Review | Amazing Spider-Man #700 – RIP

Leandro de Barros

  quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Review | Amazing Spider-Man #700 – RIP

Dan Slott escreve e Humberto Ramos desenha a última edição de Amazing Spider-Man, da Marvel Comics

Spoilers – que você já deve ter conhecimento – abaixo.

ASM 700 Review

Enfim chegou o fatídico dia 26 de dezembro de 2012, data da publicação de Amazing Spider-Man #700, o maior acontecimento programado pela Marvel nesse ano. Maior do que Avengers vs. X-Men, maior do que Spider-Island, maior do que tudo…

A revista começa com o Dr. Octopus (dentro do corpo de Peter Parker), no seu apartamento, em um encontro com Mary Jane. As coisas são interrompidas quando soa um alarme com notícias sobre o Dr. Octopus (que na verdade é o Peter verdadeiro dentro do corpo moribundo do vilão). Peter conseguiu fugir da Gruta contratando alguns super-vilões, como o Scorpion, Ardiloso e o Homem-Hídrico e agora está tentando se estabelecer para executar o plano para retornar ao seu corpo.

Durante os “reparos” para tornar o corpo do Dr. Octopus móvel, o Ardiloso comete um erro que causa a morte de Peter por alguns minutos. O jovem se vê no “céu” (que pode ser interpretado como céu mesmo ou como algo da cabeça dele) e reencontra várias pessoas do sue passado, como os seus pais, o Capitão Stacy, Gwen e até o Tio Ben. Porém, a missão de Peter não está cumprida e ele precisa voltar. Nesse momento, os “Três Patetas” conseguem reanimá-lo e Peter volta ao corpo do Dr. Octopus.

O primeiro passo do plano de Peter é ir até um armazém da polícia onde tecnologia de super-vilões é amarzenada. Peter está atrás do robôzinho que o Dr. Octopus usou para trocar de corpos, para poder reverter o processo. No meio do caminho, ele é parado por Carlie. Peter revela o que aconteceu, mas ela não acredita e atira nele, sendo atingida pelo ricochete de uma das balas.

Nesse meio tempo, o Dr. Octopus (que não custa lembrar, está no corpo do Peter Parker) reúne todos os amigos e familiares do Peter em uma espécie de bunker na Torre dos Vingadores, para deixá-los à salvo (e não correr o risco do Peter de verdade entrar em contato com um deles revelando o que aconteceu).

Depois de alguns desenvolvimentos (a gangue de Peter é atacada pela polícia e o herói captura o Ardiloso e Mary Jane admite amar o “falso” Peter), o verdadeiro Parker vai até a Torre dos Vingadores com o robôzinho para mostrar à outros heróis-cientistas, como Tony Stark ou o Fera, e provar o que aconteceu. Lá, ele é recebido pelo Homem-Aranha Superior e a luta começa. Dr. Octopus reprograma o sistema de defesa da Torre para atacar os intrusos e dá uma maneira do Scorpion e do Homem-Hídrico irem até onde os amigos e família de Peter estão. Enquanto o verdadeiro Peter enfrenta os sistemas de defesa dos Vingadores, o pessoal da Horizon Labs. consegue capturar o Homem-Hídrico e o Dr. Octopus enfrenta o Scorpion. Desconhecendo o poder total do corpo de Peter Parker, Octopus acerta o Scorpion com muita força, fazendo um estrago bem grande no vilão.

Peter consegue se livrar das defesas da Torre e prende Octopus usando os seus novos tentáculos. Depois de uma breve discussão, os dois caem pela janela da Torre. Já não sobra mais nenhum tempo e o corpo do Dr. Octopus (com Peter lá dentro) está à segundos do seu fim. A última esperança é usar o robô para trocar de mentes novamente.

O plano parece dar certo, mas o Dr. Octopus já esperava por algo assim e tinha revestido a sua cabeça com uma placa de metal para evitar sofrer essa reviravolta. Porém, um link neural se estabelece e Peter faz Octopus reviver as memórias mais marcantes do Homem-Aranha: a infância com os tios, o começo dos poderes, a morte do Tio Ben, a culpa por não ter feito nada, as mortes de Gwen, do Capitão Stacy e de outros, as batalhas com o Lagarto, o Homem-Areia, o Uniforme Negro… enfim, toda a história do Homem-Aranha. O choque é muito grande para o Dr. Octopus, que se surpreende com tudo que o seu arqui-inimigo suportou.

Essa acaba sendo a última vitória de Peter Parker. O herói consegue mudar a cabeça de Dr. Octopus, ensinando que “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. Peter dá uma última olhada em Mary Jane e nos outros e morre com a promessa de que o Dr. Octopus protegerá a todos.

Amazing Spider-Man, criada em 1962 por Stan Lee e Jack Kirby, se encerra (pela segunda vez) com um discurso de Otto Octavius. Não mais o Dr. Octopus, mas o Homem-Aranha Superior. Otto promete carregar o legado de Peter e usar o seu cérebro e a sua ambição para se tornar um super-herói.

ASM 700 Review 03

Eu gostaria de separar um parágrafo pra dar uma geral nos aspectos técnicos da revista. Depois da “história principal”, Amazing Spider-man #700 ainda conta com outros dois contos do Aranha – um mostrando o herói muito tempo no futuro, com um bisneto, e o outro numa história “romântica” com a Gata Negra. Sobre esses contos, eu gostei mais deles do que da maioria das histórias do Dan Slott com o Aranah que eu li. Inclusive essa última, pra ser sincero.

Porém  contudo e todavia, mesmo depois da morte do Tio Ben, da morte da Gwen, do fim do casamento com a Mary Jane e todos os outros sofrimentos que Peter já passou, poucas coisas se comparam ao desprazer de ser desenhado por Humberto Ramos. Piadas à parte, a arte do brasileiro mexicano é muito fraca para estar na principal revista do Homem-Aranha.

O Superior Homem-Aranha

Em entrevista à USA Today, o escritor Dan Slott e o editor Stephen Wacker falaram um pouco sobre essa ideia de colocar o Dr. Octopus como o Homem-Aranha. Uma declaração deles evidencia o porquê de eu não ser a favor dessa novidade:

“Nós queremos fazer o Homem-Aranha ao estilo Batman – mais sombrio e bizarro. Será sobre isso grande parte do nosso primeiro ano com o Superior Homem-Aranha: o Dr. Octopus se comportando de uma maneira que ele não está acostumado. Nós veremos um lado mais simpático do Dr. Octopus. Nós não poderíamos ter um Homem-Aranha andando por aí assassinando pessoas. E eu não tenho interesse em ver esse tipo de personagem vencer”, disse Wacker.

Meu problema com essa mudança é justamente esse. Eu não tenho experiência em edição de nada e nunca trabalhei na indústria dos quadrinhos, mas imagino que se o editor e o roteirista do MAIS FAMOSO e MAIS ICÔNICO personagem da minha editora quer transformá-lo em um dos MAIS FAMOSOS e MAIS ICÔNICOS personagem da EDITORA RIVAL, algo está errado.

O Homem-Aranha não é o Batman, ele é o Homem-Aranha. Histórias mais sombrias podem funcionar no Batman e em outros heróis, mas o Aranha sempre foi sobre outra coisa. Eu não sou contra a mudança de status quo dos personagens. As coisas precisam avançar, mudar. Mas existem mudanças e mudanças. Algumas são boas ideias (mesmo que sejam cosias ruins para os personagens) outras são ideias ruins.

Talvez esse Superior Homem-Aranha não seja um mal personagem, talvez suas histórias não sejam ruins, mas não serão histórias do Homem-Aranha. O nome só está ali pra Marvel não perder a força que a marca tem.

Descanse em paz, Amigão da Vizinhança…


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