As origens da superstição envolvendo a “Sexta-feira 13”

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

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As origens da superstição envolvendo a “Sexta-feira 13”

Você sabe as origens dessa superstição?

Se você não sai de casa numa sexta-feira 13 com medo de algo ruim aconteça, bem, não estou aqui para a solução do seu problema, mas talvez conhecer melhor a origem da superstição envolvendo este dia tão “maligno” para alguns e “benéfico” para outros (sim, isso mesmo), possa trazer um novo olhar para algo tão próximo da nossa tradição ocidental.

Catherine Salles, mestre de conferência da Universidade Paris-X, nos diz que para entendermos o mito em torno do número 13 é antes preciso entender o número 12:

Produto do quadrado (4) e do triângulo (3), o 12 é de fato carregado de um enorme simbolismo sagrado. Para os gregos e romanos, há 12 deuses no Olimpo, 12 signos do zodíaco, 12 horas do dia, 12 horas da noite. Na Bíblia, o 12 é o signo da eleição: Jacó tem 12 filhos, que são os ancestrais das 12 tribos de Israel, e Jesus teve 12 discípulos. Logo é perfeitamente lógico pensar que o número 13 destrói a harmonia do 12 e é, portanto, um número de mau agouro

Agora junte o 13 com a sexta-feira, considerado um dia de mau agouro para começar qualquer atividade e pronto: superstição duplicada. “A combinação da sexta-feira e do 13, que ocorre em média duas vezes por ano, é particularmente temida. Que Cristo tenha sido crucificado numa sexta-feira, depois de ter participado de uma refeição reunindo 13 convivas (seus 12 apóstolos e ele próprio), contribuiu para aumentar a periculosidade dessa data“, diz Catherine Salles.

sexta feira 13 friggaA origem do temor para sexta-feira 13 pode ser mais remota ainda segundo duas lendas nórdicas. A primeira conta que no Valhalla (morada dos deuses) foi realizado um banquete para 12 convidados, mas Loki apareceu sem ser convidado (sendo o 13º participante) e arrumou uma briga que terminou com a morte de Balder, favorito dos deuses. A segunda lenda é sobre Friga, cujo nome dá origem a palavra “friday” (sexta-feira): para se vingar contra as tribos nórdicas que haviam se convertido ao cristianismo, Friga reunia-se, toda sexta-feira, com 11 feiticeiras e com o próprio Satanás (13 elementos) para lançar todo tipo de maldição contra a humanidade.

Para você ter uma ideia de como a superstição em torno do número 13 não uma brincadeira para alguns, nos Estados Unidos, em muitos hotéis e hospitais não existe o quarto número 13; nos aviões, não se coloca a 13ª fileira e em vários arranha-céus, o 13º andar não “existe”, o elevador passa do 12º andar direto para o 14º.

O mito do 13 ainda diz que as pessoas não devem casar ou viajar num dia 13. No tarô, o 13º arcano é nada mais nada menos do que a figura que representa a Morte.

Além da combinação envolvendo a crucificação de Cristo numa sexta-feira após a ceia com 13 participantes, outros fatos alimentam a superstição. Na sexta-feira 13 de outubro de 1307, o rei Felipe IV mandou prender o grão-mestre dos Templários que em seguida foi queimado numa fogueira; no dia 13 de julho de 1793, Jean Paul Marat foi assassinado na sua banheira; o filho mais velho de do rei Luís Felipe, morreu num acidente com sua caleche (uma espécie de carruagem), no dia 13 de julho de 1842.

E você se lembra de uma das missões da Apollo que deu problema durante a viagem devido a uma explosão no módulo de serviços? A Apollo 13 que tinha como objetivo pousar na Lua não conseguiu cumprir sua missão, mas (e esse “mas” é importante), a tripulação conseguiu retornar a Terra sã e salva.

Porém nem todo mundo acha que uma sexta-feira 13 seja algo de mau agouro. Na França, o número 13 é considerado um número de sorte, tanto que nas sextas-feiras 13, a loteria promove sorteio especial.

REFERÊNCIA: Revista História Viva nº 108.

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