Os Novos 52 – Parte 1

  Pedro Luiz   |    terça-feira, 19 de junho de 2012

Os Novos 52 chegaram ao Brasil nesse mês e nós trouxemos um pouco das nossas primeiras impressões sobre o polêmico reboot da DC. Na primeira parte temos o mix de três histórias do Batman e a grande Universo DC, com sete histórias.

Na primeira parte do review dos novos 52 da DC temos o mix de três histórias do Batman, e a grande Universo DC, que traz sete histórias. Lembrando que o Matheus Pessôa, nosso ilustre redator, escreveu sobre o mix do homem morcego.

Batman #1

R$ 6,50 – Capa couche, papel Pisa Brite, 76 páginas.

Nesta grande onda de recomeço pelo universo DC, Batman #1 é o início de uma nova jornada na saga do Morcego nas histórias em quadrinhos que já teve muitas reviravoltas e descobertas no passado.

Na primeira edição da revista de um dos heróis mais conhecidos da editora, vemos que a história toda recomeça, mas não completamente. O que isso quer dizer: é preciso certa bagagem de leituras das HQ’s de Batman para conseguir entender algumas coisas que se passam dentro das histórias (principalmente na primeira que é apresentada ao leitor).A história que aparece primeiro, Truque com Facas, mostra um Bruce Wayne com ar de compatriota, tentando mudar Gotham City (como sempre), tentando transformar a violentíssima e sombria cidade em algo melhor, como há muito tempo vem tentando. Isso nos mostra que, embora a história esteja sendo recontada, a verdade é que Gotham não mudou nada em seu status social e muito menos quando falamos sobre os índices de violência.

Gotham é vil. Gotham é perda de tempo. Gotham é um caso perdido’’

Em Truque com Facas, todos esses adjetivos são justificados com atos maníacos que andam ocorrendo dentro da cidade, como esfaqueamento de vários cidadãos e cenas que são muito bem retratadas pelos ótimos desenhos de Greg Capullo, que deixam transparecer a atmosfera sombria que Gotham acaba passando para os leitores. Neste contexto, Batman sai à procura do responsável por esses atos e acaba se surpreendendo… Surpreenda-se você também ao ler esta primeira história.

Detective Comics #1: Uma história clássica sempre permanece clássica. E ponto final. Em Detective Comics #1, o Batman já começa caçando o inimigo. Isso, para mim, é um bom começo para um arco com tanta história em décadas passadas na vida de Batman, que assume, além do papel de vigilante, o papel de detetive para encontrar o Coringa, que aparentente voltou à ativa e continua fazendo suas bizarrices por toda Gotham. O que é bom em Detective Comics é exatamente isso: já começa com a ação e o suspense que sempre pairaram pelas histórias do Morcego e que era uma das promessas para esse novo início no universo DC.

Nessa ‘’caçada sinistra’’, Batman busca a ajuda de um velho conhecido, o Comissário Gordon, que vinha tendo um papel maior na vida do vigilante a cada história que se recomeçava e hoje, pode ser considerado até um dos ‘ajudantes’ de Batman. Mas a verdade é que o Coringa é muito difícil de ser encontrado. Não é só na revista, mas é algo que se extendeu até à versão cinematográfica de Nolan, em 2008. Sempre foi e sempre vai ser assim quando falarmos do palhaço assassino. Nesse arco, especificamente, o Coringa já se mostra ao leitor como um sádico à procura de matar aleatória e brutalmente; Os desenhos de Tony Salvatore Daniel são muito bons, principalmente nas cenas de briga nas quais o vilão maior chega a até mesmo arrancar pedaços de suas vítimas. Sem falar das flashpages muito bem trabalhadas que mostram o Batman ‘patrulhando’ a cidade e em busca do Coringa. A história termina de um modo muito interessante e já causa ansiedade para a próxima edição do mês que vem. 

Batman – The Dark Knight #1: O Cavaleiro das Trevas continua com a mesma pegada das  duas outras histórias contadas na revista, ainda com o ‘patriota Bruce Wayne’ com seu insistente e eterno projeto de revitalização de Gotham. Com certeza podemos dizer que as partes em que ele se veste de Batman e vai combater TODOS os criminosos que fugiram do  Asilo Arkham são as mais bem desenhadas desta publicação, ainda mais na parte de cores, quando podemos ver o reflexo das luzes dos carros de polícia que vedam o local fazendo reflexo nos personagens e uma maneira muito harmoniosa. É basicamente isso o que acontece nesse terceiro arco da primeira revista do reboot de Batman na DC.

Chega de homem morcego e vamos para o mix mais cobiçado da DC!

Universo DC #1 

R$ 16,90 – Capa couche, papel Pisa Brite, 156 páginas.

Esse reboot, que já foi discutido em nosso grandíssimo podcast, fez com que meu prazer em comprar HQs regulares voltasse. Foi muito prazeroso empunhar o primeiro número dessa revista, que tem  tamanho e  grossura ideais para ficar destacável na estante. E sim, se você coleciona quadrinhos, isso é uma preocupação recorrente. O tratamento externo realmente me animou, porém, o mix que se encontra ali em 156 páginas se revela uma montagem com altos e baixos. Saiba por quê.

Aquaman #1 foi o motivo pelo qual comprei esse mix. Com Ivan Reis e Joe Prado por trás dos desenhos, e Geoff Johns assinando o roteiro, essa primeira edição traz sacadas geniais. A começar pela abordagem diferenciada em apresentar o rei de Atlântida: Num dia normal, ladrões estão sendo perseguidos pela polícia quando o herói aparece e os neutraliza. Os policiais soltam um: ‘’Você precisa de um copo d’água, ou algo assim?’’. Essa brincadeira feita pelo roteirista nada mais do que é a realidade do universo DC. Aquaman nunca foi visto como um herói sinistrão e poderoso, sempre foi motivo de chacota. Aqui, a primeira edição assume isso e tenta passar o outro lado dele, o lado que interessa. Vale ler essa primeira edição, e continuar acompanhando para ver no que vai dar. (Detalhe para a brilhante parte de apresentação do personagem, com um blogueiro fazendo uma ‘’entrevista’’ com o Aquaman enquanto ele come peixe e fritas)

Gavião Negro #1 já começa com alguns questionamentos. Carter Hall está tentando se livrar de sua grandiosa armadura de metal enésimo, quando solta um: ‘’Após tantos anos, você (metal enésimo) ainda é um mistério para mim’’. E é mais ou menos a minha visão sobre esse recomeço do gavião. Mistério. Essa primeira edição serviu para caracterizar o tal metal enésimo, e mostrar que se trata de algo muito poderoso (o vilão quer roubá-lo), mas sobre o próprio Carter Hall, pouco se sabe. De onde veio? Como adquiriu o metal? Para onde vai? Quem sabe vamos descobrir a resposta no próximo globo repórter.

OMAC #1 foi um dos problemas que encontrei nesse mix da DC. As histórias foram muito mal casadas no sentido da escolha dos heróis. A revista vem com Aquaman e Mulher Maravilha, assim como vem com OMAC e Falcões Negros; dois títulos absolutamente fracos. Sobre  OMAC, podemos notar uma tentativa de resgate dos traços antigos do grande Jack Kirby. E sim, os traços estão nessa pegada, e são satisfatórios. A primeira vista, parece um quadrinho dos anos 80, multicolorido e ‘’alegre’’.  Já o roteiro é fraquíssimo, com uma ‘’inspiração’’ (plágio é feio) clara em Hulk, da Marvel. Não pretendo acompanhar OMAC e sua força descomunal.

Nuclear #1 foi a única história bipolar desse mix. Ela começa muito bem e fica meio confusa para quem não conhece a origem do personagem. O início envolvendo uma equipe de assassinos é empolgante e promissor, rendendo cenas até corajosas para o título. Um pouco de sangue e discussão racial podem ser vistas aqui. Eu vou esperar pela próxima edição, se ela não for boa, dou adeus ao título. Por enquanto, dá pra ler.

Sr. Incrível #1 é uma boa pedida. História simples e convincente da origem de um herói secundário interessante. Diferente do resto dos títulos lidos aqui, Mister Terrific é o único que utiliza o manjado flashback para contar sua origem. Envolvendo ficção científica, a revista é promissora. Fica a dica para o mês de Julho.

Falcões Negros #1 é a revista mais fraquinha. De vez em quando, inovar para conquistar novos públicos é bom, mas prejudica os fãs das histórias passadas. Blackhawks é radical demais na mudança, e além disso traz personagens menos atrativos do que os do pré-reboot. Em Universo DC 2, passarei batido pelos Falcões.

Mulher Maravilha #1 é bem interessante. Profecias e frases referentes a origem da amazona são os pontos que tornam esse primeiro número da revista uma pedida interessante para julho, quando sai o número 2. A princípio, está tudo confuso. Quem desconhece a amazona vai se perder, ficar com perguntas martelando na cabeça, e vai procurar saber mais. E se é para isso que rolou o reboot, parece que está dando certo. Destaque para a cena em que a Mulher Maravilha é apresentada: Uma bela mulher enrolada em seus lençóis. Só não vai vender mais do que Voodoo.

Os Novos 52 no Brasil


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários