Nefertiti, a bela rainha do Egito

No início deste mês, o arqueólogo britânico Nicholas Reeves disse ter a resposta para um dos maiores mistérios sobre o Egito Antigo: a localização da tumba da rainha Nefertiti. De acordo com o arqueólogo, existiria uma espécie de câmara secreta ao lado da tumba do faraó Tutancâmon, onde supostamente estariam os restos mortais da rainha.

A notícia é bastante propícia para falarmos de uma das principais personagens do Antigo Egito, a rainha Nefertiti. É importante dizer que pouco se sabe sobre a rainha devido a escassez de documentos. Não se sabe, por exemplo, quem foram seus pais, apesar de que se suspeita que Nefertiti fosse filha da sua ama de leite, Tyy, e do funcionário Ay.

Nefertiti foi casada com Akhenaton, faraó da 18ª Dinastia conhecido por tentar implementar o “monoteísmo” no Egito centrado no culto ao deus Aton e pai de Tutancâmon. Sua posição foi além de desempenhar o papel de esposa real já que Akhenaton conferiu-lhe poderes chegando a ser tão influente quando o próprio faraó visto que foi representada com a coroa dupla, símbolo do poder real.

Mesmo sem muitas evidências a respeito da vida de Nefertiti, sabemos que a rainha participou de forma ativa na política do Egito. Essa afirmação é possível ao analisarmos algumas de suas representações conservadas até os dias de hoje. Nefertiti é vista oferecendo colares aos seus súditos, conduzindo seu próprio carro e até ferindo os inimigos com uma clava, imagens condizentes a figura de um faraó.

Estelas representavam a rainha junto a Akhenaton ou simplesmente sozinha fazendo oferendas ao deus Aton. Nefertiti chegou a ser representada como uma deusa dada à maneira como era adorada pelo povo.

A imagem mais famosa de Nefertiti deve-se a um busto encontrado por arqueólogos durante uma escavação em Tell El-Amarna, antigamente chamada de Akhetaton, capital construída por ordem do faraó Akhenaton. Dentre várias esculturas encontradas, estava um busto da rainha representada com um alto adorno de cabeça azul somente ostentado por ela, com traços característicos da arte amarniana. O busto era uma obra inacabada já que faltava-lhe um olho, mas a beleza da peça deu a fama de mulher bonita a Nefertiti.

Não se sabe como Nefertiti morreu. Por volta do ano 1352 a.C. o nome da rainha some da vida política.

Por isso a teoria câmara oculta de Nicholas Reeves é bastante importante. Se ela guarda os restos mortais de Nefertiti, trata-se de uma das maiores descobertas arqueológicas já realizadas. Como hoje existem técnicas não invasivas que permitem testar a hipóteses de Reeves, quem sabe logo saberemos se o arqueólogo britânico estava certo ou não.

Referências: Nefertiti, o poder da beleza. Egitomania: o fascinante mundo do Antigo Egito. Planeta DeAgostini do Brasil, 2006.

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