Review | Before Watchmen: Silk Spectre #1 – Uma jornada começa…

  Leandro de Barros  |    quarta-feira, 20 de junho de 2012

Darwyn Coooke escreve Silk Spectre #1, com artes de Amanda Conner

Depois do Minutemen, agora é a vez da Espectral começar a sua trajetória em Before Watchmen, série que serve como prelúdio para Watchmen.

Depois de ver as primeiras artes da revista, eu fiquei com a impressão que transformariam o título da Espectral em uma “revista de mulherzinha”, um rótulo que meu machismo latente fez questão de ressaltar. Eu, como sempre, estava errado.

Silk Spectre não é uma revista de mulherzinha. É a revista que vai (tentar) mostrar a transformação de uma garotinha em uma heroína. Laurel Jane Juspeczyk é a filha da Espectral que nós vimos em Before Watchmen: Minutemen #1. Ela também será, em Watchmen, a segunda pessoa a usar o nome de Espectral para combater o crime.

Criada por uma mãe solteira (no meio dos anos 60, não esqueça), Laurie é treinada desde cedo para se transformar numa heroína. A primeira Espectral, a famosa Sally Jupiter, criou sua filha com rédeas curtas, fazendo com que a garota estivesse sempre estudando e treinando e não tivesse muito tempo para sair com os amigos ou ter um namorado.

Em plena adolescência (a edição se passa com Laurie tendo 17 anos), era de se esperar que esse “sufocamente” iria explodir em algum momento, e é justamente isso que vemos nessa edição. Laurie conhece um garoto, Greg, sofre aquele bullying por causa dos atos da mãe no passado e acaba fugindo de casa.

Falando francamente, Silk Spectre #1 é uma revista esquecível. Está longe de ter um texto ruim, está MUITO longe de ter uma arte ruim e está ainda mais longe de proporcionar uma experiência ruim, mas não é uma revista marcante. Na verdade, isso não chega a ser um crime ou algo do tipo. Uma porcentagem mínima de revistas acaba ganhando um lugarzinho no “Hall da Fama” dos quadrinhos.

Esse é um tema que Darwyn Cooke já trabalhou em Minutemen #1 (aliás, ele é o roteirista de Silk Spectre também). Before Watchmen não é Watchmen e nem vai ter o mesmo sucesso e, com certeza, não terá a mesma relevância na indústria dos quadrinhos. Nessa segunda edição, isso acabou ficando ainda mais claro. Silk Spectre não tem pretensão nenhuma de ser quebrar paradigmas da indústria. Ela é apenas uma história interessante contada com personagens já “consagrados”. Se não fosse feita com personagens de Watchmen, a gente não estaria aqui hoje falando sobre isso. Primeiro porque a DC provavelmente não colocaria a revista à venda em formato digital. Segundo porque a revista poderia não se destacar no meio de tantos lançamentos no mercado.

Por fim, ainda falta falar da incrível arte de Amanda Conner. A artista manda muito bem em Silk Spectre #1, com um excelente character design, um ótimo domínio nas expressões das personagens e com cenários muito bem feitos. Além disso, Conner adicionou um elemento tradicional dos mangás na revista: em alguns momentos, a arte muda para um estilo mais chibi, para destacar o estado de espírito da Espectral.

Assim, chegamos à conclusão de que Silk Spectre #1 pode não ter elementos que a transformarão num marco da indústria, mas isso nunca foi a intenção dela. A intenção é de se fazer uma boa história para fazer valer o dinheiro pago na compra da revista. E essa missão é bem sucedida. Um bom texto e uma arte incrível. Assim começa a jornada da Espectral em Before Watchmen.

PS: O Capitão Metrópolis é o único Marine “conhecido” de Watchmen. Pelo menos, que eu me lembre. Greg pode ser filho dele. Ou pode ser filho de alguém que nunca apareceu antes. E sim, eu sou um homem de opiniões fortes e bem formadas.


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