Review | Before Watchmen: Ozymandias #1 – O homem mais inteligente do mundo ganha forma…

Spoilers abaixo.

Eu confesso que tinha na cabeça um título para esse post que era genial. Juro, era um trocadilho fantástico, eu fiquei realmente orgulhoso de mim mesmo por ter pensado em algo tão espirituoso como aqui. Daí eu esqueci e tive que ficar com esse título aí de cima mesmo.

Em Before Watchmen: Ozymandias #1, assim como em Nite Owl #1 e Silk Spectre #1, nós vemos o começo da carreira do Ozymandias como vigilante mascarado. Porém, diferente dos seus dois futuros companheiros, ser um herói (pelo menos nesses termos) nunca foi o plano de Adrian Veidt.

Uma gênio absurdo, melhor em tudo que fazia, Veidt só possuiu uma única pessoa que pudesse ser considerado um “ídolo”: Alexandre, o Grande, o homem que conquistou 90% do mundo conhecido na época em que viveu.

Quando seus pais morrem, Adrian doa todo o dinheiro que recebeu de herança (sua família não era rica, mas bem de vida) e decide refazer os passos de Alexandre, o Grande. Enquanto peregrina pela Ásia, Adrian recebe treinamento em combate, passa por aventuras amorosas e passa a se conhecer melhor. Durante uma trip muito louca, o nosso protagonista recebe a grande “revelação” da sua vida: ele iria competir com Alexandre, o Grande.

Assim, Veidt volta para os EUA decidido a fundar o seu grande império e conhece a jovem Miranda, que viria a se tornar o mais próximo de um grande amor que Ozymandias teria. Com ela, Adrian começa construir os seus negócios e começa a ser chamado de O Homem Mais Inteligente da Terra. Mas tudo isso tem um preço: o excesso de trabalho o deixa afastado de Miranda. Sozinha e ferida, a mulher vai parar no submundo de Nova York e acaba morrendo de overdose. A morte faz com que Veidt incorpore a persona de Ozymandias e decida ir combater o crime.

Um dos grandes recursos de Ozymandias #1 é o fato de que ela é narrada em primeira pessoa. Não há maneira mais fácil de apresentar o público ao herói do que colocá-los para ter uma conversa desse sentido. Através do roteiro de Len Wein, nós passamos a ter acesso direto à mente de Ozymandias e não são precisos mais do que algumas páginas para que a essência do personagem seja captada: ele é genial, arrogante, orgulhoso, mas também parece ser alguém que não sabe o que fazer, alguém que procura por algum farol que dite o caminho. Esse farol, claro, é Alexandre, o Grande.

Além disso, Wein acerta ao inserir Miranda na trama. Se o objetivo de Before Watchmen é expandir o universo de Alan Moore e criar um passado mais robusto para os personagens, então é preciso alguma coisa que dê um pouco mais de humanidade à Ozymandias do que o visto em Watchmen. Não me entendam mal, acho que o personagem funciona muito bem na graphic novel de 1986, mas pensem como seria irritantemente chato ler várias edições solo daquele cara distante e quase robótico.

Em Ozymandias #1, nós vemos a repetição de algo que já havia acontecido em Comedian #1: a explicitação de algo sugerido em Watchmen. Na obra de Alan Moore, o Rorschach diz que a sexualidade de Ozymandias é uma falha moral. Considerando quem o Rorschach é, nós passamos a supor que Adrian Veidt é homossexual (antes que alguém encrenque com isso, leia Watchmen e você vai perceber o quão homofóbico é Rorschach. Eu estou partindo do princípio do que ELE consideraria uma falha). Wein pega essa linha e a explora, transformando Veidt em um bissexual.

Apesar de Wein mandar muito bem no textos, o destaque total da edição fica para a arte de John Higgins e Jae Lee. Mais do que a arte, fica para a diagramação dos dois. Eu li alguns quadrinhos ao longo da minha vida até aqui, mas não lembro de ter visto uma revista com uma diagramação tão interessante quanto Ozymandias #1. Os dois artistas fazem uso de formas geométricas simples para fugir totalmente do padrão em termos de diagramação e manter uma “terrível simetria” na página.

A imagem acima reflete bem esse trabalho com os círculos saindo de retângulos, que saem de círculos, que saem de retângulos, que dominam a página. Olhe bem para a imagem acima, tente contar o número de círculos e retângulos nessa imagem. Depois leia novamente a HQ prestando a atenção nesse trabalho dos artistas do título. E antes de encerrar, mais uma coisinha:

como ele vê as notícias no passado
como ele vê as notícias no futuro

Pois é.

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