Review de Justice League #23.2: Lobo – Vamos falar do novo Lobo?

Leandro de Barros

  terça-feira, 17 de setembro de 2013

Review de Justice League #23.2: Lobo – Vamos falar do novo Lobo?

Nós lemos a revista onde o novo Lobo é apresentado ao Universo DC e falamos um pouco sobre essa polêmica situação

No fim do mês passado, a DC Comics divulgou um “novo” visual para o Lobo e gerou uma polêmica danada nessas Interwebz da vida. Com um traço mais oriental, roupa justa, cheio de brilho e mais hi-tech do que nunca, o “novo” Lobo foi rejeitado pelos fãs de longa data do Maioral da DC.

A estreia dessa nova versão do personagem rolou em Justice League #23.2: Lobo, one-shot do personagem nesse Mês dos Vilões da editora, e é sobre o que falaremos nas próximas linhas. Com spoilers, claro.

Novo Lobo 4

Depois que as artes com as propostas pro visual do Lobo foram divulgadas, a roteirista da revista, Marguerite Bennet, foi à público dizer que “Para que fique registrado, as imagens que vocês já viram – a arte conceitual de Ken Rocafort e a capa de Aaron Kuder – não representam o verdadeiro visual do Lobo na revista”.

Err… permita-me discordar da senhora, Dona Bennet, mas representam sim. Veja a comparação:

Novo-Lobo-Comparacao

A diferença é que o traço de Ken Rocafort tem um pouco mais dessa influência oriental que a primeira imagem mostra (enquanto a arte de Ben Oliver, o desenhista da HQ, não tem), mas é o mesmo design.

Dito isto, vamos lá. Farei um breve resumo da HQ e depois vou compartilhar a minha opinião sobre essa mudança de identidade do Lobo.

A revista começa com o Lobo numa festa chique pelo universo numa missão para matar o tenor Ulrin Doc Xon. Alvo finalizado (com direito à referências ao Coringa de O Cavaleiro das Trevas), o Maioral recebe uma nova missão: transportar uma certa carga de um planeta para outro. Em troca, ele receberia algo que tem procurado por muito tempo.

No percurso para cumprir essa segunda missão, o Lobo é atacado por alguns vermes insolentes e nós o vemos em ação (de verdade) pela primeira vez, onde ele cuida de todos com relativa facilidade, apenas para descobrir que a carga que ele está transportando são pessoas de uma raça cujos ossos possuem propriedades especiais e que valem muito dinheiro. Porém, nas palavras do Capitão Nascimento, missão dada é missão cumprida e o Lobo entrega os aliens onde deveria ter entregue e recebe o que procura há tempos: a localização do “falso” Lobo.

E assim termina essa história.

Novo Lobo 2

Antes de entrar nos comentários do “novo Lobo vs. velho Lobo”, vale dizer que, história por história, essa HQ do Lobo não é ruim. De fato, a arte poderia ser melhor, mas o texto de Marguerite Bennet compensa tanto pela narrativa, quanto por pequenas “brincadeiras” com o personagem. Por exemplo: quando o Lobo finalmente entrega os aliens, sabendo que eles vão morrer, onde deveria entregar, o “contratante” pede que ele assine uns papéis. Nessa hora, o Lobo pensa: “Essa é a parte mais difícil do trabalho:” e nós temos um close na jaula com os aliens, para que pensamos que ele dirá algo sobre entregar vidas inocentes ou algo do tipo. Porém, no quadro seguinte, vem a conclusão da piadinha: “Papelada”.

Então, sim, a HQ é legalzinha. Não é o melhor título do Mês dos Vilões (vocês já leram a do Zod?), não é a melhor história do ano na DC Comics, mas também está meio longe de ser o desastre nuclear que a maioria das pessoas acreditava que seria.

O que nos leva ao ponto X da questão: o novo Lobo.

Para entender o problema com o novo Lobo, precisamos entender o que fazia o antigo Lobo ser o antigo Lobo.

Lobo DC

Criado por Roger Slifer e Keith Giffen no núcleo do Lanterna Verde durante os anos 80, o Lobo não era nada que você está acostumado a conhecer como “Lobo”. Eventualmente, ele foi totalmente repaginado pelo próprio Giffen na minissérie Lobo: The Last Czarnian, onde ele ganhou uma nova origem e até mesmo um novo planeta para nascer.

Foi essa minissérie que galgou o personagem ao estrelato, sendo o Lobo que conhecemos hoje: beberrão, violento, peludo, beberrão, violento e também um pouco peludo. Nas palavras de Keith Giffen, essa reinvenção do Lobo era “uma acusação ao Justiceiro e ao protótipo de herói ao estilo Wolverine, e de alguma forma, ele ganhou fama como garoto-propaganda da alta violência. Vá entender“.

Portanto, a ideia do co-criador e reinventor do Lobo era de fazer aquela sátira malandra, aquela pegadinha e aquele comentário bem pontuado sobre o protótipo de herói que estava dominando os quadrinhos no final dos anos 80 e durante os anos 90: o macho peludo, bêbado e com um charuto na boca, que carregava quinhentas armas de grosso calibre e que atirava uma metralhadora com uma mão só enquanto ouvia um heavy metal e usava a outra mão para dar um tapa na bunda da Kim Basinger (que por acaso passava por ali na hora).

Se você pensava que era justamente isso que o Lobo era e gostava dele por causa disso, bem, você foi trollado (tão trollado quanto daquela vez que achou que o Homem de Ferro era um herói de verdade, mas falamos disso em outra ocasião).

Lobo

Isso nos traz agora ao novo Lobo. Se o antigo Lobo era uma paródia do que já citamos acima, o que essa HQ nos diz que a nova reinvenção do personagem será? A verdade é que ela não diz nada.

São menos de 20 páginas que não explicam bem qual é a ideia da DC pro personagem. O mais provável é que estejamos vendo uma reimaginação do tipo “e se o Lobo não fosse essa versão exagerada e forçada de um mercenário alienígena, mas sim um mercenário alienígena que poderia existir no nosso universo”. Uma adaptação do Lobo à uma versão que poderia existir no Universo DC SEM o aspecto da paródia – em outras palavras, uma darknightização do Lobo.

O que é uma pena, já que essa transformação poderia ter muito mais além disso. Em alguns momentos, dá para sentir que quase há ali uma espécie de nova paródia, brincando com o conceito de que o visual é o mais importante na caracterização de alguém. Na segunda página da HQ, por exemplo, o Lobo aparece “tomando um drink”, apenas para nas duas páginas seguintes isso ser mostrado como um disfarce para se infiltrar numa festa de alto padrão e poder assassinar com violência um músico. Além disso, há a repetição do discurso interno “você não me conhece, você não sabe quem eu sou”, provavelmente colocado ali já prevendo uma reclamação dos fãs ao novo visual do cara. Essa é a parte boa da mudança.

Então, apesar dessas pequenas dicas de que PODEMOS ver algo além de um “Lobo levado a sério”, falta espaço para isso nessa primeira edição. TALVEZ nós vejamos o personagem novamente no futuro e talvez haja a hipótese disso acontecer.

Novo Lobo 3

A parte ruim da mudança vem do editorial da DC Comics, ao pegar um personagem conhecido por uma razão X e mudá-lo totalmente, apenas para aproveitar o seu nome e vender em cima disso. O que a DC fez foi como se a Coca-Cola cansasse de vender refrigerantes e resolvesse começar a vender suco de laranja (que é bom, mas é diferente da coca-cola) e usasse o nome “Coca-Cola” na embalagem apenas para aproveitar a força da marca com o público.

A diferença dessa reimaginação do Lobo com a de um remake hollywoodiano, por exemplo, é que não há a inserção de uma nova visão aos mesmos acontecimentos (ou no caso, ao mesmo personagem), mas uma mudança ao que o Lobo representava.

É por isso que eu defino a minha visão sobre o novo Lobo no seguinte: se for para transformá-lo apenas num mercenário alienígena sério, que poderia viver no Universo DC, então era melhor ter criado um personagem 100% novo e eu sou obrigado a desprezar a DC por causa disso. Agora, se a editora vai pegar essas dicas que a roteirista colocou na edição e usar o Lobo como uma sátira à necessidade de “parecer um badass malvadão” para ser um badass malvadão (algo que, repito, só existem DICAS de que isso pode rolar nessa HQ), então faz sentido essa mudança com o personagem- afinal, a editora não está deturpando o que o Lobo era, apenas mudando o foco da paródia, utilizando um novo foco que faça mais sentido ao contexto atual da época (não custa lembrar que a visão antiga do Lobo foi criada há 23 anos atrás).

E você, jovem leitor? Pegou a Justice League #23.2: Lobo para ler ou quer passar longe disso?

PS: Ainda acho que caiba um esclarecimento, já que MUITA gente está confusa sobre essa situação do Lobo na DC Comics. Atualmente, existem DOIS Lobos na DC: aquele que você conhece e ama desde os anos 90 e esse novo. O que a DC está dizendo é que o Lobo antigo, dos anos 90 e afins, é um impostor. Ele usa o nome “Lobo” e a origem de ter matado a raça inteira de maneira falsa – e, obviamente, faz isso desde os anos 90. Esse cara apresentado nessa HQ é o verdadeiro “Lobo”, o verdadeiro cara que matou toda a raça e tal.


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