George R.R. Martin: “Talvez Stan Lee tenha sido a minha maior influência literária”

Leandro de Barros

  quinta-feira, 14 de agosto de 2014

George R.R. Martin: “Talvez Stan Lee tenha sido a minha maior influência literária”

Escritor comenta sobre a influência que os quadrinhos tiveram na sua carreira

George R.R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo (que você talvez conheça como “os livros de Game of Thrones”), é um grande fã de quadrinhos. Do tipo que cresceu lendo e acompanhou algumas das principais mudanças da indústria e adora aqueles personagens – ele até já disse publicamente que toparia escrever a série mensal do Dr. Estranho.

Pois bem.

Recentemente, o autor foi até o Festival Internacional do Livro de Edimburgo, como nós já reportamos por aqui. Lá, ele participou de um painel onde comentou sobre vários temas, inclusive sobre a influência que essas publicações em quadrinhos tiveram na sua carreira, onde ele disse (meio brincando, meio sério) que talvez Stan Lee tenha sido a maior influência literária da sua carreira.

Tudo começou com uma carta que George R.R. Martin enviou para a Marvel comentando os eventos de Avengers #9, na longínqua década de 60. Para os menos versados na mitologia da Casa das Ideias, essa é a edição em que o Magnum é introduzido aos Vingadores. Eu poderia dizer o que acontece com ele, mas é melhor deixar George Martin fazer esse trabalho por mim e explicar como essa revista influenciou a sua carreira:

Magnum é um personagem que vem e se junta aos Vingadores. Ele é um grande herói, muito poderoso, mas secretamente ele é um vilão que foi plantado dentro do time para destruí-los por dentro. Mas quando chega o momento em que ele deveria traí-los e destruí-los, ele passa a gostar tanto dos Vingadores que ele não consegue cumprir sua missão e, ao invés disso, se sacrifica e morre no fim da edição. Claro que eu adorei isso, mesmo aos doze ou treze anos de idade. Tudo sobre essa edição me agradou. E eu olho pra ela e, bem, aí está minha influência literária, ali está Stan Lee com um grande personagem, que você pensa que é bom, mas ele é mau, mas no fim ele é bom mesmo e se sacrifica e morre por isso. Claro que eles estragaram tudo trazendo o Magnum de volta à vida nas edições seguintes, mas na época em que eu escrevi a carta eu não sabia disso, eu pensava que ele tinha morrido mesmo. Então talvez Stan Lee seja minha maior influência literária, mais até do que Tolkien ou Shakespeare ou Sir Walter Scott ou qualquer um deles

No mesmo painel (que você pode assistir aqui!), George R.R. Martin é perguntado sobre sua primeira publicação, que ele responde ter sido um comentário numa revista do Quarteto Fantástico – que você pode ler abaixo:

ff martin

Prezados Stan [Lee] e Jack [Kirby],

Fantastic Four #17 foi melhor do que incrível. Mesmo agora, eu me sento admirado pela edição, tentando fazer o impossível: descrevê-la. Ela foi absolutamente estupenda, a melhor possível, o máximo! Eu não consigo entender como vocês conseguiram encaixar tanta ação em tão poucas páginas. Essa edição viverá para sempre como uma das melhores revistas do Quarteto já impressas, logo, uma das melhores revistas de TODAS. Em que outra revista nós poderíamos ver um herói cair em um bueiro, uma heroína confundir um inventor de brinquedos com um criminoso e o Presidente dos EUA deixar uma conferência que poderia determinar o destino do mundo para colocar a sua filha para dormir? A história épica, por mais espetacular e excitante que fosse, não foi a única responsável por fazer a revista tão boa. A coluna das cartas dos fãs foi impecável também. Eu quase morri quando vi a carta do Paul Gambaccini. Vocês realmente fizeram com que ele mudasse o tom dele; aquela carta estava muito diferente da que vocês publicaram em Fantastic Four #9. Depois ainda tinha o slogan na capa – A MELHOR REVISTA EM QUADRINHOS DO MUNDO! Brilhante! Vocês tinham a pior revista em quadrinhos do mundo quando começaram, mas vocês determinaram um ideal e, caramba, vocês chegaram lá! Mais do que isso, na verdade, porque se vocês fossem apenas metade do uqão bons vocês são, ainda seriam a melhor revista do mundo!


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