“Saravá, pé de pato, mangalô, 3 vezes!” – Superstições e suas origens!

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  sexta-feira, 13 de março de 2015

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“Saravá, pé de pato, mangalô, 3 vezes!” – Superstições e suas origens!

Aproveitamos a segunda sexta-feira 13 do ano para falar sobre origens de algumas surperstições famosas

Na sexta-feira 13 passada, falamos sobre as origens da supersticiosa data, o porquê de ser considerada um dia de mau agouro para uns sendo que para outros é simplesmente uma data qualquer. Bem, estamos em mais uma sexta-feira 13 e agora vamos ver quais as origens de três superstições que sempre são lembradas e a todo custo evitadas não só num dia como esse.

Quebrar um Espelho

Dizem que quebrar um espelho pode trazer sete anos de azar. Na Idade Média, acreditava-se que os demônios se escondiam em espelhos, logo se um espelho fosse quebrado, demônios seriam libertos causando todo tipo de maldade.

Segundo o escritor Daniel Lacotte, o espelho também carrega a noção da morte, pois quebrar um espelho significava matar a imagem nele refletida.

No entanto, a versão mais aceita para a origem do mito não está ligada ao sobrenatural em si, mas sim onde realmente dói: no bolso.

Até o século 17, espelhos eram artigos caríssimos, objetos de luxo. Então, para que os empregados tivessem cuidado no manuseio do objeto, foi incutida a ideia de que quebrar espelhos poderia trazer sete anos de azar. Dizia-se que o espelho era tão caro que só em sete anos de economia que se podia comprar um. De qualquer forma, quebrar um espelho naquela época só era ruim pra quem tinha que pagar por ele.

Guarda-chuva aberto dentro de casa

Quem nunca ouviu da mãe ou da vovó aquela chamada de atenção: “fecha esse guarda-chuva, não presta ele aberto dentro de casa”. Mesmo que você se arriscasse a perguntar o porquê de não poder deixá-lo aberto a única resposta que ouviria era um “porque sim” tão usado para tudo quando ninguém quer te explicar nada.

Segundo o escritor de livros sobre civilizações antigas, Bernard Baudouin, os guarda-chuvas são bem antigos. Para citarmos um exemplo, no Egito Antigo, por volta de 3000 a.C., os guarda-chuvas eram feitos de papiro e penas de pavão e uma representação da deusa Nut, a deusa do Céu. Sendo algo sagrado, a sombra projetada por um guarda-chuva podia representar um sinal de mau agouro para quem fosse tocado por ele.

Vamos agora dar um salto no tempo num estilo “2001: Uma Odisséia no Espaço” e do Egito Antigo chegamos a Londres do século 18, onde podemos entender a origem do mito moderno do guarda-chuva.

O uso do guarda-chuva metálico difundiu-se pelo Reino Unido. Com uma armação de liga de aço, manusear um guarda-chuva aberto dentro de casa poderia além de quebrar vários objetos, ferir as pessoas que estivessem próximas.

Mas também se tem a versão comercial da coisa. Era muito comum chegar a casa e abrir o guarda-chuva para deixá-lo secar tornando o objeto reutilizável por bastante tempo, pois deixá-lo fechado e molhado, faria que suas armações enferrujassem e logo seria necessário comprar outro guarda-chuva. Agora imagine isso chegando aos ouvidos dos empresários fabricantes de guarda-chuvas. Difundir o mito de que abrir o guarda-chuva dentro de casa dava azar trazia sorte para o comércio.

Passar por debaixo da escada

Uma das superstições símbolo da sexta-feira 13, passar por debaixo de uma escada pode trazer todo tipo de malefício para a pessoa que cometer esse sacrilégio. Isso mesmo! SACRILÉGIO! Pois a escada não é tão banal quanto possa pensar.

Segundo a mestre de conferências da Universidade Paris-X, Catherine Salles, a escada é um símbolo sagrado encontrado em quase todas as civilizações, dos egípcios aos índios americanos.

No cristianismo, a escada também tem sua importância sagrada seja no relato do sonho de Jacó onde uma escada encostada no topo do céu permitia a descida e a subida de anjos ou na própria figura de Jesus Cristo visto como a nova escada que leva os homens a Deus. Dessa maneira, uma escada encostada num muro forma com o solo um triângulo sagrado, um espaço reservado a Deus, dessa forma passar por esse espaço seria cometer sacrilégio. Alie isso ao fato de que uma escada foi apoiada a cruz de Cristo durante a crucificação. Definitivamente passar por baixo de uma escada não seria nada bom.

Mas não se preocupe se desavisadamente passar por debaixo de uma escada, para fugir de todas as maldições infernais infligidas pelo ato sacrílego, basta cuspir três vezes entre os vãos da escada ou cruzar os dedos. Nada melhor do que combater superstição com outra superstição.

FONTE: Dossiê Superstições. Revista História Viva nº 108. Editora Duetto.

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