Review de Batgirl #35 – Como foi o começo da nova fase da Batgirl?

Leandro de Barros

  segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Review de Batgirl #35 – Como foi o começo da nova fase da Batgirl?

Com textos de Brenden Fletcher e Cameron Stewart e artes da incrível Babs Parr, a nova fase da revista da Batgirl mostra uma heroína conectada, jovem e antenada nas tendências das tribos virtuais de hoje em dia - mas o resultado parece de alguém que escreveria "tribos virtuais de hoje em dia"

Há duas semanas, a DC Comics finalmente publicou Batgirl #35, a edição que dá início a uma nova fase da heroína de Gotham. A ideia da editora é fazer da personagem um pouco mais atraente e sintonizada com público jovem e refletir os novos tempos em suas histórias.

Consegue? Spoiler: sim, até demais.

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Primeiro, vamos começar com os elogios que são de direito: a arte da estreante Babs Tarr é fantástica. Seu traço é muito bom e combina incrivelmente bem com essa nova pegada da Batgirl, essa transição de um ambiente sombrio e cheio de fantasmas para um lugar um pouco mais leve.

Mas se a arte está sintonizada com essa nova postura, o mesmo não pode ser dito do roteiro. A dupla Brenden Fletcher e Cameron Stewart até tentam se conectar com um público mais jovem, mas é difícil não pensar que Batgirl #35 parece aquele seu tio que criou um Facebook ontem e já quer chamar a galera para um “bate-papo no Uol e dar umas bandas nessa supervia da informação que é a Internet”.

Para criar essa nova pegada com a Batgirl, a dupla substitui os enormes monólogos internos que Gail Simone escrevia para a personagem por um monte gigantesco de tecnologia – e um novo “super-poder”: Barbara agora usa seu cérebro bem dotado para memória e organização como uma espécie de GPS e também é capaz de rever cenas do seu passado para procurar por pistas – o efeito é visualmente bem legal, com a página ficando toda em azul e uma cena sendo recriada perante nossos olhos.

Em alguns momentos, a dupla de roteiristas acerta bastante, como quando usam três quadrinhos com três emails diferentes e conseguem pintar um cenário simples, mas satisfatório, da vida atual de Barbara. Aliás, a própria personagem parece bem mais sintonizada com seu lado Oráculo, se sentindo em casa com a possibilidade de usar seus conhecimentos computacionais para solucionar o crime da edição – e a maneira como ela efetivamente vence o vilão foi bem esperta.

Batgirl 03

Porém, o roteiro erra muito a mão ao pesar com muita força a presença desses elementos em outras cenas. É como se TUDO nessa nova fase da Batgirl girasse em torno da juventude de hoje em dia: o vilão era um desses hackers que roubam material privado das pessoas e distribui na Internet (até aí, tudo bem) e fala usando # (hashtags); a nova companheira de apartamento da Batgirl trabalha num site de relacionamentos “da moda”; basicamente toda a vida “não-vigilante” de Barbara vem com emails, redes sociais, fotos na Internet e afins; a Canário Negro aparece com problemas…. de tecnologia.

Enfim, é tudo muito pesado. A transição não é nada suave, a gente sai de uma Batgirl meio introspectiva para uma super-colorida, conectada e teen Batgirl. Parece que a cada página os roteiristas batessem no nosso braço e dissessem “Hey, essa Batgirl é mesmo maneira hein? Muito louco, hein? O brotinho é bacana, né?” com uma piscadela, numa espécie de Young Avengers (Kieron Gillen) exagerada, sem brilho, carisma ou inteligência.

A verdade é: a nova fase da Batgirl parece bem legal olhando de fora. A arte é ótima, a ideia toda de levar a personagem para um ambiente diferente de Gotham, dialogando com uma juventude mais ativa e conectada é fantástica; mas os roteiristas parecem não entender como pensam adolescentes e, por enquanto, a série parece mais como um tiozão inconveniente do que como a nossa menina legal do bairro.


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