Marvel rejeitou idéia de um super-time só com heroínas dos quadrinhos

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 12 de julho de 2012

Roteirista queria criar grupo com a X-23, Viúva Negra, Mística e Elektra e a Marvel recusou

O BleedingCool noticiou hoje que, há um ano atrás, a Marvel cortou uma idéia bem interessante logo no começo do seu desenvolvimento porque, vejam bem, era algo estrelado por mulheres.

Marjorie Liu, roteirista de Astonishing X-Men, bolou a idéia de um time de super-heróis formado só por mulheres. Os membros seriam a X-23, a Viúva Negra, Elektra e a Mística. A idéia era contar com Mike Perkins como desenhista e esse grupo seria algo secreto dentro do Universo Marvel.

A Casa das Idéias rejeitou o grupo porque, segundo eles, a revista não venderia. Não venderia porque o público prefere colocar Avengers vs. X-Men no topo das revistas mais vendidas do mês e não venderia porque tá tudo errado nesse ~mundo nerd~.

Eu devo dizer: não deve ser fácil ser mulher na indústria dos quadrinhos. Aliás, melhor: não deve ser fácil mulher no “mundo nerd”. De alguma forma que eu não consigo entender, um mundo que é “dominado” por homens consegue fazer todo o tipo de esforço para afastar as mulheres.

O engraçado é que esse tipo de atitude parte das empresas e editoras desse setor e reflete nos fãs, ou talvez parta dos fãs e reflita nas editoras.  É um daqueles dilemas da bolacha.

Por um lado, os homens aplaudem a “objetificação” da mulher em capas como a de Catwoman #0. Aí as editoras capricham e mandam vir em mais. As mulheres que estão de fora, se dividem em três grupos: aquelas que desprezam esse tipo de coisa, aquelas que são indiferentes e aquelas que enxergam uma oportunidade nisso. Nasce aí as “attention whores”, aquele tipo de mulher que só surge nesse tipo de força um cosplay de pouca roupa ou coisa do tipo pra ganhar atenção da nerdaiada. De novo, os homens aplaudem. Até que percebem que é golpe e ficam cabreiros.

Depois disso, os homens começam a elaborar um “quiz” pra toda mulher que se diz nerd. O cenário é clássico: uma menina se diz nerd numa rede social/fórum e do nada surge uns quinhentos caras pra “testar” a nerdice dela. Daí surgem coisas como “Ah, você joga video-games? Já jogou a versão beta daquele jogo indie feito na zona rural da Namíbia? Então você não é nerd” ou “O quê? Você nunca leu os rascunhos originais daquela fanzine feita pelo Zé das Coves na Comic-Con de 1990? Pfff“. Uma vítima recente desse tipo de coisa foi a Aisha Tyler, atriz que apresentou a conferência da Ubisoft na E3 2012. Gamer de carterinha, a atriz foi escrachada na internet porque uma galera não achava que ela fosse gamer de verdade.

E o que isso gera? Falta de público feminino e/ou falta de participação desse público. Assim, editoras como a Marvel ou outras empresas nesse ramo não incentivam obras que sejam voltadas para o público feminino ou que tenha mulheres que não estão com pouca roupa. Um exemplo claro foi a roteirista Kelly Sue DeConnick praticamente implorando pro público comprar a revista da Capitã Marvel para que o título dure mais do que seis edições.

Meu ponto aqui não é  aprovar tudo ou bater palma pra tudo que uma mulher fazer nesse meio. Meu ponto é dar chances iguais e não cancelar uma revista/filme/game/série que só porque ela é feita/estrelada/voltada para e/ou pelo público feminino.


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