Resenha O Jogo do Exterminador

Ender's Game, a.k.a. O Jogo do Exterminador, é o tipo de ficção científica que agarra o leitor e tira um pouco da noção de gravidade. Publicado no Brasil pela Devir (e pela Aleph), conta a história de Ender Wiggin, um garoto que pode ser a salvação da humanidade numa guerra com extraterrestres, mas como todo bom possível herói, também pode ser um perigo. Quer coisa melhor?

Regina Umezaki

Regina Umezaki
@reginaumezaki

  terça-feira, 24 de junho de 2014

Ender’s Game foi uma leitura surpreendente, tão surpreendente que mesmo lendo spoilers por aí eu fui pega pelos plot-twists.

enders game 2Publicado no Brasil como ‘O Jogo do Exterminador’, o livro acompanha a vida de Andrew ‘Ender’ Wiggin, um garoto de seis anos, a partir do momento em que ele perde seu monitor – um equipamento de vigilância colocado em crianças para facilitar a análise de suas capacidades, separando as mais promissoras na tentativa de encontrar possíveis comandantes para exércitos na guerra contra os ‘Buggers’, uma raça alienígena que causou baixas descomunais à Terra nos dois embates já travados.

Ender é o terceiro filho num mundo que desencoraja mais de duas crianças por casal. Seu irmão mais velho, Peter, tem tendências violentas e extrema aptidão para crueldade; Sua irmã Valentine, a segunda filha, é provavelmente o único ser no mundo que verdadeiramente se importa com ele, mas não chega a ser uma aliada, tornando-se em geral sua companheira na condição de vítima.

Aos seis anos, Ender é um gênio. Não há muito que argumentar sobre esse aspecto do livro: Ele gira em torno de personagens extremamente novos, sendo o protagonista o mais novo entre eles, mas a maturidade e astúcia demonstrado são elevados a níveis admiráveis mesmo se presentes em adultos. Essa característica da narrativa é o mais próximo de uma falha significativa que existe na obra: pessoas tão novas que é difícil para o leitor aceitar seu intelecto extremamente afiado. Ao longo da narrativa, no entanto, encontram-se algumas justificativas que me pareceram suficientes dentro do contexto.

Como o próprio nome sugere, o livro segue Ender e os jogos, que são a ferramenta na educação dos jovens prodígios escolhidos para um dia assumir a guerra contra os Buggers. Fase por fase, a história se divide em momentos da vida do protagonista em seus estudos, impressionando pela inteligência dos obstáculos e, mais ainda, pelas soluções encontradas para eles.

A construção da personalidade de Ender é meticulosa desde sua mente brilhante até sua ‘alma velha’ e seu constante cansaço psicológico. Cercado pela solidão imposta por terceiros na tentativa de torná-lo um líder melhor, ele nunca está verdadeiramente feliz ou confortável, tendo aprendido desde a infância a esperar por golpes baixos e nunca inteiramente indolores, mesmo quando suaves.

A história tem seus momentos baixos, mas são tão escassos e em geral seguidos de acontecimentos tão relevantes que acabam sendo deixados de lado em prol do quadro panorâmico. Ender’s Game impressiona porque, apesar de ter ápices e ação e todos os elementos necessários a uma boa ficção científica, o autor escolheu ir além, explorando relacionamentos e aspectos contraditórios que só são encontrados na ficção científica excelente.

Por esses motivos e tantos outros, se você nunca pensou em ler o livro, pense. E, se já pensou em ler, leia.


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