A Morte do Wolverine – Tudo bem, Logan: você fez o suficiente…

Leandro de Barros

  segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A Morte do Wolverine – Tudo bem, Logan: você fez o suficiente…

Escrita por Charles Soule e desenhada por Steven McNiven, a saga Death of the Wolverine chegou ao fim na semana passada nos EUA (e pelo mundo em formato digital) e, com ela, o fim (por enquanto) da trajetória do Carcaju da Marvel

Chegou ao fim na última quarta-feira (15/10) a saga Death of the Wolverine (A Morte do Wolverine, em tradução livre) onde o Carcaju da Marvel finalmente encontra seu fim.

Esse texto serve para a gente poder comentar um pouco sobre o evento (um dos mais lidos do mercado norte-americano nesse ano) – portanto, eventualmente terá spoilers. Se você não se incomoda em saber COMO o Wolverine morre, continue.

death wolverine 03

Death of the Wolverine dá prosseguimento aos eventos que estão mexendo com o Carcaju há algum tempo – mais precisamente, desde A Era de Ultron, onde ele foi peça determinante na derrota do vilão do próximo filme dos Vingadores, mas cujo preço foi bem alto.

Recentemente, Logan foi infectado com um vírus específico durante uma missão com a S.H.I.E.L.D. e esse vírus age como um inibidor do seu fator de cura – resultando, portanto, num Wolverine matável. Essa condição acaba gerando alguns momentos bem fortes para o personagem, como ter sido derrotado pelo Pantera Negra (e tendo de ser defendido pela Lince Negra) e, principalmente, pelo Dente de Sabre. Eventualmente, isso tudo leva o Wolverine a se afastar dos outros heróis da Marvel por causa da sua fragilidade.

É aí que começamos em Death of the Wolverine: o Carcaju ainda procura por uma cura para seu problema e visita o Senhor Fantástico, do Quarteto Fantástico. Incapaz de obter a solução dos seus problemas, o canadense resolve desaparecer porque sabe que eventualmente a informação de que não pode mais se curar vai espalhar e mercenários virão atrás dele.

death wolverine 02Realmente não tarda e isso começa a acontecer, com dezenas e dezenas de soldados perseguindo o mutante – cansado de fugir, ele interroga um dos seus perseguidores para descobrir que há um contrato enorme para quem o capturar vivo. Determinado a colocar um ponto final nessa história e poder viver em paz, o Wolverine decide virar o jogo e se tornar o caçador contra quem quer que esteja atrás dele.

Basicamente, essa é a premissa de Death of the Wolverine. Contada em 4 capítulos, essa história não é muito complexa e segue numa direção bem linear – não que isso seja um defeito: nós seguimos uma trilha de sangue com o Wolverine como se o personagem fosse mesmo um caçador atrás de sua presa e não o contrário. O verdadeiro “vilão” do arco também não é muito surpreendente já que poucos adversários poderiam conceder tanto significado e conclusão para o fim da vida do Wolverine quanto o escolhido pelo roteirista Charles Soule (eu disse que teria spoilers, mas não preciso esfregar na cara as coisas também, né?).

Porém, contudo e todavia, esse seja em dos problemas desse arco: ele é muito certinho em todos seus pontos e ingredientes, mas não consegue dar liga nessa mistura. Parece que todos os elementos necessários para um evento de morte de um personagem estão ali: uma história simples para que a trama não fique na frente da morte em si; um vilão simbólico; o herói levado ao limite fisicamente; uma cena de morte montada para ser icônica e épica; revisita de momentos importantes do personagem. Está tudo ali, mas Death of the Wolverine não consegue ser o que foi planejado para ser.

Apesar dos fãs sempre torcerem o nariz quando uma editora planeja matar um herói (afinal, ele sempre volta antes do próximo filme), eu gosto desse tipo de evento. Não, não vou discordar do seu direito de não gostar – pra ser honesto, até acho que você está mais “certo” do que eu – mas tem alguma que me atrai nesses histórias.

Normalmente, a essência de um herói acaba se diluindo muito com o passar das suas histórias. Usemos o Wolverine como exemplo: de lobo solitário anti-herói dos X-Men, o cara acabou se tornando o fundador e diretor da Escola Jean Grey. É uma mudança bem grande, mas é ridículo esperar que uma narrativa de décadas não produza um efeito no personagem em questão.

Seja como for, às vezes é preciso uma história impactante e que reafirme do que se trata aquele personagem, quem ele é – e poucos tipos de história podem ser tão definidores e reafirmantes quanto a morte de um herói.

Nesse sentido, Death of the Wolverine fez o seu dever de casa, já que foi uma história muito focada no Carcaju em sim. Antigos inimigos retornam (ele não poderia morrer sem uma última luta contra o Dente-de-Sabre, nem que tenha sido uma das cenas mais fanservice planejadas pela Marvel nos últimos anos), antigas aliadas retornam (sim, ele não poderia ir embora sem um último momento com a Kitty Pryde, mesmo que… enfim), nós temos o lado selvagem o herói aparecendo, o lado leal, o lado honrado, o lado heróico; nós o vemos em ação no Canadá e no Japão, dois palcos famosos das suas histórias… enfim, Death of the Wolverine é caprichadinha em falar sobre o Wolverine – mas falha um pouco em causar um pouco de impacto na morte dele.

O cara morre como a gente esperaria que ele morresse: vencendo quem quer que fosse no fim, conseguindo um pouco de vingança pelo que foi feito a ele, mas mais importante, conseguindo evitar que o mesmo seja feito a outros. Para um cara que flertou entre o heroísmo e o anti-heroísmo, Logan teve uma morte bem  heróica e certinha. Mas certinha não marca ninguém.

death wolverine 01Ser soterrado por adamantium é muito simbólico e ficar de joelhos para sempre no sol é muito icônico, mas faltou impacto. Faltou o elemento que nós fará lembrar dessa história no futuro ou ansiar vê-la no cinema; faltou o Superman socando o Apocalypse com tanta força que os vidros dos prédios em volta se quebram; faltou o Peter Parker morrer nos braços da Tia May dizendo que está tudo bem porque ele conseguiu protegê-la e não falhou como com o Tio Ben; faltou o mesmo Peter Parker ser enganado por o Dr. Octopus e ter sua consciência transferida para um corpo moribundo; faltou o Batman aceitar usar uma arma e se sacrificar contra o Darkseid. Enfim, faltou impacto, faltou algo que faça com que a gente comente essa história daqui alguns anos e que a gente lamente que eles tenham de reviver o cara na época do filme.

Mas nem tudo são problemas. Como já mencionado, a saga faz seu dever de casa e conta uma história redondinha, com todos os pingos nos Is. Além disso, a arte de Steve McNive (Guerra Civil) é excelente e brilha bastante não só na composição dos cenários e dos personagens, como também nas cenas de ação – que nunca são confusas ou complicadas de se entender.

A maneira como os outros poderes do Wolverine são usados também é interessante. Transpor os seus sentidos de caçador e de dor usando balões com frases simples é muito interessante e dá ótimas possibilidades narrativas para a história, ainda que o recurso só seja mesmo utilizado no primeiro capítulo.

Para concluir, Death of the Wolverine é uma história legal e que terá importância por ser mais uma morte do Wolverine, talvez a mais longa e importante até aqui – porém, não faz juz verdadeiro ao crédito e atenção que recebe/receberá.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários