Review | Before Watchmen: Nite Owl #1 – Quem pode dizer não para um almoço grátis?

  Leandro de Barros  |    quarta-feira, 04 de julho de 2012

E a minissérie do Coruja em Before Watchmen desponta como uma das mais legais de se acompanhar

Spoilers abaixo.

Mais uma semana, mais uma edição de Before Watchmen e está difícil de colocar essas reviews em ordem, hahaha. Hoje já saiu a do Ozymandias, mas a gente vai falar é da do Coruja. O segundo Coruja.

De um ponto de vista comercial, acredito que Nite Owl seja uma das minisséries mais importantes para a DC em Before Watchmen. Não porque o Coruja seja um dos personagens mais importantes da franquia ou coisa do tipo, mas por ser a revista com maior potencial de identificação com o leitor.

Eu tenho a opinião de que alguém gosta de um personagem por dois motivos principais e diferentes: ou porque se identifica com ele ou porque gostaria de ser como ele.

Heróis como o Homem-Aranha, por exemplo, são queridos por causa da identificação com o público. Caras como o Batman ou o Homem de Ferro, porque as pessoas gostariam de ser como eles.

Acho que a segunda hipótese pode se aplicar ao Comediante, ao Rorschach e até ao Dr. Manhattan. Mas com o Coruja, a parada é na identificação mesmo, mermão.

Como a gente consegue ver logo nas primeiras páginas de Nite Owl, o Coruja é alguém que, muito provavelmente, é parecidíssimo com você. Ele tem um herói como ídolo, faz coleção de tudo sobre esse herói, é viciado em tecnologia, inteligente, mergulha de cabeça nos seus gostos, viaja nos seus sonhos.

Aliás, a DC seguiu o manual para criar identificação com o leitor ao pé da letra. Colocou um protagonista com algo em comum com os leitores, adicionou problemas com o pai, colocou uma figura paterna substituta, somou um amigo fiel mais na frente e a cereja do bolo ficou na forma da princesinha e do amor incorrespondido.

É bem interessante ver a primeira edição da minissérie do Coruja traçando paralelos dentro dela própria e com outras minisséries de Before Watchmen. No começo da série, o pai abusivo (Jeremias feelings) vomita sua filosofia de boteco dizendo para o filho que não há almoço grátis. A frase é simples e de fácil entendimento: nada é de graça, tudo que você quiser tem que ir atrás e suar e as pessoas querem sempre alguma coisa, ninguém faz nada sem ter um interesse por trás. O que o pai diz não é errado, principalmente no mundo em que vivemos. Mas o Coruja não é alguém como os outros. O Coruja é um símbolo. É por isso que Dan Dreiberg, o segundo Coruja, nunca chegou a ser um sidekick de Hollis Mason. Dan tem quer o Coruja porque ele é alguém que acredita piamente (tum dum psst) no que o Coruja representa. E o que o Coruja representa é que há sim almoço grátis.

Afinal, não é disso que são feitos os heróis? Na Grécia Antiga, os heróis eram aqueles que estavam um passo acima dos homens normais. Alguém superior, alguém maior. Quando eu disse que era engraçado ver os paralelos que Nite Owl #1 traçava, eu falava sobre essa ideologia do Coruja. O pai “”de verdade”” do Coruja é alguém que era contra a filosofia do Coruja e ensinou isso ao filho. Mason, a outra figura paterna de Daniel, ensinou à distância, na forma do Coruja, exatamente o oposto. E, no fim da HQ, vemos a escolha de Daniel.

Aliás, é bom notar essa relação do Coruja sendo o herói, na definição mais grega da palavra, na forma de Rorschach e da Espectral. O primeiro, apesar de sempre trabalhar sozinho e não se abrir à ninguém, foi procurar o Coruja para ser seu parceiro. Não seu sidekick, não seu mentor, seu parceiro. Mas o próprio Rorschach não é um herói e não se vê assim. Talvez ele se veja como o Yin e veja o Coruja como seu Yang.

Já na pela da Espectral, vemos o paralelo entre os dois heróis que assumiram mantos dos seus “pais” e como os dois encaram essa mesma situação. Já falei mais sobre isso em Silk Spectre #1, onde a Espectral mostra que não queria ser uma heroína, e a relação entre os dois talvez seja melhor explorada nas próximas edições.

Por ora, percebo que escrevi demais. Vou encerrar por aqui. Before Watchmen: Nite Owl #1 abre com o pé direito uma das minisséries da série que mais me agradaram. J. Michael Straczynski e Len Wein fazem um ótimo trabalho nos roteiros da revista, acompanhados com a excelente arte (que emula um pouco os traços dos anos 80 da graphic novel original) de John Higgins e do ótimo Andy Kubert.


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