Agente Carter na ficção e na realidade

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

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Agente Carter na ficção e na realidade

Peggy Carter é uma personagem que exala feminismo e a força feminina, mas qual a importância das mulheres durante a 2ª Guerra Mundial? Vamos descobrir!

Agent Carter, a mais recente série da Marvel para a TV, estreou no último dia 6 no canal ABC lá nos Estados Unidos. A estreia da série protagonizada por Peggy Carter (Hayley Atwell) registrou bons números de audiência e recebeu boas críticas de sites e revistas especializadas. O mais legal nisso tudo foi ver a série tirar das sombras do Capitão América uma personagem forte que mostrou merecer ter seu próprio show, a agente Peggy Carter, uma incrível personagem de ficção acabou trazendo a todos nós histórias reais de mulheres que se destacaram na Segunda Guerra Mundial.

peggy carter 2

Peggy Carter estreou nos quadrinhos em 1966 nas páginas de “Tales of Suspense” #77. Criação de Stan Lee e Jack Kirby, Peggy era o interesse romântico de Steve Rogers, o Capitão América. Como não poderia ser diferente, a personagem ganhou a atual popularidade desde sua participação no filme Capitão América: O Primeiro Vingador e, em seguida, tendo participado do curta-metragem One Shot: Agent Carter.

Na ficção, a agente Peggy Carter esteve no centro dos combates durante a Segunda Guerra Mundial. Não apenas lutou lado a lado com o Capitão América, mas possuía uma posição de destaque dentro do exército. Estamos acostumados a ver filmes e séries de TV ou jogar diversos games ambientados na Segunda Guerra, onde predominam personagens masculinos, no entanto não podemos deixar de lado a participação das mulheres durante o conflito. Se Peggy Carter existe enquanto personagem fictício, isso se deve em muito as personagens reais que participaram do conflito armado.

agent carter 2A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é um dos eventos históricos que mais marca a nosso imaginário contemporâneo. Um conflito mundial, onde homens e mulheres contribuíram com sua cota de valentia e determinação. Segundo Natania Nogueira, em artigo no site “História Hoje”, muitas mulheres, em diferentes países, foram chamadas para contribuir no esforço de guerra. Passaram a ocupar cargos e funções que eram consideradas masculinas e à medida que o conflito se alongava, mulheres não apenas eram convidadas voluntariamente a fazer parte das forças armadas, como também passaram a ser recrutadas.

“Se na Primeira Guerra Mundial elas estiveram em fábricas e foram enfermeiras, agora fabricavam e até pilotavam aviões”, diz Natania Nogueira. Dessa forma, não seria nada estranho ver a agente Carter no palco de guerra, como a vemos em Capitão América: O Primeiro Vingador.

Na série de TV, Carter volta para casa. Não terá mais a Hidra ou o Caveira Vermelha para combater. Seus problemas agora são outros, seja o sexismo (bem pontuado na série) ou a crescente ameaça do Leviatã, a personagem se mostra forte, bem escrita e carismática. A receptividade, como disse acima, foi além das críticas e trouxe a tona histórias de mulheres que participaram da Segunda Guerra Mundial. O site Movie Pilot nos apresenta a história de Phyllis Latour Doyle, considerada uma “agente Carter da vida real”.

O site destaca a grande quantidade de medalhas que Phyllis Doyle recebeu pela sua atuação na guerra e ressalta alguns pontos de sua história (que temos o prazer de trazer agora para vocês) e nos mostra que mulheres como ela são de fato inspiração para a agente Carter.

Phyllis Latour Doyle. Via: http://www.telegraph.co.uk/history/world-war-two/11248032/Wartime-spy-finally-accepts-she-is-a-French-heroine.html

Phyllis Latour Doyle. Via: http://www.telegraph.co.uk/history/world-war-two/11248032/Wartime-spy-finally-accepts-she-is-a-French-heroine.html

Phyllis Doyle foi uma “Vingadora”: numa entrevista concedida em 2009, Doyle revelou que entrou para o exército “por vingança”. Depois de perder o pai de sua madrinha no conflito (ele foi baleado por alemães) e logo em seguida sua madrinha cometeu suicídio após ser presa por eles; em 1941, Doyle com então 20 anos se matriculou na Força das Mulheres do Ar. Sua dedicação foi notada por recrutadores do Executivo de Operações Especiais britânicas que a levaram a ter um treinamento mais intenso, visto o potencial que ela tinha para fazer muito mais.

Doyle foi pára-quedista na Normadia: em 1944, Phyllis Doyle participou da ofensiva realizada pelos Aliados que antecedia o “Dia D” (6 de junho de 1944, dia no qual as forças aliadas desembarcaram nas costas francesas). Naquela que é considerada sua missão mais perigosa, Doyle soltou de pára-quedas de um bombardeiro dos Estados Unidos e pousou atrás das linhas inimigas do território ocupado pelos alemães.

No território inimigo, Doyle adotou a identidade de Paulette e passando como uma pobre garota francesa, montava em uma bicicleta e ia vender sabonete para os alemães. Sua mobilização pelo território lhe permitiu dar posições estratégicas aos Aliados. Doyle enviou 135 mensagens codificadas nos dias que antecederam o “Dia D”.

“Os homens que tinham sido enviados pouco antes de mim foram capturados e executados. Disseram-me que fui escolhida para essa região da França, porque eu despertaria menos suspeita”, confessa Doyle em entrevista à revista “New Zeland Army News” ao falar do perigo que corria ao executar sua missão.

Doyle foi uma espiã incrível: as habilidades de Doyle não eram apenas transmitir mensagens codificadas, mas também estar preparada para um combate físico pesado tanto que suas capacidades num combate corpo-a-corpo equivaliam a muito de seus colegas masculinos. Ela relembra que foi treinada por um ladrão liberto a escalar prédios.

Os códigos utilizados por Doyle para enviar as mensagens ficavam escondidos no seu tricô e geralmente utilizava a agulha de tricô para indicar quando um código havia sido enviado. “Quando eu usava um código, gostava de dar uma picada com a agulha para indicar que ele tinha ido embora”, diz Doyle ao relatar suas ações secretas. As mensagens enviadas por Doyle foram essenciais para que as forças aliadas tomassem várias regiões ocupadas pelos alemães. No entanto, uma de suas missões não lhe traz boas lembranças.

Após enviar uma mensagem secreta sobre um posto avançado, Doyle ficou sabendo que uma mãe e seus filhos estavam entre as vítimas do bombardeio. “Eu posso imaginar os pilotos dos bombardeios afagando uns aos outros nas costas e oferecendo parabéns depois do ataque, mas eles não viram a carnificina que foi deixada. Eu sempre vi isso e eu acho que nunca vou esquecer”, diz Doyle que se sente culpada pela morte da mulher e seus filhos.

Doyle não havia revelado sua participação no conflito aos seus filhos: apenas há 15 anos que Doyle revelou a seus filhos a sua participação na Segunda Guerra Mundial e isso só aconteceu quando seu filho mais velho descobriu a história da mãe quando pesquisava sobre o “Dia D”. Humilde e sem se importar em buscar suas medalhas que recebeu, Doyle pergunta: “o que fiz para merecê-las?”.

No dia 25 de novembro de 2014, Phyllis Doyle recebeu uma das maiores homenagens que poderia merecer, a Medalha da Legião de Honra, a mais alta condecoração militar do governo francês.  Doyle atuou colaborando com as agências francesas e britânicas durante a guerra e teve sua parte na vitória dos Aliados contra os nazistas.

A história de Phyllis Doyle é apenas uma entre tantas outras que estão ocultas de nosso conhecimento. Mulheres como Doyle, que não apenas estiveram atuantes nas fábricas ou nos escritórios das forças armadas, mas também que estiveram na zona de combate, que se expuseram ao risco e estavam equiparadas aos seus colegas homens. Agora quando você olhar novamente a agente Carter seja no filme Capitão América: O Primeiro Vingador ou na série de TV, Agent Carter, saberá que ela representa um grande conjunto de mulheres que existiram e participaram da Segunda Guerra Mundial.

via Movie Pilot e História Hoje

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