É hora de conhecer The Americans, camarada

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  sexta-feira, 10 de abril de 2015

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É hora de conhecer The Americans, camarada

Atualmente na sua terceira temporada, The Americans tem se revelado uma das melhores séries da atualidade, tendo aparecido em diversas listas de melhores programas da TV.

Phillip e Elizabeth Jennings formam um típico casal americano que vive no subúrbio de Washington durante os anos 1980. Eles trabalham em uma agência de viagens e possuem uma vida feliz com seus dois filhos, Henry e Paige. Tudo é normal na vida dos Jennings, mas nem tudo é o que parece, pois esses típicos “americanos” na verdade são soviéticos.

The Americans, série criada por Joe Weisberg, mostra dois agentes da KGB infiltrados nos Estados Unidos vivendo uma vida americana tipicamente normal, mas por trás dessa normalidade, escondem-se dois espiões a serviço da Mãe Rússia disposto a realizar a qualquer custo suas missões.

Atualmente na sua terceira temporada, The Americans tem se revelado uma das melhores séries da atualidade, tendo aparecido em diversas listas de melhores programas da TV. Para recriar os anos 80 no programa, são usados além das referências aos fatos históricos da época, elementos culturais como músicas, filmes ou comerciais de televisão. A ambientação histórica é um dos elementos diferenciadores da série em comparação com outros programas no mesmo gênero de espionagem como Homeland e Nikita.

Ambientada durante a Guerra Fria, o clima de tensão e paranóia não poderia faltar na série. A tensão entre americanos e soviéticos marcou o mundo logo após o final da Segunda Guerra Mundial e perdurou até o início dos anos 1990. Durante este período, vários conflitos pelo mundo refletiam a bipolaridade entre capitalistas e comunistas, além do cenário mais apocalíptico de todos: a destruição do planeta através de uma guerra nuclear.

Um dos pontos fortes da série é não se construir em cima de clichês. Geralmente, os soviéticos são vistos como o “inimigo perverso” a ser combatido, em The Americans, americanos e russos em muito se assemelham e são tratados como figuras humanas em sua complexidade, distante da visão simplista imposta pelo maniqueísmo tão recorrente no cinema. Não há heróis e vilões, mas pessoas com interesses distintos nascidos de um contexto histórico único.

O elenco da série é o mais acertado. A dimensão humana que os personagens carregam muito se deve ao desenvolvimento de suas tramas pessoais que ora estão ligadas ao conflito da Guerra Fria, ora com suas particularidades do dia a dia. Phillip e Elizabeth formam uma unidade sólida quando estão em missão, mas dentro de casa, o casal reflete a bipolaridade do mundo quando os dois divergem em vários momentos por apresentarem ideias opostas daquilo que querem para vida. Se não bastasse o nervosismo que sentimos a cada nova missão executada pelos dois, o casal mora ao lado de um agente do FBI, Stan Beeman, responsável por caçar comunistas em solo americano. A amizade que o casal cria com Beeman é tensa para o público que acompanha, pois em algum momento esperamos que Stan descubra quem são seus vizinhos.

Em seus episódios, The Americans já abordou a evolução tecnológica (mostrou o nascimento da internet como um dispositivo militar), a corrida armamentista (a preocupação com a escalada nuclear), conflitos influenciados por americanos e soviéticos (a Revolução Sandinista e a Guerra do Afeganistão) e tudo isso é muito bom de ser ver inserido na trama da série, que não apenas contextualiza historicamente o programa, mas mostra como os personagens reagem aos fatos.

Se você procura uma série tensa e cheia de suspense, The Americans é o que você está procurando. O gênero espionagem nunca esteve tão bem representado como nessa série de TV que sem sombra de dúvida é um dos programas de excelente qualidade nos dias de hoje.

A primeira temporada de The Americans está disponível no catálogo da Netflix.

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