O fim das Incríveis Aventuras de Puny Parker

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 09 de junho de 2011

Uma pequena análise sobre o fim de As Incríveis Aventuras de Puny Parker, a série criada pelo artista Vitor Cafaggi sobre a infância do garoto que viria a ser o grande Cabeça-de-Teia, chamado por alguns de Homem-Aranha

… a história do garoto que viria a ser o Homem-Aranha.

Na última sexta-feira, dia 3 de junho, foi publicada a última tirinha das Incríveis Aventuras de Puny Parker. Sim, eu misturo os nomes em inglês e português. Me prenda.

A série é uma visão do quadrinista Vitor Cafaggi sobre a infância do garoto que se tornaria o grande Homem-Aranha. As tirinhas começaram no Orkut, como forma de garantir que Vitor desenhasse todas as semanas. As pessoas começaram a gostar, enviaram pros amigos que começaram a gostar e tudo começou a crescer. Hoje, existe um blog muito bem visitado e comentado, onde as tirinhas são divulgadas.

Não é difícil entender como as tiras de As Incríveis Aventuras de Puny Parker fizeram tanto sucesso. Com diversas referências ao Universo Marvel e, principalmente, ao Universo do Aranha, sacadas engraçadas e, principalmente, uma sensibilidade única e reflexiva, que nos deixa pensando sobre as experiências da nossa vida. É quase impossível pra um fã de quadrinhos desde a infãncia não se identificar com a versão do Peter Parker do Cafaggi, suas aventuras e desventuras na escola, seu amor platônico, sua relação com o Tio Ben.

A série tem um estilo parecido com Calvin & Haroldo e Charlie Brown, tanto nos traços dos desenhos, tanto nas mensagens escondidas na simplicidade da inocência da infância. Puny Parker é uma série que inevitavelmente vai te levar a revisitar sua infância. Você vai voltar àqueles tempos de ler quadrinhos deitado no chão do quarto, dos seus sonhos e, claro, você VAI lembrar daquela garotinha da escola. É, aquela mesmo. Você sabe qual é, você está pensando nela agora. Em Puny Parker, ela é a pequena Mary Jane, com sua personalidade forte, mas carinhosa, decidida, sonhadora e até um pouco carente, por que não?

Além de Peter Parker, Mary Jane, Tio Ben e Tia May, praticamente todos os outros personagens da mitologia do Homem-Aranha fazem aparições da série. Flash Thompson, Liz Allen, Tia Anna, Harry Osborn, Gwen Stacy, Norman Osborn, J. J. Jameson, Betty Brant e Gayle Watson. Fora isso, grandes participações especiais como o grande amigo do Aranha, Johnny Storm, Matt Murdock, Reed Richards e Ben Grimm. Até o Wolverine já apareceu uma vez, num Wallpaper. Stan Lee já esteve em dois. Ah, não dá pra esquecer da idolatria do Pequeno Parker pelo Capitão América, claro.

Eu poderia fazer uma análise muito mais aprofundada, conectando passagens, momentos e ícones da série com mensagens e idéias, mas isso não seria certo. Essa seria a minha interpretação e não sobre o que é a série. Acho que o lance mais legal de um conteúdo desses é a liberdade de múltiplas interpretações que cada um pode dar, baseado nas experiências que viveu. O Peter Parker foi um personagem criado para haver uma conexão enorme com o leitor. Ele é o retrato de todos nós nas HQs da Marvel: o nerd, esforçado, batalhador, jovem e um pouco sofrido. O cara que se desdobra pra dar conta de tudo agora que entrou nessa história de ser adulto e ter responsabilidades. O Puny Parker do Vitor Cafaggi tem a mesma pegada, só que com a nossa infância. Esse foi um dos pontos que eu mais me impressionei com a obra. É comum fãs criarem histórias paralelas dos seus personagens favoritos. O mercado das fanfictions é enorme e bem frequentado na internet, mas eu nunca tinha visto alguém reproduzir as características principais de um personagem, numa obra própria, com características únicas e que anda com as próprias pernas.

O formato da série é de tirinhas semanais únicas, mas que fazem parte de um grande conjunto. Cada uma das tirinhas se completa sozinha e não é preciso ser um super-expert pra entender o que acontece em cada uma. Na verdade, você pode pegar qualquer uma das tirinhas, sem ter lido as anteriores ou conhecer o universo do Homem-Aranha e mesmo assim entender o que acontece e qual o sentido da tirinha. Mesmo assim, todas elas fazem parte da “história da temporada” e as temporadas compõem uma grande história. Ainda assim, a própria série possui sua mitologia, como o Bailinho ou as férias no lago ou, até mesmo, o Halloween, sempre presente e sempre com acontecimentos marcantes. Aliás, algumas tirinhas fazem referências à aventuras anteriores.

Falando em mitologia da série, é muito legal ver que ela não é só no formato das tirinhas. Ela saiu disso e, além das tirinhas, existem wallpapers, papertoys e até trilha sonora de alguns momentos. Tudo disponibilizado de graça pelo Cafaggi no blog da série. Aliás, é de se fazer notar o capricho do artista. Os CDs da trilha sonora do bailinho, por exemplo, é disponibilizado com encarte todo desenhado por ele. É realmente impressionante. Ah, ele também faz pacotes de download com as temporadas completas. Tudo lá no blog.

Deixando o Puny Parker de lado e falando um pouco do dono das mãos que fazem os desenhos, Vitor Cafaggi é um mineiro fã de quadrinhos e um dos desenhistas que mais admiro. Eu realmente gosto do trabalho do cara e considero-o um dos mais talentosos quadrinistas do mercado nacional. Não foi à toa que ele foi um dos artistas que desenhou no MSP 50. Além de Puny Parker, Cafaggi tem uma outra série, Valente, que está sendo publicada todos os domingos no Segundo Caderno do O Globo. É mais um do seus ótimos trabalhos, que também faz uso da sensibilidade única que esse autor consegue transcrever nas suas histórias. Ah, ele também dá aulas numa escola de Artes.

Bom, vou ficando por aqui. Eu só queria mesmo falar dessa ótima obra dos Quadrinhos Nacionais que chegou ao seu fim. Acessem ao blog para ler todas as 140 tirinhas do Puny Parker, baixar os pacotes, os wallpapers, cds, os papertoys e tudo mais. Sigam o Vitor Cafaggi no twitter para ficar ligado no trabalho do cara.

Eu espero que esse pequeno texto sirva para mostrar à alguns leitores casuais de quadrinhos, que existe vida no mercado nacional além de Dr. Pepper’s e traduções do Cyanide & Happiness. Os “leitores hardcore” com certeza já conhecem o Puny Parker.

E é isso. :)


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários