Review | Before Watchmen: Minutemen #1 – Darwyn Cooke não é Alan Moore…

… mas quem disse que isso é ruim?

Abaixo, com poucos spoilers, a nossa review da primeira HQ da polêmica saga Before Watchmen.

Eu costumo dizer que só gosto de acompanhar grandes sagas nos quadrinhos quando elas já terminaram ou estão bem avançadas. Eu digo isso porque o hype antes dos lançamentos é muito grande e as primeiras edições são bem, digamos, “introdutórias”. A mistura de grande hype mais começo devagar, gera a impressão de que estamos vendo um material ruim. Por isso, é bom acompanhar uma boa parte de uma saga de uma fez, pra só então desenvolver melhor a opinião.

Minutemen #1, porém, não sofre desse mal. Nem de perto. As três primeiras páginas da revista já entram rasgando e mostrando que, sim, a saga pode ser muito boa e agregar muito ao universo criado por Alan Moore.

Nas duas primeiras páginas, nós acompanhamos o epílogo da autobiografia escrita pelo primeiro Coruja, membro do Minutemen. O texto, em si só, já é bom, mas a arte de Darwyn Cooke complementa o texto de maneira brilhante. O texto tem um estilo bem “Mooreano”, algo que parece uma emulação do autor britânico. E é na terceira página que Cooke surpreende: o Coruja olha para o que escreveu e diz: “Eu tenho de encarar os fatos. Eu não sou Tolstói” e depois complementa: “Acho que nós vamos ter de nos manter como somos…”.

A mensagem não poderia ser mais clara: Darwyn Cooke não é Alan Moore. Mas quem disse que isso é ruim? Before Watchmen não é Watchmen. Não vai mudar, não vai acabar com a obra original. A intenção é agregar, é explorar o universo, contar mais novas e boas histórias com aqueles personagens.

A intenção da DC é ganhar dinheiro? Claro que é! Não sejamos radicais como Alan Moore. A DC quer ganhar dinheiro, pois sem dinheiro não tem quadrinhos e sem quadrinhos não tem essas histórias. Seria melhor criar novas e empolgantes histórias em novos e empolgantes universos? Sim, claro que seria. Mas é tão ruim fazer um BOM trabalho em um universo já conhecido?

Depois disso, a revista se preocupa em apresentar os membros do Minutemen, o primeiro grupo de heróis mascarados desse universo.  Nós conhecemos um a um deles e qual a abordagem de cada um nessa vida de combatente do crime. O Justiceiro Encapuzado, a Espectral, o Coruja, o Comediante, o Mariposa, a Silhouette, o Dollar Bill e o Capitão Metrópolis. E também vemos o comecinho da formação do grupo, mas isso é o máximo de história que tiramos de Before Watchmen: Minutemen #1.

A revista, escrita e desenhada por Darwyn Cooke, trabalha muito bem com a nostalgia, tanto a dos leitores em relação ao material, quanto a do Coruja em relação à época de combate ao crime. Aliás, nostalgia é um sentimento incrivelmente universal, o que torna a obra incrivelmente empática.

No fim de tudo, Before Watchmen: Minutemen #1 é boa. Ao seu próprio estilo, claro. Afinal, como já dito, Darwyn Cooke não é Alan Moore. É Darwyn Cooke. E Before Watchmen não é Watchmen. É Before Watchmen.

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