Review | Spider-Men #1 – Peter, conheça o Miles. Miles, conheça o Peter.

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 14 de junho de 2012

Começa a saga comemorativa de 50 anos do Homem-Aranha, que colocará Peter Parker e Miles Morales frente à frente. Roteiros de Brian Michael Bendis e artes de Sarah Pichelli

A Marvel publicou hoje nos EUA, e em formato digital para o mundo todo através do Comixology, a primeira edição de Spider-Men, a saga que colocará Peter Parker e Miles Morales, os dois Homens-Aranha da editora, frente à frente.

Spoilerzinhos de leve abaixo.

 Spider-Men #1 começa com Peter Parker, o Homem-Aranha do Universo 616 da Marvel, fazendo sua ronda noturna por Nova York. Depois de parar um assalto (e quase ser preso), Peter volta a curtir a cidade quando nota uma luz estranha saindo de um galpão abandonado.

Após investigar tudo calma e secretamente, o herói é atacado por Mysterio, o grande vilão da saga. Pois é, logo nas primeiras páginas de Spider-Men já vemos o Homem-Aranha contra o vilão. No tal galpão abandonado, tem uma espécie de dispositivo emanando a tal luz estranha. No meio da confusão entre Peter e Mystério, o dispositivo acaba “engolindo” Peter, que é transportado para o Universo Ultimate da editora. Quer dizer, nós sabemos que é o Universo Ultimate da Marvel. Ele não faz idéia.

Lá, Peter evita que um jovem apanhe (ainda mais) de alguns ladrões. Nesse momento, o jovem agradece, mas diz que ele não deveria sair por aí usando o uniforme do Peter Parker.

Na hora, Peter começa a dar aquele caô: “Quê? Peter Parker? Que isso, cara? Quem é esse manolão aí? Nem sei quem é? Peter o quê? Peter Paul? John Parker, é isso? Não sei quem é…”

A verdade é que o Peter Parker do Universo Ultimate é bem conhecido, principalmente depois da sua morte em público, há alguns meses atrás. E o uniforme igual dos dois acabou gerando o comentário do jovem.

A HQ termina com o Peter saindo dali e dando de cara com Miles Morales, o novo Homem-Aranha do Universo Ultimate. “Sem chance!” dizem os dois.

Qual o elemento mais importante na mitologia do Homem-Aranha na sua opinião? Quando eu digo “Homem-Aranha”, qual a primeira coisa que vêm a sua cabeça? Piadinhas? Ação? Mary Jane? Gwen Stacy? Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades? Há alguns anos, qualquer uma dessas respostas seria aceitável.

As coisas começaram a mudar quando Brian Michael Bendis resolveu matar o Homem-Aranha do Universo Ultimate da Marvel. Depois de uma emotiva batalha, o jovem Peter Parker morreu. Em seu lugar entrou Miles Morales, o criticado jovem meio-hispânico meio-negro meia-calabresa e meia-peperoni. Aos poucos, Morales acabou conquistando uma base de fãs com as suas histórias no Universo Ultimate da Marvel. Assim como o Homem-Aranha há 50 anos atrás, Miles Morales começou sua carreira em Nova York, se conectando com o público que lê quadrinhos atualmente.

Morales não tem Tia May, não tem Tio Ben, não tem Mary Jane, Gwen Stacy, piadinhas ou coisas do tipo. Mas ainda assim é Homem-Aranha.

O que Miles e Peter partilham em comum, além do codinome de herói, é a presença de Nova York. A cidade é uma personagem própria no mundo dos dois heróis e, como não poderia deixar de ser, é uma personagem própria aqui na primeira edição de Spider-Men. A maneira como a cidade “fala” com Peter no Universos 616 da Marvel é uma das grandes sacadas dessa HQ.

A saga que promete unir os dois Homens-Aranha da Casa das Idéias começa bem devagar com essa edição. O primeiro gibi de Spider-Men acaba sendo dividido em três partes, todas elas com a função de assentar algumas bases para a história crescer. A primeira parte, vemos Peter Parker no seu habitat natural: balançando por Nova York, sendo engraçado, parando crimes e sendo perseguido pela polícia. A quantidade de histórias do personagem que começam exatamente assim que eu li é incontável, e se o objetivo da saga comemorativa dos 50 anos do herói é fazer algum tipo de homenagem à elementos clássicos dele, não poderia ter começado de outra forma.

A segunda parte da HQ é o confronto Peter e Mysterio. Como a função da primeira edição da saga é plantar a semente que vai fazer germinar toda a história de Spider-Men, faz um pouco de sentido já sermos apresentados ao vilão e ao seu plano. Em partes, já que não fica exatamente claro porque o Mysterio tinha um portal para o Universo Ultimate no bolso, mas daí não seria um mistério, certo? *tum dum psst*

A terceira parte é a parte de Peter no Universo Ultimate. Peter parece um animal de estimação que se muda para uma nova casa. O sentimento é familiar, mas diferente ao mesmo tempo e ele explora sua amiga (opa) Nova York com cuidado. Até o encontro com Miles na última página.

Brian Michael Bendis é, hoje, um dos roteiristas de maior prestígio dentro da Marvel. Ele alcançou esse posto revitalizando os Vingadores na editora e com o trabalho feito em Ultimate Comics Spider-Man. Seja escrevendo para os Vingadores ou para o Universo Ultimate, Bendis tem experiência em trabalhar com o Homem-Aranha. Apesar de Spider-Men #1 não apresentar nenhum tipo de desafio para escrever o herói (ele só anda por aí, tem uma luta e bate em ladrões), e apesar de muita gente virar a cara para o conceito da saga, Bendis faz um bom trabalho nesse pontapé inicial de Spider-Men. A opção de gastar um gibi inteiro preparando o terreno para as próximas HQs pode se provar acertada quando o ritmo aumentar em Spider-Men #2. Até lá, não há muitos espaços para críticas aqui.

Mas o destaque da equipe técnica da revista vai para Sarah Pichelli. A artista trabalha ao seu mais alto nível nessa HQ. As artes estão realmente boas, o trabalho em colocar o Homem-Aranha e a cidade de Nova York sempre no mesmo quadrinho (com exceção de quando o herói está no covil do vilão) foi muito bem feito. O contraste entre os dois universos ficou incrível (aí é mais mérito de Justin Ponsor, colorista da HQ).

Concluindo porque a review já está muito longa: Spider-Men #1 é a típica HQ de início de saga. Não mostra muita coisa e vai acabar decepcionando que esperava ter a cabeça explodida aqui. Mas está longe de ser ruim, principalmente em termos técnicos. O gibi é legal, mas não mostra nada. No fim das contas, a HQ é uma curinga e terá seu valor provado quando a série toda for publicada: se Spider-Men se provar um sucesso, essa primeira edição será um bom começo. Se Spider-Men falhar…

Equipe Técnica

  • Roteirista: Brian Michael Bendis
  • Artista: Sarah Pichelli
  • Colorista: Justin Ponsor
  • Letrista: Cory Petit
  • Capas alternativas: Sarah Pichelli, Humberto Ramos, Mark Bagley, Justin Ponsor, Edgar Delgado
  • Editora: Marvel

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