3 Grandes Mistérios da Arqueologia

Luiz Alexandre Andrade
@luizalexandre82

  quarta-feira, 19 de novembro de 2014

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3 Grandes Mistérios da Arqueologia

A arqueologia é um ramo de estudo fascinante

Através dos vestígios deixados pelas antigas civilizações, os arqueólogos trabalham montando um quebra-cabeça do passado, onde quase sempre ficam faltando peças. Dessa forma, nem sempre a arqueologia consegue elucidar suas próprias perguntas e muitos mistérios continuam no ar. Entre várias questões que ainda não foram respondidas de maneira satisfatória, vamos conferir três mistérios que ainda desafiam nosso conhecimento do passado. Então, pegue seu chapéu de Indiana Jones e nos acompanhe.

1. Como foi construído Stonehenge?

O conjunto de enormes pedras suspensas dispostas de forma circular continua até hoje sendo um grande mistério em vários aspectos. Segundo os estudiosos, Stonehenge foi construída por volta de 900 a.C. nas colinas próximas a Salisbury, na Inglaterra. Os celtas que ali se instalaram naquela época ergueram o complexo conjunto de pedras num imenso círculo concêntrico cercado por um fosso e por um talude. Os mistérios em torno de Stonehenge começaram no século IV, quando uma lenda dizia que ali se guardavam estranhos mistérios. O cronista Geoffroy de Monmouth foi quem teorizou que as imensas pedras teriam vindo de lugares distantes assim como Inigo Jones foi quem realizou a primeira planta do complexo a pedido do rei Jaime I. A dúvida sobre quem havia construído Stonehenge fez surgir todo tipo de teoria, alguns apostavam nos romanos enquanto outros acreditavam em gigantes que habitavam a civilização de Atlântida.

Hoje, o monumento é um espaço visto por muitos como um lugar mágico-religioso. Esse aspecto não é totalmente descartado pelos estudiosos que ainda procuram entender o significado real de Stonehenge. Alias, por mais rudimentar que tenha sido a vida da população do povo de Stonehenge, não podemos descartar a possibilidade de uma organização que tenha erguido grandes obras relacionadas ao aspecto religioso. Mas como foi construído Stonehenge? A técnica utilizada foi bastante rudimentar baseada em pás feitas de clavículas de animais e picaretas talhadas nas galhadas das corças. Ainda também o mistério continua quando uma construção como Stonehenge pede por um conhecimento avançado de geometria, astronomia e do ciclo das estações. Recentes descobertas mostraram que através do estudo do campo magnético, pelo menos 17 santuários neolíticos encontravam-se ao redor de Stonehenge e alguns semelhantes ao monumento principal.

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Outra questão sobre Stonehenge: como aquelas rochas imensas foram transportadas até lá? E como foram suspensas? As maiores rochas chegam a pesar 25 toneladas enquanto que as rochas azuis aproximadamente 5 toneladas. Da variedade de pedras que foram utilizadas, as pedras azuis, por exemplo, são originárias do monte Preseli, a oeste do País de Gales. Foram transportadas por uma distancia de 200 quilômetros em linha reta, sem contar a parte marítima. Além de tudo isso, como foram feitos os encaixes da montagem de maneira tão rudimentar? Bem, enquanto ainda os arqueólogos não respondem essas questões, só nos resta contemplar esse desafio do passado.

2. Onde está enterrado Alexandre, o Grande?

Realizar turismo histórico às vezes é algo complicado. Imagine que você quisesse conhecer a tumba de Alexandre, o Grande. Iria para onde? Mênfis? Oásis de Siwa ou Bahariya? Macedônia, em Verghina? Líbano? Istambul? Londres? Veneza? Ou quem sabe para Alexandria, onde nessa imensa cidade ninguém faz idéia de onde a tumba se encontra.

No dia 10 de junho de 323 a.C., Alexandre morria com 32 anos. Segundo escritos antigos, o conquistador macedônico foi vitima de malaria ou febre tifóide. Seus generais demoraram em decidir como o vasto império seria conduzido e também como seria realizado o sepultamento do corpo de Alexandre. O império foi divido entre os generais. Entre eles, Perdicas queria levar o corpo de Alexandre de volta para Aigai (atual Verghina), na Macedônia e por isso mandou chamar embalsamadores que preparariam o corpo para a longa viajem que duraria meses. Transportado num rico carro funerário, o corpo de Alexandre partiu da Babilônia em meados de 322 a.C. Quem conduziu o cortejo foi outro general de Alexandre, Ptolomeu, que conduziu o cortejo ao vale do Nilo, onde preferiu fazer dali a morada final de Alexandre. Ao que consta, Alexandre teria sido sepultado em Mênfis, na tumba reservada ao faraó Nectanebo II, que abandonou o Egito devido as invasões persas.

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Alexandre vivido por Colin Farrell no filme de Oliver Stone em 2004

Ptolomeu I tornou-se o rei de Alexandria então podemos imaginar que para ali também foram os restos mortais de Alexandre. A mudança de local foi liderada por Ptolomeu II, filho de Ptolomeu, pelo ano de 280 a.C. Apesar de ninguém conhecer a localização exata da tumba, sabe-se que Alexandre passou a ser venerado como um deus. Décadas depois, Ptolomeu IV mandou construir um cemitério dinástico ao redor da tumba de Alexandre que mudou de lugar e foi reconstruída. O lugar trouxe grande importância a cidade que passou a receber visitantes de diversas partes inclusive o general romano Júlio Cesar, em 48 a.C.

Otávio Augusto, o primeiro imperado romano, também visitou a tumba em 30 a.C. e durante a exposição dos despojos de Alexandre, seu cadáver perdeu uma parte do nariz. Daí em diante Alexandre não teve mais sossego. No dia 21 de julho de 365, um terremoto seguido de um tsunami devastou Alexandria. Em 391 com a revolta violenta crista e antipagã que destruiu o templo de Serápis o mausoléu de Alexandre pode também ter sido destruído. Segundo um discurso descoberto do orador Libânio, o corpo de Alexandre teria sido tirado da sua tumba para exposição pública, porém nada mais se sabe do que teria acontecido com o corpo de conquistador.

3. De fato ocorreu a Guerra de Tróia?

Brad Pitt como Aquiles em Tróia, filme também de 2004 dirigido por Wolfgang Petersen

Brad Pitt como Aquiles em Tróia, filme também de 2004 dirigido por Wolfgang Petersen

A tão famosa Guerra de Tróia descrita pelo poeta Homero no ano 750 a.C. nunca foi vista como um mito pelos primeiros historiadores, pois segundo eles, o conflito entre gregos e troianos ocorrido por volta de 1200 a.C. desenvolveu-se perto do Helesponto (o estreito de Dardanelos) e teria durado uns 10 anos. Os gregos estavam comandados por Agamenon e venceram os troianos com a também famosa tática do cavalo de Tróia.

Com a passar dos séculos, Tróia acabou tornando-se aquilo que de fato parece ter nascido para ser: um mito. No entanto, entre 1870 e 1890, um rico comerciante alemão, Heinrich Schliemann, fez escavações no monte Hissarlik, onde estaria localizada Tróia. Depois de três anos de escavações, foram descobertas vários objetos de ouro que precipitadamente foram atribuídas a Príamo, rei mítico de Tróia. No entanto, novas escavações foram feitas e foram encontrados vestígios de cidades sobrepostas, numeradas de I a IX.

Nenhuma dessas cidades descobertas parecia ser exatamente a Tróia descrita por Homero na Ilíada, no entanto, a cidade VII foi a que mais se aproximou das descrições feitas na obra, pois tal cidade teria sido destruída pelo fogo em 1250 a.C. Recentes descobertas feitas por Manfred Korfman confirmaram que a cidade VII foi uma das maiores cidades da Idade de Bronze, grande o suficiente para resistir por muito tempo uma invasão dos gregos. No entanto ainda há muitas questões a serem respondidas, como se realmente houve um conflito entre gregos e troianos, mas com o tempo e novas descobertas podem revelar o que Homero escreveu em suas linhas poéticas.

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