Assassin’s Creed: Renascença – Resenha

  Leandro de Barros  |    segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Escrito por Oliver Bowden Assassin's Creed: Renascença conta a história de Ezio Auditore da Firenze, um jovem obrigado a crescer e a amadurecer após o assassinato de parte da sua família e se torna um Assassino, na Itália Renascentista

Como nem só de pão vive o homem, e aproveitando a nossa nova parceria com a Galera Record, o Supernovo decidiu que, assim como Ditto, nós também temos mil faces.

Sendo assim, nós começamos uma nova parte do Supernovo hoje, chamada Na Prateleira, onde nós vamos esmiuçar livros, HQs, mangas e o que mais cair na nossa mão, não só para que você, nobre leitor, saiba se vale a pena comprar ou não, mas PRINCIPALMENTE, para rolar aquela troca de idéias sobre as obras comentadas.

Se nós já fizemos um pequeno preview disso com a Justice League #1, é hora de começar a bagaça oficialmente e do jeito que deve ser: metendo o pé na porta e cortando gargantas com uma lâmina escondida, LIKE A BOSS.

Assassin’s Creed – Renascença, escrito por Oliver Bowden, é mais um livro trazido para o Brasil pela Galera Record. O livro é inspirado no game Assassin’s Creed II e vai narrar a história de Ezio Auditore da Firenze pela Itália Renascentista. Pode seguir lendo que não tem spoiler.

Se um game é uma forma de arte e entretenimento interativa, e possui diversas áreas para se preocupar (história, jogabilidade, trilha sonora, etc), um livro é uma forma de arte e entretenimento passiva e precisa de preocupar com apenas dois itens: a história e como contá-la. Quando essa história é adaptada de outra mídia, um livro precisa apostar com força na forma de contar a história.

Felizmente para Assassin’s Creed – Renascença, Oliver Bowden soube contar essa história. Assim como seu protagonista, o livro prossegue de maneira ágil e decidida sem deixar muitos detalhes para trás ou situações não-resolvidas. Bowden abre mão (assim como o game fez) de alguns recursos textuais na hora de ambientar a história  na Itália Renascentista (vós entendereis quando lerdes) para manter a agilidade e a simplicidade do texto.

Muitos fãs de obras que são adaptadas em outras mídias reclamam das “mudanças” que a obra passa. Para provar que todo nerd é chato de nascença e que é impossível agradar essa raça, uma das principais reclamações sobre Renascença é que o livro é praticamente uma transcrição do jogo. Até os tutoriais estão lá. Quem não jogou Assassin’s Creed II não vai perceber esse defeito, mas quem já jogou vai se ver lembrando de partes onde o jogador tinha de aprender algum comando novo para usar novas habilidades de Ezio.

O protagonista de Assassin’s Creed – Renascença é o italiano Ezio Auditore da Firenze, um jovem que vê parte da sua família ser assassinada e descobre que seu pai era membro da Ordem dos Assassinos, uma ordem antiga, que remota desde o tempo das Cruzadas, para combater Os Templários, organização igualmente antiga. É importante lembrar que os livros escritos por Bowden não seguem o padrão da história geral da franquia.

Explicarei um pouco a situação. Se você já conhece a história dos jogos, pule o parágrafo. O verdadeiro protagonista de Assassin’s Creed é o jovem Desmond, que é sequestrado pela Abstergo Industries. A Abstergo desenvolveu uma máquina (Animus) onde é possível acessar memórias de antepassados das pessoas. Para azar (ou sorte) de Desmond, seus antepassados são importantes figuras da Ordem dos Assassinos, enquanto a Abstergo funciona para Os Templários. No primeiro jogo, Desmond revive as memórias de Altair, e no segundo (e nas suas sequências, Assassin’s Creed Brotherhood e Assassin’s Creed Revelations) Desmonde revive as memórias de Ezio.

No livro, a trama de Desmond foi totalmente apagada. A saga literária de Assassin’s Creed não é uma história sobre um rapaz do futuro envolvido numa briga entre duas organizações. A saga literária é composta por capítulos diversos dessa história. Renascença é apenas a história de Ezio na Itália. Os outros livros, ainda não lançados por aqui, devem seguir o mesmo estilo, retratando apenas aquele pedaço da história, sem a conexão entre todos eles.

Eu, pessoalmente, achei essa idéia mais interessante. Claro, para o game funciona bem a trama de Desmond e Lucy, mas considerando que Renascença é o primeiro livro, seria complicar demais. Fica mais interessante assim, acompanharmos apenas a saga dos assassinos.

Não só uma história entre Assassinos vs. Templários, Assassin’s Creed – Renascença é uma história de perda, vingança e amadurecimento pessoal. O jovem Ezio, que no começo era um rapaz despreocupado, alheio à toda essa história sangrenta e mais interessado em garotas do que em outra coisa, acaba tendo de entrar nesse mundo e crescer. Mais do que vingar seu pai e irmãos, cabe à Ezio ser a força que combate a exploração e opressão que os Templários exercem. Meu grande problema com a história de Assassin’s Creed (não só do livro, mas dos games) é o maniqueísmo da história. Os Assassinos são bons e Os Templários são maus, sem mais conversa fiada. Isso incomoda um pouco quem não gosta de polos divididos numa história. Porém, não custa repetir: esse é um “defeito” da história dos games, não há muito que o livro possa fazer, já que a proposta é ser um relato das memórias de Ezio.

O pessoal da Galera Record está de parabéns pelo trabalho feito no livro. A diagramação ajuda o leitor durante a leitura, a tradução está bem aceitável e a capa é um show a parte. Deu pra perceber que o trabalho nesse volume foi feito com muito cuidado e respeito com quem é fã do Assassino da Itália Renascentista.

Assassin’s Creed – Renascença é uma ótima pedida para os fãs do jogo, que vão se divertir revivendo as aventuras do italiano que se torna o assassino perfeito. Para quem não conhece Assassin’s Creed, o livro também é recomendado. Não é preciso ter conhecimentos anteriores do game, é tudo bem explicado e ninguém fica perdido.

Mais do que “um livro sobre um jogo”, Assassin’s Creed – Renascença é uma história sobre vingança,  justiça, amadurecimento pessoal e mudança, ambientada de maneira exemplar numa Itália Renascentista, com grandes cenas de ação. Um livro que você, caro nerd, precisa ter na sua estante.

Leia o primeiro capítulo do livro!

Onde comprar

PS: Queria deixar um agradecimento à Vivi, da Galera Record, e à Ana, do iCultGeneration. :)


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