Dobradinha #01: Os livros de Doctor Who no Brasil
Regina Umezaki

Regina Umezaki
@reginaumezaki

  sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dobradinha #01: Os livros de Doctor Who no Brasil

Dois livros, um tema: Doctor Who. Quando Cair o Verão e Outras Histórias + Shada = Amor.

Com o retorno da série em 2005 e o sucesso que se seguiu, Doctor Who veio/foi/irá dominar boa parte da mídia cultural desse mundão lindo. As aventuras do Doctor, que já eram bastante famosas no Reino Unido e agora viajaram através da Vida, do Universo e Tudo mais até chegar no nosso país tropical, contam também com… (rufem os tambores)… Livros!

Capa_Doctor Who - quando cair o verao.inddO lançamento dos dois livros dessa Dobradinha foi em 2014, pela Suma de Letras (sim, eu estou atrasada). O primeiro, Quando Cair o Verão & Outras Histórias, é uma coletânea inspirada em episódios da série e, para quem gosta de uma piada interna, escrito por personagens. Em destaque, a famosa escritora Amelia Williams, Amy Pond para os íntimos. O segundo, Shada, é chamado de ‘Aventura Perdida’, uma vez que viu a luz em 2012, quando Gareth Roberts transformou-o em livro a partir de um roteiro originalmente escrito por Douglas Adams.

Apesar das abordagens diferentes, ambos os livros obviamente miram o mesmo público alvo: Whovians. Enquanto um escolhe entreter mais com as piadas internas do que com o conteúdo em si, o outro narra uma aventura completa que não deixa o leitor pensando que perdeu alguma coisa.

Quando Cair o Verão tem alguns detalhes interessantes, desde um prólogo que brinca com a mania universal de pular prólogos até uma entrevista com a autora, Amelia Williams, que faz declarações que podem arrancar o coração de um Whovian desavisado. No entanto, à parte desses detalhes, o livro nada mais é do que uma versão escrita de alguns episódios da série, desta vez narrados por personagens.

Ainda que os verdadeiros autores dos contos (James Goss e Justin Richards) tenham sido bastante competentes em assumir a personalidade dos autores anunciados (Melody Malone em especial) para escrever suas respectivas histórias, quem já viu a série provavelmente não vai se impressionar. O verdadeiro significado da obra como um todo vem das partes do livro que pouco tem a ver com as aventuras que ele conta: Prólogo, agradecimentos, entrevista com autor. Se a obra atinge algum objetivo, é o de se inserir no universo de Doctor Who com muita competência, mas isso tira um pouco do sentido dela para o leigo.

Como consideração final, diria que Amy e River nunca foram minhas personagens favoritas (Donna FOR THE WIN!). Talvez, se eu gostasse um pouco mais delas, o livro tivesse sido uma experiência melhor.

dobradinha doctor who 2Agora, vamos falar de Shada.

Ah, Shada.

Escrito originalmente como um arco da série clássica para sua 17 ª temporada, a história é uma aventura do Quarto Doutor (interpretado por Tom Baker de 1974 a 1981) que não foi ao ar da maneira tradicional devido a uma greve durante a gravação. Em 2012, o roteiro foi resgatado e novelizado, e em 2014 a tradução foi lançada no Brasil.

Em termos simples, diria que Shada é um episódio de Doctor Who tão bom quanto qualquer outro e melhor do que a maioria. A linguagem e o humor são extremamente similares ao de Douglas Adams em seus próprios livros (O Guia do Mochileiro das Galáxias, O Restaurante no Fim do Universo, etc), que não surpreendentemente casam muito bem com os eventos da série. Mais do que isso, na verdade: como um todo, o livro mostra que as séries clássicas são tão eficientes em entreter quanto as atuais.

Desde os vilões – um alien com grandes poderes e nenhuma responsabilidade que quer dominar o universo – até os companions – Romana II, uma Senhora do Tempo (Time Lady?) e K-9, que mesmo os fãs mais recentes da série tiveram a oportunidade de conhecer, o livro apresenta todas as características mais marcantes da série, sem deixar a bola cair. Ele usa, inclusive, de recursos que apenas a narrativa escrita poderia realizar efetivamente para inserir doses extras de um humor descontraído que parece ser parte intrínseca de Doctor Who, apesar de suas passagens mais pesadas.

No final das contas, diria que ambos os livros são, claro, bons para os Whovians, cada um à sua maneira. Se algum leitor que não viu a série se interessar por um deles, diria que Shada é a melhor escolha, but then again, eu também diria isso a um Whovian que viu a série clássica.


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