Artes, Renato Guedes já fez trabalhos para grandes herois da DC,  como Superman e Batman. O primeiro, Renato desenhou durante 6 anos anos (sendo que muitos deles como freelancer, até se tornar artista exclusivo); Hoje, ele trabalha na Marvel Comics e recentemente fez trabalhos com o Wolverine, sendo que o próximo trabalho a ser publicado no Brasil será o arco ‘Wolverine’s Revenge’. Renato também fez trabalhos com os Vingadores, que ele considera que foi bastante importante. Confira os pontos principais da entrevista;

  • Gosta das adaptações dos quadrinhos para o cinema ? Como é ver um personagem que você desenhou nas telas ?

” Bom, eu não gosto muito das adaptações de quadrinhos para o cinema. Acho que é diferente…O cinema tem uma linguagem e os quadrinhos tem outra linguagem diferente e essa mistura às vezes não funciona, porque tem coisas que sempre vão funcionar melhor nos cinemas, outras que vão funcionar só nos quadrinhos, então, eu não coloco muita expectativa em filmes de super-herois nem nada desse tipo”.

  • Qual a diferença de trabalhar na Marvel e na DC ?

Na época da DC, eu sempre me mantive perto das pessoas que decidiam sobre o futuro da editora e coisas assim; eles sempre mantinham contato comigo, sobre como desenhar, como que eu deveria ‘levar a história’ e coisas desse tipo. Já na Marvel, é totalmente diferente. Eles se mostram muito distantes dos desenhistas, não dão muito espaço para as opiniões fora da ‘cúpula’ que decide as coisas e etc. Bom…Trabalhar na Marvel, comparando com a DC, é uma merda.”

  • Como foi trabalhar com um heroi como o Superman ?

Cara, trabalhar com o Superman pra mim foi muito importante; foi realmente o ponto de virada na minha carreira. Eu já tinha desenhado por 6 anos, 2 como desenhista regular, e realmente foi aí que a minha carreira deu um salto. Até então eu só tinha feito algumas adaptações para a TV, alguns trabalhos pequenos para a DC, mas depois que eu comecei a desenhar o Superman, a coisa mudou completamente, meu trabalho ganhou outra visibilidade; Acho que sempre tem esses trabalhos-chave na carreira dos desenhistas, e esse foi o trabalho mais marcante de toda a minha carreira”.

Clique aqui e assista à entrevista na íntegra !

Ibraim Roberson

Ibraim é um desenhista da Marvel Comics hoje em dia, e trabalhou com a maioria dos arcos de X-Men mais recentes, e com certeza você já deve ter se deparado com algum trabalho dele em sua leitura de quadrinhos do grupo de mutantes. Simpático, ele concedeu uma rápida entrevista aos jornalistas, pois logo depois estaria descendo as escadas para iniciar a sua sessão (incrivelmente interativa) de autógrafos aos fãs. Ele também já trabalhou na DC (desenhou um pedacinho da Liga da Justiça)  há certo tempo atrás, e nos contou sobre uma sacanagem que fizeram com ele enquanto trabalhava lá.

  • Como é ver outra pessoa mexendo no seu trabalho (os coloristas, etc) ?

Ah…Com toda certeza, a maioria dos desenhistas não gostam que mexam no seu trabalho. A gente desenha tudo bonitinho e maneiro e depois vem alguém e colore…Mas tem que respeitar, porque tem certas coisas que eu não sei fazer, como os balões, nem o roteiro ainda, então não tem muito como fugir disso. Mas teve uma vez, quando eu ainda trabalhava na DC, que eu fiz um cenário bastante caprichado, com muitos detalhes, a grama do lugar toda trabalhada e tal, e mandei para o colorista que eu trabalhava na época. Depois eu vi, o que o cara fez. Ele apagou, simplesmente apagou os desenhos que eu tinha feito, pegou uma imagem, deu uma distorcida e mandou para ser publicado. Isso com certeza foi por causa de prazo apertado e coisas assim, mas acontece, e com o tempo a gente vai se acostumando”.

  • Pra você, qual é a ‘fórmula Marvel’ que mantém os fãs desde a sua época até hoje interessados pelos quadrinhos?

 “Eu acho que o mais importante que a Marvel vem fazendo é conseguir manter os personagens clássicos, desde a minha época, até hoje em atividade, sempre fazendo publicações novas e mais dinâmicas e coisas assim; Essa é a grande sacada da Marvel: manter os clássicos, os personagens de mais sucesso até os dias de hoje, e a legião de fãs mais antiga ainda gosta de acompanhar as novas histórias e coisas assim.”

  • Quanto tempo você demora pra desenhar uma revista ?

 “Normalmente, eu demoro vinte e tantos dias, mas isso varia de artista para artista. Eu sempre tento fazer o melhor que eu posso no prazo que eu tenho pra terminar os desenhos. Por exemplo: se você me der 1 ano para fazer uma história, eu vou demorar um ano para terminar, se der um mês, eu faço em um mês, se der 10 dias, talvez eu não consiga, mas eu vou fazer o melhor. Sempre tento mesclar o tempo com a qualidade dos meus trabalhos com o prazo que me foi dado pela editora”.

 Clique aqui e assista à entrevista na íntegra !

Will Conrad

Will Conrad. Esse você certamente conhece. Desenhou a saga mais vendida do ano e sucesso por todo lugar no ano em que fora lançada, Serenity, trabalhou recentemente em 5 edições de ‘Os Vingadores Secretos’ com Mike Deodato e com Wolverine, em muitas revistas já publicadas por aqui.

  •  Que revistas você acompanha ?

Bom, atualmente não estou acompanhando nenhuma, assim, regularmente, porque tenho que trabalhar muito; Mas eu sempre compro alguma revista que me agrada visualmente, que eu vi que é importante, tem uma história boa. E também, quando eu vou fazer algum trabalho novo, aí tenho que saber o background da história, os acontecimentos marcantes, aí eu acabo comprando. Geralmente, são as revistas que me agradam visualmente, do pessoal das antigas que ainda desenha, e os trabalhos mais novos.

  • O que você anda desenhando atualmente ?
  “Agora estou fazendo X-Men, desenhando a revista mensal. Na verdade, estou fazendo vários trabalhos, inclusive, terminei uma edição especial do Capitão América; Isso faz parte de um rodízio que a Marvel anda fazendo, nesses últimos meses, entre os roteiristas e os desenhistas, estão sendo movimentados de um título para outro.”

 

  • O que você pode adiantar de novo das novas mudanças da Marvel ?

Bom, no momento eu não tenho muitas informações, a Marvel só me falou mesmo sobre esse rodízio, mas com certeza um grande evento está por vir. Lá nos EUA atualmente, o grande destaque está sendo o Vingadores vs. X-Men , e ainda não me disseram nada sobre até onde as mudanças vão se estender nem nada disso. Mas grandes coisas estão por vir”.

  • Você está desenvolvendo projetos próprios ? 

Sim, sim, estou desenvolvendo algumas histórias; Farei o trabalho de  criador, co-roteirista, porque prefiro trabalhar com alguém mais experiente do que eu, e como desenhista”.

  • Hoje em dia eu vejo vários artistas brasileiros que fazem as ilustrações das revistas, mas não um roteirista…

Para se tornar roteirista, tem várias barreiras pela frente. A primeira barreira é a barreira cultural, porque a cultura dos EUA é um pouco diferente da cultura brasileira; Muitas coisas da cultura americana são acrescentadas ao roteiro das histórias. A segunda barreira é a barreira da língua. Não são todos os roteiristas brasileiros que sabem falar fluentemente em inglês, para fazer aquelas piadas próprias da língua inglesa, que eles mesmo fazem, acabam se perdendo quando traduzidas em português. A terceira barreira é a distância. O roteirista tem que estar muito mais próximo do editor que o desenhista, porque em alguns projetos importante, eles precisam do roteirista bem perto, e não a 10.000 km de distância. Essas são as três principais. Mas também tem uma outra, que é o Q.I., Quem Indica. Hoje, os roteiristas são amigos uns dos outros, e muitos deles trabalham em Hollywood, é por isso que o brasileiro ficam mais distantes”.

  •  Qual é a sua adaptação de quadrinhos para o cinema favorita ?
Há, Vingadores. Definitivamente. O melhor de todos até hoje, com certeza”.
 Esse foi o SP Con 2012. Se você quiser conferir todas as imagens do evento, clique aqui !

 


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