O Oeste (não tão) selvagem

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  sexta-feira, 17 de abril de 2015

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O Oeste (não tão) selvagem

Sele seu cavalo, coloque seu chapéu e vamos juntos cavalgar na história dos índios e cowboys.

Se existe um lugar que habita o nosso imaginário este é o Velho Oeste, terra sem lei e povoado por pistoleiros e bandidos. O processo de conquista do Oeste norte-americano fertilizou a imaginação de autores que descreveram a época como um inferno na Terra. Mas seria mesmo o Velho Oeste um lugar cuja lei era imposta a bala?

velho oeste historia 01

O contexto histórico que abordamos hoje situa-se no início do século 19. Logo após a independência dos Estados Unidos, George Washington incentivou a colonização das terras ao oeste do país com objetivos econômicos e políticos. Oferecendo terras a preços baixíssimos, o governo atraiu a atenção de muitas pessoas como imigrantes irlandeses, alemães e ingleses. A Marcha para o Oeste possibilitou a expansão territorial do país.

Mas não pense que eram terras desabitadas. Quando os fazendeiros chegaram, várias nações indígenas ocupavam a região das Grandes Planícies e tiveram que se unir para combater os colonizadores que os expulsaram de suas terras. Nos filmes, é comum ver os indígenas como os “vilões”, mas essa é uma interpretação preconceituosa e inverídica, pois não podemos pensar a história como uma narrativa do “bem contra o mal”, ou seja, “do mocinho contra o bandido”.

velho oeste historia 02Diferente da imagem construída por Hollywood, o Oeste não era uma terra habitada por foras da lei que disputavam duelos mortais no meio da rua (na verdade, isso acontecia dentro dos saloons). Evidentemente que o perigo de ser assaltado ou dar de cara com grupos armados existia (como existe nos dias de hoje), porém é importante dizer que no início do século 19 o acesso às armas era algo extremamente comum, principalmente para quem viajava pela região transportando produtos como farinha, bacon ou café. Porém a imagem de violência que o Velho Oeste possui é bem exagerada. As cidades eram patrulhadas por policiais e existiam leis que regulamentavam o porte de armas. Wyatt Earp, notório xerife, gastava mais seu tempo apagando incêndio de chaminés e buscando porcos perdidos. A origem do imaginário de violência que o Oeste possui nasceu em romances como o Oeste Selvagem, Buffalo Bill e outras histórias que foram levadas a tela do cinema.

Uma das figuras principais da expansão territorial era o cowboy, mas não nem todos eram como John Wayne, americano de olhos azuis. Na verdade, em sua grande maioria, esses pretensos fazendeiros e vaqueiros eram mexicanos, britânicos e índios e com uma pequena parcela de afro-americanos. Trabalhando geralmente 14 horas por dias, os cowboys participaram da expansão territorial dos Estados Unidos levando uma vida solitária, com alimentação precária e bebedeiras nos “saloons”.

Mas o Oeste “Selvagem” não era um lugar protagonizado somente por figuras masculinas. As mulheres chegaram a desempenhar papéis que eram exclusivamente dos homens e para sobreviver naquele ambiente trabalharam ao lado deles. Martha Jane Cannary entrou para a história como “Jane Calamidade”, notória pistoleira do Velho Oeste. Martha Jane nasceu em 1852 e sua vida é um misto de realidade com ficção. Acompanhou o exército durante a década de 1870 e numa ocasião, salvou um oficial de um ataque indígena e passou a ser conhecida como “Jane Calamidade”. Apesar desse relato ser provavelmente falso, Cannary foi uma mulher atípica no seu tempo rompendo com o comportamento tradicional tornando-se uma espécie de “celebridade”, retratada como uma “mulher selvagem” vista em livros do período. Martha Jane soube aproveitar a fama a seu favor. Vendia fotos de si mesma, atuava em espetáculos e usou da narrativa para criar “Jane Calamidade, a heroína das planícies”.

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